quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Todos a procriar?

Desde 2017 que fazemos parte da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas.
É costume recebermos muitas informações por e-mail e apesar de termos SÓ 3 filhos, penso que esta associação é muito importante para quem tem a casa cheia e precisa de fazer a gestão de várias frentes.

Na semana passada recebi um e-mail a dar conta de um evento promovido pela Wells.
Não ganho nada com isto, muito menos por estar a fazer publicidade gratuita tendo a casa cheia de bebés e muitas bocas para alimentar, mas sei que desse lado há muita gente com vontade de ter filhos, outros de aumentar a família, outros de querer ensinar aos filhos únicos que andam lá por casa a alegria de ter um irmão e conjugar o verbo partilhar.

Há então um "movimento" promovido pela Wells para que nasçam mais crianças em Portugal e oferecem um kit de produtos a todos os bebés nascidos em 2018. Bom não é? Não sendo muito, é melhor que um pontapé nas costas e o futuro de todos nós será certamente mais risonho (nada contra os velhinhos, mas é preciso deixar de sermos egoístas e pensar em sustentabilidade!).

Por isso gente gira, todos a procriar que o país precisa e eu já dei para esse peditório!!!!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Quem nunca?

No sábado de madrugada acordámos em sobressalto com o João a vomitar.
Deviam ser 2h da manhã ou qualquer coisa do género.
Quando cheguei ao quarto deles e vi "aquele cenário" nem sabia bem por onde começar.
O João a chorar e assustado (quando os miúdos vomitam ficam sempre assustados).
A Maria Rita toda acelerada e chateada "o João vomitou a nossa caminha".
O José passou ao lado do terramoto e continuou a dormir, felizmente. Ele que tinha levado quatro vacinas na quinta-feira e na sexta-feira também se fartou de vomitar enquanto eu conduzia a caminho da escola dos irmãos.

Muitos devem pensar "mama cabra, quiseste filhos agora aguenta!". Mas lamento dizer-vos, que quando temos filhos e dizemos aquelas coisas "só queremos que tenham saúde" é a mais pura das verdades.

Sabemos porém, que ter filhos e passar por situações de doenças faz parte do pacote. Assim como as sogras ou a família do outro. Lembro-me sempre de uma colega de faculdade que não gostava de arroz de ervilhas e catava uma a uma, mesmo quando lhe dizia que "as ervilhas eram como os pintelhos, por mais que arrumes vai sempre algum!".

O João passou o fim-de-semana a lamber as feridas, sem sair de casa e a fazer puzzles que recebeu no aniversário e no natal.

O problema aqui é conciliar as várias faixas etárias e gerir cenas da vida doméstica. Porque nem sempre o trabalho de equipa acaba bem.

O João começa o puzzle espalhando as peças em cima da mesa da sala. E a Maria Rita trepa para as cadeiras porque também quer "jogar". Mas rapidamente começa a deixar cair as peças ao chão e o José a apanhar do chão e a meter à boca.
O que vem a seguir é tudo menos bonito mas também é um ciclo. O ciclo de quem grita mais ou mais alto.

É aqui que todas as mães passam a ser crentes e a fazer orações secretas para que Deus as ouça. Entre outras coisas pedimos para os filhos estarem bem de saúde, comam bem, durmam melhor e não gritem. Acrescentamos uma enorme ovação de gratidão por cada minuto em silêncio e por cada ida à casa de banho sem levar com uma das crianças a fazer acrobacias ou a tentar enfiar o piaçaba na boca.

Aprendemos que a ração seca dos gatos pode ser muito nutritiva (para quê gastar dinheiro em bolachas se podem comer todos da mesma gamela?). Desejamos lá no fundo que o fim-de-semana acabe rápido e fazemos juras que vamos planear ementas semanais para que tudo corra plenamente, as manhãs ao som de anjos a cantar e sempre pontuais e os finais de tarde sem birras e com refeições equilibradas.

Eu gosto de dizer que a minha fé tem aumentado na proporção do número de filhos. Desculpa-me Deus, mas para me sentir boa mãe entrego-te a ti a capacidade de proteger os meus filhos. Porque depois deles saírem de dentro de mim percebo claramente que nunca vou conseguir impedir que sofram. Posso tentar minimizar mas só mesmo isso.

