domingo, 22 de janeiro de 2017

Coisas dele

João enquanto fazia os trabalhos de casa, eu amamentava o José e o pai dava banho à Maria Rita.

Eu - sabes José, o mano já anda na escola e precisa de fazer trabalhos de casa.

João - mãe, quando os pequenitos estiverem na escola e se tu estiveres outra vez grávida*, não te preocupes, eu ajudo-os com os trabalhos de casa!

[Obrigada filho, era tudo o que eu precisava de ouvir agora. Então quando volto aos treinos?]


* Não adiantou dizer-lhe que não ia voltar a engravidar. Só não percebi se está em negação ou se já não acredita em mim.


sábado, 21 de janeiro de 2017

E os manos?

Somos oficialmente uma família numerosa. Temos 3 filhos. Todos com menos de 8 anos e dois deles com menos de 2 (ou seja fraldas é uma cena que se multiplica por aqui!).

[Muito bem, prometo não falar em cocó, até porque hoje queria só escrever sobre a reacção dos manos ao novo membro da família.]

E os manos?

Esta é a pergunta mais frequente. Ninguém pergunta como está o meu baixo ventre ou se o útero aguentou a tamanha crueldade (a minha claro). Saber como os mais velhos reagiram é uma curiosidade compreensível, até porque com uma miúda ainda pequena e traçada de camião-tir era de esperar uma cena digna de Hollywood.

Vamos lá aos factos:

O João adorou.
Fez algumas visitas ainda na maternidade, foi dos primeiros a conhecer o irmão a enchê-lo de beijos e amassos.
Parecendo que não, o rapaz passou por uma experiência recente com a chegada da irmã.
Tudo bem que agora já sabe o que é ter um bebé em casa, tudo bem que agora tem 6 anos e já se impõe na escolha do nome, tudo bem que nos últimos meses a sua vida passou de moderato a vivace, tudo bem que isto de ter de estar sentado das 9h às 17h a juntar letras (qual funcionário das finanças) é mais chato que ter a casa cheia de bebés aos gritos.
Em casa o João não me pareceu ter qualquer alteração emocional relevante. E o comportamento dele era o que já apresentava nas últimas semanas.
Fora de casa não tenho a certeza que esteja a ser igual, mas estou a dar-lhe tempo para voltar a confrontar-me com a realidade.


O João acha que este mano é o gémeo dele. É o gémeo que esperou 6 anos para nascer, e para arrancar dele as frases mais fofinhas de sempre.

A Maria Rita assumiu a postura de irmã do meio.
Não achei conveniente que ela fosse à maternidade. Primeiro porque tinha estado um pouco febril no fim-de-semana. Depois porque ia ver a mãe com o bebé e teria que ir embora de mãos a abanar (sem mãe, nem pai, nem bebé). Por isso deixei que a onda de choque a apanhasse num ambiente protegido, já em casa.
Estava cheia de saudades minhas (e eu dela, meu docinho!!!!), e quando viu o bebé até achou piada. Porque é um "Nenuco" que se mexe, chora e abre os olhos. O pior foi quando o "Nenuco" precisou de mamar.
Não vou contar pormenores, acho que a fotografia ilustra bem o estado de espírito da Maria Rita.
Aos poucos vai-se habituando à ideia. E acho que já está a reagir melhor. Interage e até é bastante carinhosa com o José. Mas os primeiros dias foram pautados pela agressividade e descontrolo emocional generalizado.

Depois da tempestade vem a bonança e sinto que os dois pequenos serão grandes amigos e que não vão viver um sem o outro.


O José gosta de maluqueira.
Já aprendi várias lições com este filho. Primeiro que não somos nós que mandamos na nossa vida. Fui escolhida, por ele e a missão foi bem clara. Tinha estabelecido algumas negociações com o José, ainda na barriga, uma delas era que se me queria como mãe, teria de colaborar para eu não enlouquecer. E o miúdo está cumpridor.
No dia em que chegamos a casa, quando os irmãos chegaram e correram para nós, o José fechou os olhos e suspirou, como quem diz "finalmente estou em casa!".
Ele sobrevive aos barulhos, aos berros, aos gritos, ao choro dos irmãos. Se estiver a chorar ao ouvir choro da Maria Rita cala-se imediatamente, como quem diz "os mais velhos estão primeiro".

É certo que ele já convivia com este cenário diariamente, embora no aconchego do útero, com o compasso dos batimentos cardíacos a servir de calmamente. Mas quando o circo está a pegar fogo, este miúdo parece que entende que tem de esperar, de serenar e acalmar. E eu agradeço do fundo do coração que assim seja, porque repartida já me sinto eu.

Quanto a mim. Ainda não acredito que tenho 3 crianças em casa e que consigo bater palmas de forma coordenada e sem me babar!!! Urrrraaaaa.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

José [09.01.17]

José,

Nasceste no dia 9 de Janeiro de 2017. Num dia bonito de inverno. No Piso 4 do CMIN, deitada na cama que nos levava ao bloco, enquanto esperávamos pelo elevador. O céu limpo, a ponte da Arrábida como cenário e o mar a encher o horizonte.

Dia 9 de Janeiro José, 40 anos antes, ali ao lado no Hospital de St. António, a tua titi e madrinha soltava o primeiro grito e começava a multiplicar o seu amor com todos aqueles com quem se cruzava.

Estava a ser tudo muito rápido. Sem tempo para pensar ou digerir. Sem pressas e sem compassos de espera. O Dr. Vítor, chefe de equipa de urgência desse dia, esticou a mão para me dar 5 e dizer que ia correr bem, não era o momento para correr riscos.

Em casa os manos mais velhos continuavam os seus dias sem saber que as nossas vidas estavam prestes a mudar para sempre. 

Desta vez a lei do nosso país deixou o pai entrar no bloco, vestido a rigor e de máscara. Ouvimos juntos o teu primeiro choro, olhámos para ti ao mesmo tempo, quando te trouxeram para junto do meu peito.

Às 11h27 ouviu-se "nasceu" e o relógio parou. Um choro grosso ecoou.
Ali estavas tu, pequeno e perfeito. Covinha no queixo e os olhos sempre fechados.

Fizeste o teu primeiro xixi enquanto te limpavam, pesavam e mediam. Bom peso para as tuas 37 semanas de gestação.

A brincar, dizia que serias preto de carapinha loira. Pouco importava meu amor, mas quando olhei para ti, achei que serias mais parecido com o teu mano João.

Meia hora depois do nosso primeiro beijo já estavas a mamar e eu com colostro para um regimento de bebés*.

Não há nenhum filho igual, não há nenhum parto igual. Desta vez José, senti-me por instantes do outro lado, mas não digas a ninguém. Consegui voltar, dizer "não estou bem", a medicação a entrar no cateter da epidural, os espasmos a percorrer-me o corpo.
Sobrevivi. Sobrevivemos. Foram 37 semanas muito loucas meu amor, mas agora é que a vida começou. Em stereo e blu-ray, numa velocidade estonteante e perigosa.

Juntos vamos construir um império, acredita.


* que belo mito, esse das cesarianas não proporcionarem a amamentação eficaz na primeira hora de vida!!!

Fica para breve a reacção dos manos e o meu susto pós-parto (quando recuperar a 100%).

>> O dia em que o João nasceu

>> O dia em que a Maria Rita nasceu

domingo, 8 de janeiro de 2017

7 Maio - 7 Janeiro

José,

Apesar das contas dos médicos, és o único filho que sei de cor a data em que foste feito.
7 de Maio. 7 de Janeiro completamos as 37 semanas (nas minhas contas).

Cada dia que passa é uma conquista. E nesta nossa caminhada há muitos números 7.

Quero que saibas, que aconteça o que acontecer, nestes 8 meses, fui para ti a mãe que consegui ser. Nem sempre fresca, nem sempre feliz. Quase sempre sozinha e com o mundo às costas. Mas a tua mãe. 

Falta pouco para nos abraçarmos e não queria deixar-te sem as fotografias de família, que conseguimos tirar, apesar de todas as ameaças.

Sei que em breve bastará um olhar para sentirmos e comunicarmos e que a loucura dos dias será o cenário perfeito para crescermos. Mas acredito que eras a peça do puzzle que faltava para encerrar um capítulo. 