E ser mãe é agir com o coração, por tentativa e erro e a tentar não enlouquecer.
Umas conseguem outras não. Na maioria todas somos muito imperfeitas, nem todas demonstram da mesma forma e nem todas fazem a mesma merda.

Algumas protegem tanto os filhos que os sufocam. Outras desabam mal o termometro marca 37°C de temperatura rectal. Outras fazem questão de lhes fazer os trabalhos de casa só para não chatear as crianças.

Todas enlouquecemos. Nem todas demonstramos. Nem todas ficam despenteadas. Nem todas lixam as amigas. Nem todas se enfiam na escola dos filhos a massacrar a professora ou a lamber as botas à directora. Mas todas choramos. Todas rezamos mesmo quando não sabemos. Todas tentamos proteger as crias.

E se isto nos devia unir, devia (como na natureza que até há espécies que se juntam e tomam conta das crias umas das outras), mas a verdade é que nos separa cada vez mais. Porque passam mais tempo a demonstrar do que a ser. Porque conta mais as aparências do que na realidade se passa no coração, dos nossos (mães) e dos deles (filhos).

E é nestas alturas em que me apetece soltar um grande palavrão e dizer sejam mais pessoas e menos máquinas. Porque às vezes ser pessoa é viver descontrolada mas respirar e respeitar.

Quem nunca?

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

José [1 ano]

O teu primeiro aniversário José. 12 meses passados a correr e o teu sorriso sempre presente.

És a minha sombra. Sempre agarrado às minhas pernas. Sempre a correr atrás de mim ou pendurado e aos gritinhos.

Às 11h27 abracei-te e cantei-te os parabéns. Tu sorriste e dançaste.

Hoje o Google fotos lembrou-me que há um ano estavas enroscado em mim, acabado de nascer. Acabado de me prender ao mundo sem reservas ou purpurinas

Parabéns meu amor.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

é outro nível....

Ser princesa, é realmente outro nível.

A Maria Rita é uma Diva. É trabalhadora, enérgica, autónoma e quer fazer tudo sozinha (mesmo o impossível, tipo mudar a própria fralda).

A Maria Rita é a menina, o vidrinho de cheiro, a delicada. Em casa, arma um berreiro se o pai lhe levanta a voz (daquelas coisas que uma mulher ou criança nunca devia passar) e facilmente levanta a mão para defender um dos irmãos ou liga a tracção às 4 para lhes ralhar quando fazem asneiras,

Nos últimos dias, este lar mais parece uma incubadora de bicharada. A febre entrou e não está a querer ir embora, o João e a Maria Rita estão a ser os mais resistentes, curiosamente os únicos que fizeram a vacina da gripe este ano.

Voltar às rotinas custa a todos, até aos adultos, quanto mais às crianças que ainda estão com os transmissores em programação.
(é por isto que eu não gosto de excepções e que as festas de família são em número suficiente para sair da regra, não preciso de mais bailaricos!!!)
E talvez por isto, a Maria Rita tem andado um POUCO impossível nos últimos dias.

Mas até para ser princesa é preciso saber e ter nível.

Ontem ao final da tarde enquanto se ensaiava para fazer uma birra:

Eu: Maria Rita, o que foi filha? O que tens?
Maria Rita: Febre, mãe. Tenho febre axul!


E é assim. Há quem tenha sangue azul, a minha filha tem febre azul!


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Olá 2018

Começar um novo ano sem esperar milagres, mas a trabalhar para que eles aconteçam.

Concentrar-me neles. Respirar. Sentir-lhes o perfume dos cabelos, os corações pequeninos a bater e a encher-me de força para continuar.

É isto 2018. Não espero de ti o impossível, quero-te apenas justo e equilibrado. Quero-te com a certeza que tudo pode acontecer no momento certo, mesmo que eu não entenda, mas que me traga a paz que eu tanto preciso.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Natal 2017

É isso. Está aí o natal.