Sê forte e corajoso, meu patinho.

Beijo,
a mãe




sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Maria Rita [18 meses]

18 meses de menina doce, doce e forte.
Nos últimos meses foi ganhando asas, está mais desinibida, menos envergonhada fora do ambiente familiar. Interage e responde com sorrisos, fala muito e domina a parte motora (nenhum caminho é obstáculo, mesmo que tenha barreiras).
É bem disposta, refilona, atenta, intensa. Já bate no irmão sem dó nem piedade (um dia desta semana acertou-lhe com uma lata de atum na testa e eu temi o pior. Felizmente o João optou pelos 5 minutos de vítima melodramática e foi mais fácil resolver a questão).
Em casa não há quem a pare. Arrasta bancos e cadeiras, coloca brinquedos mais robustos de forma estratégica para poder trepar e chegar onde quer. Tem uma destreza bestial e quando está muito calada o melhor é ver rápido, porque pode já estar em cima de uma mesa ou móvel alto a atirar-se de cabeça para o sofá.
Aprendeu que atirar-se de um sofá para outro dá muita adrenalina, mas ainda não entendeu que quando cai se magoa e faz hematomas.
Adora jogar à bola e grita "golooooo". Os carros telecomandados do irmão também fazem muito sucesso nas mãos dela (o pior é quando o João vê).
Diz pai e mãe em todas as variantes (pai, papa e papai, mãe, mamã e mamãe). E quando chama é em looping.
É maluca por sapatos. Quando acorda a primeira coisa que faz é pegar nos sapatos dela e pedir para alguém os calçar. Se forem novos é o delírio, com sorrisos, gritos histéricos, não desiste até os calçar e não os larga nem para dormir (faz lembrar a mãe que quis dormir com as suas colibri - sandálias dos anos 80 - novas!)
Adora a escola. Fica tão contente que corre para a sala ou atira-se para os braços de educadoras e auxiliares de forma arrebatadora.
Ontem foi dia de consulta e vacina dos 18 meses. Pela primeira vez não chorou quando foi picada e nem disse um ai. Agora que estava a adaptar-se acabaram as vacinas do PNV (só tem novamente aos 5 anos).
No final da consulta despediu-se com sorrisos e abraços da enfermeira e do médico. E quando me viu a apertar a mão do médico, voltou para trás para fazer igual.
O médico, que não era o nosso médico de família, mas um médico novo e no início de carreira esboçou um sorriso e disse "que bonita, que simpática, és uma bebé feliz, muito feliz!".
E para mim, longe de qualquer percentil ou doença física, este é o maior veredicto que podia ouvir. Ter filhos felizes. Saber que aconteça o que acontecer vão ter dentro deles reservas de afectos para os ajudar a viver.
O meu docinho já tem 18 meses, um ano e meio de muitas emoções. De longas caminhadas e percursos sinuosos. Mas com muitos sorrisos, abraços e gargalhadas.
Maria Rita, estás prestes a ser a irmã do meio, (para além de ser o nome de uma série do Disney Channel) esta é uma missão muito importante que sei que vais superar.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Coisas que me inquietam no primeiro dia do ano

Como é possível ter maior visualizações de páginas do blog nos Estados Unidos do que em Portugal?

E a diferença é aterradora.

Olá EUA, querem falar?

[Na última semana]

[No último mês]

sábado, 31 de dezembro de 2016

Adeus 2016

Chegaste triunfante. Eu quis acreditar que serias bom, que tinha conseguido aceitar o impossível e que o tapete não voltaria a fugir-me dos pés.

Tinha acabado de dizer a mim própria que não me revoltava com o que viesse, fosse o que fosse. Aceitei que a minha filha nasceu com uma malformação congénita, que tinha uma doença crónica e íamos lutar todos os dias para que fossemos mais felizes e sem medo dela (a patologia renal).

Após muitos meses ausente voltei ao trabalho. Voltei aos transportes públicos, aos fones nos ouvidos, aos livros devorados nas viagens, de pé, entre um amasso e um encontrão.
Voltei a sentir a incompreensão, a injustiça, o desrespeito, a coacção. Voltei a dar mais de mim do que eu própria tinha para dar. Cheguei ao limite. Percebi que ao esgotar-me por causas falíveis estava a perder o melhor da minha vida, da minha saúde, dos meus filhos.

Soube parar. Reaprendi a respirar. Chorei em cada ameaça e recaída, e chorei por dentro em cada ida às urgências com os meus filhos, com cada cateter, com cada espera, com as sentenças e certezas que em medicina se traduzem por "talvez".

Vimos partir o pai. 6 meses era a previsão. Eu nunca acreditei. Sabia bem quais as areias que estavam a ser movidas. Já sem ilusões. A Maria Rita tinha acabado de completar 9 meses. O João ainda sem saber o que fazer às emoções.

Se pudesse escolher um mês, deste 2016, seria Maio. Entre o cansaço instalado, o reaprender a viver sozinha com duas crianças, a depender só de mim, a gerir emoções (as minhas e as deles), a tranquilidade que se instalou por umas semanas. A primeira visita do pai que resultou numa nova vida a crescer sem pré-aviso.

Mas não era esta a missão que 2016 tinha para mim. Entre dores descontroladas e a angústia de deixar os meus filhos (e a Maria Rita tão bebé e ainda a ser amamentada), Junho trouxe-me uma cirurgia de urgência. Lembro-me de acordar da anestesia e pensar "estou viva". Ouvia vozes, reconheci a da minha irmã, mas não consegui abrir os olhos, nem falar e muito menos mexer-me. Aos poucos fui voltando ao meu corpo. Cada minuto que passava longe dos meus filhos era um alfinete cravado no meu coração.

Nesse mês, tudo parecia estar escrito para me pôr à prova. Ainda a procissão ia no adro e já havia sinais intermitentes a apitar. Avisos. Amuos. Discussões.
No dia em que o cirurgião me deu alta, 3 semanas após a cirurgia, fiz planos durante umas horas. Escrevi sonhos. Até suspirei por uma nova terapia com abdominais hipopressivos.
E foi então que entre ameaças de doenças menos boas, surge a confirmação que estava grávida.
Lembro-me de ter ficado em choque, de ter esquecido tempos, datas, trimestres. Fixei apenas a data provável do parto e que tinha de ser rápida a marcar os exames do primeiro trimestre. Como se estivesse a ser atropelada por um trator agrícola, a alta velocidade. Entre a negação e a tentativa de tornar a notícia consciente, digerível.
A minha amiga S. que me esperava para almoçar e a avalanche a triturar-me a alma sem parar. Lembro-me daquele abraço, um bálsamo a tentar controlar as lágrimas de desespero. Lembro-me das piadas, misturadas com a falta de apetite. Lembro-me de não conseguir estar sozinha porque o mundo desabava. Lembro-me das viagens de carro a chorar. Lembro-me de ter feito contas, vezes sem fim. De olhar para o calendário, incrédula. De perceber que a primeira visita parental tinha sido um tiro certeiro, conciliado com outros factores tão válidos a provar que em medicina tudo pode acontecer. De me sentir prisioneira dentro de mim própria. De me questionar "porquê" e de não encontrar respostas.

Pedi ao julho tréguas e até achei que tinha feito as pazes comigo. Vi a minha filha a completar um ano de vida, e a cirurgia a ser marcada.

Em agosto dividida entre o medo de perder a minha bebé e a espera de um milagre que a salvasse. O calor. Os incêndios. Os dias e as noites que se uniam, discretamente longos.
A barriga que crescia de forma galopante, as dores que me foram acompanhando (e crescendo). A luta para que o João conseguisse entrar na escola, na opção que era dele por direito, se a lei não fosse tão enviesada e interpretada por meros aprendizes de doutores.

O setembro chegou de mansinho, matreiro, com um sabor enganador. Mostrou-se tranquilo e doce. Foi-nos oferecendo sorrisos que encobriam o que o coração gritava. Trazia chocolates tamanho XXL embrulhados em caixas douradas, com sotaque.
Vi os meus filhos a regressar à escola. Quase enlouqueci com a dolorosa re-adaptação da Maria Rita à creche.