Já se ouvem os sinos (felizmente a música do mini-preço deu tréguas), os duendes continuam a tentar embrulhar prendas desenfreadamente para as crianças, felizmente inventaram os sacos de natal e as lojas dos chineses multiplicaram-se.

Que neste natal possam sentir o aconchego de um lar. Que a luz que está dentro de cada um de vocês possa brilhar realmente.

O resto? O resto? Metam num saco, o que for bom é para guardar, o que for mau, lixo (esperem só pela recolha do camião para contaminar o ambiente!).

Beijinhos doces desta família louca.


sábado, 23 de dezembro de 2017

João [7 anos]

O João fez 7 anos. Está crescido, divertido, desdentado.

O João tem tanto de doce como de rebelde. Tem o sorriso mais delicioso e matreiro.

O João gosta do Mr. Bean e até a Maria Rita diz " mãe, o João está a ver o maluco" e as gargalhadas dele fazem eco pela casa.

Continua a querer saber o porquê das coisas, a gritar golooooo sempre que joga PlayStation, e a explicar as fintas que faz quando joga à bola.

Não é uma criança exemplar (ainda bem, que eu até tenho medo dos "atinadinhos"), mas é um exemplo para muitos adultos. Sabe pensar, sabe sentir, sabe falar. O resto é um coração a bater num 1,24 m de miúdo atlético, cheio de músculos e vontade de vencer. Uns olhos onde cabe o mundo inteiro e uma cabeça capaz de fintar os mais astutos.

Que sejas sempre feliz, meu amor. Foi contigo que aprendi a ser mãe, foi contigo que dei os primeiros passos e percebi que esta montanha russa nunca mais vai terminar.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Pedir e receber

Pedi a dezembro o amparo que novembro me rouba.
Pedi a dezembro que os meus olhos vissem tudo aquilo que o meu coração sonha.
Pedi a dezembro que a minha cabeça fosse apenas o lugar onde os meus macaquinhos se juntam para festejar.

Às vezes só nos apercebemos da maldade dos outros quando já fomos magoados. Às vezes só aceitamos aquilo que o nosso coração nos diz quando somos confrontados com as evidências.

Percebi que aquilo que me move é muito mais emoção do que o cálculo matemático, deixei para trás o perfeccionismo, deito-me de consciência tranquila e de peito aberto.

Sonho. Junto todos os dias as pedras que encontro e guardo-as com amor. Algumas vão seguindo o seu caminho, outras vão ficando.

Ao meu filho João, a quem proibi de ouvir música latina, mesmo aquela que ele dizia ser a sua preferida, desculpa meu amor, desculpa por não perceberes que a minha mágoa não era tua e que o que te fazia feliz me enchia de memórias que não queria recordar. Já não importa. Já podes ouvir, rir e dançar com o som que te embala os olhos doces, ainda dói mas já não fico presa na dor.

À minha filha Maria Rita, a quem recusei chamar princesa, mesmo perante a evidência de naquele coração estar uma guerreira de sangue azul. És uma princesa minha filha, tens uma garra e uma força que nos enche a todos de orgulho, mesmo quando a capa da heroína é dobrada e vestes o mais doce sorriso, na mais nobre canção que se transforma em abraço. O meu coração já não encolhe quando ouve essa palavra, porque tu o ensinaste a dilatar de orgulho.

Ao meu filho José, a quem não baptizei com o segundo nome que queria. Embora fosse o mais bonito e o mais adequado, um agradecimento pela dádiva do teu nascimento, tu não irias gostar de ser recordado assim. E sabes, Xavier fica-te tão bem meu querido, que até os anjos cantam numa só voz.

Vou continuar a pedir a dezembro que me envolva em laços de ternura e me proteja de quem não merece uma lágrima ou um segundo da minha preocupação.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O verdadeiro espírito do natal

Para mim dezembro é, como já o escrevi, a magia que nos une, as mãos que se entrelaçam, os corações que se aproximam, as lágrimas que nos aquecem.

Longe de competições, de jogos de poder, de guerras e interesses, para mim dezembro é poder ver alguém feliz. Fazer o sol brilhar no coração de alguém magoado, ver uma estrela brilhar em alguém doente e sem força.

Amanhã é um dia especial, faz 8 anos que vi partir alguém muito especial que me deixou marcas imensas. Alguém que me fazia rir e ainda hoje me faz imitar macacos como ninguém. Alguém que acompanhei em tratamentos intermináveis, alguém que lutou 10 anos contra a doença da moda, o cancro.

Na semana passada, ainda por causa do presépio da Maria Rita, recebi um telefonema. Era um pedido especial. Alguém que queria muito o nosso presépio para o oferecer. Em causa estava uma doença oncológica. Eu já me tinha comprometido a oferecer o presépio ao Centro Social para o leiloar e angariar fundos, mas comprometi-me a fazer outro.

É claro que nunca seriam iguais, mas seria feito com muito amor e carinho. Reunimos forças e fomos em família apanhar pedrinhas. E no final ficamos todos de coração cheio.

Esta é a maior vitória de todas, sentir que o verdadeiro espírito de Natal pode chegar ao coração de quem precisa.
Dou e darei a minha vida para salvar a minha filha de uma doença crónica que ainda nos persegue. E sentir que somos todos mais felizes a fazer o bem é o nosso troféu.
Não vamos ser ricos, vamos ser felizes!

Amanhã é um dia especial e eu só espero boas notícias, sorrisos e lágrimas de alívio. Vamos estar todos a torcer por vocês.

O presépio da Maria Rita continua à espera dos vossos votos aqui. ♥️


[Este é o segundo presépio, que foi oferecido para uma causa muito especial. Força!]

sábado, 9 de dezembro de 2017

José [11 meses]

Parabéns minha estrela.

Vou repetir-te sempre ao ouvido que nasceste para me salvar. E salvas todos os dias com o sorriso mais matreiro e doce.

Vou dizer-te, até ser velhinha, que juntos vamos conseguir, juntos vamos vencer, juntos vamos ter força para reerguer o castelo dourado dos contos de fadas que me fazes acreditar que existe.

Obrigado meu amor por estes loucos 11 meses em que me soubeste agarrar à vida.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O presépio da nossa família

Todos os anos somos convidados pela escola dos nossos filhos a contribuir para um enfeite de natal.
Este ano na escola da Maria Rita o desafio foi fazer um presépio, com material à escolha e haveria um concurso no Facebook, o presépio que reunir o maior número de "gostos" será o vencedor.

Comecei a pensar no tema logo que vi o desafio. E como há muito tempo queria fazer um quadro com o que a natureza nos dá, resolvi que era agora.

Pedi ao pai para ir à praia apanhar pedras, expliquei qual era a ideia e tendo em conta os requisitos e o tamanho lá trouxe uma colecção de pedras de várias cores e feitios. Os ramos foram podados das árvores do nosso jardim.

Fizemos várias experiências. Com fundos de várias cores, com várias figuras e com diferentes molduras. Esta foi a versão final.

O presépio está a votos no Facebook, se quiserem, podem contribuir com o vosso dedinho esticado para cima clicando na foto e vão fazer uma família feliz.

Entretanto e após vários comentários, decidimos doar o presépio (quer ganhe ou não ganhe) à instituição e sugerimos que fosse feito um leilão. O dinheiro reverterá para a creche. Para a escola que tanto tem dado à nossa família. 

Será com o coração cheio que ficaremos este natal se esta ideia tiver mais e mais apoio.

Podem votar aqui.

Obrigada.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Dezembro chegou

Espero sempre por dezembro como o salvador da pátria. Às vezes espreito pelo nevoeiro e até me parece ver D. Dinis, intacto como se tivesse saído apenas para comprar pão.

Dezembro trouxe-me o primeiro filho. O meu menino Jesus. Um sonho depois de muito sofrimento, por isso Dezembro lembra-me o cheiro quente de um bebé que parecia moreno e se transformou no meu bunny blue, sem miráculos nem falcão traça, mas muitas forças para combater (desculpem os que não seguem as séries Infanto-juvenis).

Quero sempre acreditar que há uma força invisível que me traz à superfície em dezembro. Mesmo quando os monstros te perseguem e te desorientam. Mesmo quando pareces perder o norte, há uma estrela que me guia. Talvez a que tenha partido num dezembro frio com a certeza de ser mortal e com a convicção que as lutas se fazem na terra.

Daqui a 3 semanas é natal. Tenho 3 filhos maravilhosos que sabem de cor o meu cheiro e reconhecem o meu olhar por entre a multidão. Não interessa a condição física, a idade ou se estão doentes, interessa a magia que é tê-los por perto. E mesmo no meio da crise, isso é realmente natal.
Não interessa onde vais estar nessa noite, que se quer em família, mesmo quando os outros te tentam destruir todos os dias mais um pouco. Tens o principal contigo e dentro de ti e não há embrulho mais perfeito do que esse.

Começo dezembro agarrada à máquina de costura, costuma ser boa conselheira, mesmo que a noite te deixe a visão turva e a linha teime em não entrar na agulha.

Não vivo com muito. O suficiente, para os meus filhos não terem frio nem fome. Recuso ser barriga de aluguer das ideias dos outros, e continuo a ser  produtiva para quem realmente sou necessária.

Vivo num país com leis que os outros insistem em romper, com punhais disfarçados de sinceridade. Mas na roda da vida, deixo o veredicto para o juízo final.

E ouço a música:
"entre a chuva dissolvente
No meu caminho de casa
Dou comigo na corrente
Desta gente que se arrasta
(...)
E o que foi feito de mim?"


A árvore de natal já está feita, há luzes a piscar enquanto cantamos as músicas de sempre. Não há presentes comprados, não há calendários do advento nem desejos de algodão, mas estamos nós, de pé ou a reerguer o que sobrou.

No último dia de novembro, ainda entre a confusão e o choque. O choro abafado pelo sorriso do meu filho e pela companhia mais que perfeita, olhei para o céu e vi centenas de tsurus.


Nesse dia prometi que iria construir um exército deles. Porque a sonho pode realmente combater o mundo cinzento que insiste em derrubar.

"Já sei que hei-de arder na tua fogueira Mas será sempre sempre à minha maneira
E as forças que me empurram
E os murros que me esmurram
Só me farão lutar
À minha maneira
À minha maneira.
Por esta estrada
Por este caminho à noite
De sempre
De queda em queda
De passo a passo
Andando
P'ra frente"

Passei o fim-de-semana a ouvir Xutos e a lembrar memórias. Memórias, cheiros e sítios e pessoas que é o que a música nos dá.
Olá Dezembro, traz-me o que tanto preciso. Não quero nada caído do céu, como a chuva desejada, quero apenas o retorno de todo o meu esforço.
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A árvore de natal de 2015. Gosto de árvores diferentes, mas quando tenho bebés por perto, a imaginação tem mesmo de funcionar. Obrigado a quem me ajuda a realizar os sonhos.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Novembro a terminar

E apesar do esforço que fui tentando fazer para reviver momentos bons também passados em novembro, no último momento consegui perder o chão.

"A vida vai torta
Jamais se endireita
O azar persegue
Esconde-se à espreita"

Num dia de contrastes. Tantos... Mais uma perda.

"De modo que a vida
É um circo de feras
E os entretantos
São as minhas esperas"

Mas no meio dos fantasmas e dos murros no estômago recordo a coreografia com a minha irmã, naquele verão quente em Vila Flor.

"Ela sorriu
E ele foi atrás
Ela despiu
E ela o satisfaz
Passa a noite, passa o tempo
Devagar
Já é dia, já é hora
De voltar
Aqui ao luar,
Ao pé de ti,
Ao pé do mar,
Só o sonho fica só ele pode ficar."

Acabo novembro quase com a mesma certeza do início. Porque a vida também nos pode lembrar que quando se perde, é difícil voltar a encontrar, não voltamos a ser os mesmos, não voltamos a pisar o risco.

"Por sinais perdidos
Espero em vão
Por tempos antigos, por uma canção Ainda procuro, por quem não esqueci
Por quem já não volta, por quem eu perdi"

Porque a memória vai sendo o que de melhor a vida nos oferece.

"E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé... Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade, vai quem já nada teme, vai o homem do leme"

Obrigada Zé Pedro. Até sempre.

sábado, 25 de novembro de 2017

Falta um mês para o natal

Falta um mês para o natal. O tempo passa a uma velocidade tão estonteante que às vezes até me assusta.

Entretanto começaram as listas para o pai natal. Felizmente o José ainda não sabe o que isso é (vai ser o primeiro Natal dele) e a Maria Rita ainda não percebeu que é preciso pedir e fazer cartas e essas cenas....

Mas o João consegue ocupar o lugar dos 3 com alguma destreza.

Na verdade, este ano está muito controlado e o único "brinquedo" que pediu e que é o primeiro item da lista foi: uma bola azul e branca (a sério João? Outra bola?).
Claro que não se fica por aqui, porque o João quer muito conhecer o Cristiano Ronaldo e ir jogar para o Real de Madrid e pede isso ao barbudo, porque só mesmo ele para cumprir sonhos (o melhor é oferecem-me já os chapéus para desempenhar bem o papel de mamãe Dolores).

Pelo caminho pede ao velhinho "1000€ para distribuir pela família" (ele recebe e partilha, os primeiros 100€ já garantiu que são para a prima Raquel!). Aqui está o verdadeiro espírito do amor e de Natal!

Mas há um pedido na lista que me está a fazer espécie. O quê?
Querido pai natal, o meu filho João pede "um irmão novo". Isso mesmo, outro irmão, outro bebé a sair das entranhas desta mãe cansada e arrasada por meses e meses sem dormir.
Ele pede segredo, não quer que a mãe saiba para não ficar triste e a Raquel assegurou-lhe que a B. pediu muito ao pai natal um irmão e conseguiu.

O João não quer que eu saiba, porque o meu último parto não foi bonito. Não escrevi aqui porque sei que há muitas grávidas desse lado. Não é bonito sentir que estás com as entranhas abertas e a passar para o outro lado enquanto ouves de fundo o choro do bebé. Não é bonito aquela cena "à Dexter" com sangue a esguichar em todas as direções e estiletes a entrar a sangue frio pelo corte ainda fresco, preso com agrafos, como no século passado. Não é bonito e estejam descansadas que a probabilidade disto acontecer só a mim é muito grande. Não tenham medo.

Por isso querido pai natal, este ano sou eu que te peço, dá-lhe tudo, dá-lhe bolas, dá-lhe maços de notas, dá-lhe as viagens para Madrid e boas notas, mas por favor, poupa-me. Se decidires arriscar, vou-te rapar essa barba com um estilete em brasa e vai haver muito sangue pelo ar. Tranquilo, tudo sem dor e sem ouvires anjinhos a cantar!

Obrigada.

A carta em 2015 >>> aqui

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Que se lixem as golinhas

Por norma sou adepta de mandar a Maria Rita para a escola com roupa prática e já basta quando ela sisma de fazer combinações aberrantes, dou-lhe sempre alguma margem, mas controlada.

Porém, em outubro houve a tradicional sessão fotográfica da escola e lá foi de "pincexa" como ela tanto gosta. Como os bodies com golas tinham deixado de servir e só de véspera me lembrei desse pormenor, lá consegui encontrar uma camisola com um franzido, simples, para dar graça ao conjunto.

Quando a fui buscar, os meus olhos bateram na gola e ia tendo um colapso. Percebi que a fotografia tinha sido tirada com a gola por dentro do vestido. E juro, apeteceu-me chorar.

Apesar de me terem assegurado que ela tinha ficado bonita para xuxu, só quando vi as fotografias é que respirei fundo e pensei "que se lixem as golinhas, a miúda é linda de qualquer maneira!".

Não sou grande adepta de folhos exagerados e muito menos aquelas golas à Camões, com triplo franzido e debruadas a renda de bilros. Mas uns apontamentos conseguem fazer de um vestido simples um conjunto feliz. Depois disto prometi a mim mesma que não volto a stressar com mariquices. A miúda tem bons genes e sinto que não se vai envergonhar quando olhar para as fotos em 2045.

[Uma das fotos da escola]
[Se conseguirem tirar os olhos da taça de mousse, era esta a gola que ficou esquecida]