Outubro. Podia ser apenas mais um mês. Mas começava tudo a complicar-se. As intercorrências víricas da pequena, acompanhar o início da vida escolar do maior. E as actividades dele, incompatíveis com a minha condição física e os estados de saúde da irmã.
As febres altas dela, a contrastar com as ausências parentais que continuavam a marcar terreno. Os sonhos que me iam alertando para uma realidade paralela que tu achas só existir nos filmes. As notícias que caiam como bombas. E no meio de tudo isto fazer acontecer coisas boas. Criar.

Novembro, mês de castanhas a saltar quentinhas, de lareiras a crepitar e tardes de domingo enrolados em mantas no sofá. Podia ser só isto. O sonho que ingenuamente continuava acreditar ser real. Mas a imagem que guardo deste novembro é bem mais dolorosa. Portas que se abrem e não voltam a ser fechadas. Testemunhos de doces envenenados, embrulhados em papel colorido.
E se te confirmassem, novamente, uma patologia renal no bebé que cresce dentro de ti?
E se as dores que tomaram conta do teu corpo te impedissem de dormir, comer ou sorrir?
E se a juntar a tudo isto estivesses sozinha com duas crianças pequenas?
E se o teu filho, ainda com 5 anos, fosse forçado a saber de cor os números de emergência médica para te poder salvar?
Quem ousou tirar-te novamente o tapete? Quem pintou de preto esta história e te deixou a morrer por dentro?

Esta podia ser a imagem final do ano. Sem confetis nem purpurinas. Rodeada das minhas pessoas, que me amparam sempre.

Dezembro trouxe-me novamente alegrias e a certeza que pessoas boas vão continuar a fazer parte da minha vida.
O último mês grávida de um filho relâmpago mas muito doce.
Quero acreditar que ele é o "mensageiro", que me vai mostrar que sair de gatas da cama, de madrugada, a gemer agarrada à barriga é o último patamar para alcançar o céu.

Terminas hoje 2016. E não te guardo saudades.
Ano bissexto. De profecias que se cumpriram.

Que eu saiba entender. Que eu saiba perdoar. Que eu saiba esquecer. Resoluções de ano novo? Sim. Eu.

Venha 2017!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Bebé José

Às 38 semanas de gravidez da Maria Rita, deixei aqui algumas das escolhas para a minha bebé menina.
Dizia eu, entre outras coisas, que ao segundo filho já não temos o impulso consumista, reciclamos mais e que a Maria Rita ia ter mais produtos personalizados.

Ainda não estamos nas 38 semanas de bebé José, e provavelmente nem lá vamos chegar (por decisão médica), ao terceiro filho o impulso consumista não é nenhum, as heranças são muito maiores mas os produtos personalizados não abundam!

(Mantém-se as fraldas libero para prematuro, ideal para os primeiros dias/semanas, toalhitas e perfume da Uriage, produtos de higiene da Bioderma, usados também pela Maria Rita, o pente, a escova e a tesoura das unhas da Chicco e o elemento novo: almofada de conforto To Be Touch)

(Não houve tempo para costurar uma forra nova para a alcofa que vai receber o sexto bebé, por isso voltámos à original Jacadi, branca e linda, como nova 13 anos e meio depois. 
O patinho do José é o pakonico da Imaginarium)

Complicou-se o facto de achar que não voltaria a ser mãe e por isso a função de "destralhar" ter sido o caos.

Depois tentar enfiar na mesma coelheira a indumentária de 3 crianças e de preferência que elas consigam lá dormir também. [Começo a achar que foi só por isto que tirei o curso de arquitetura, de outra forma tinha ido para gestão ou economia, tinha apenas um filho e sentia-me feliz a fazer o IVA e o IRS.]

Para ajudar na festa a babycoque partiu um dos encaixes da asa de transporte e neste momento não apresentava condições de segurança para ser usada por um bebé (vai dando uma perninha como cadeira auto quando é necessário usar noutro carro).
Acontece que a marca alterou os encaixes que fixam a babycoque ao chassi e o novo modelo não é compatível com tudo o resto que temos. Ainda tentei procurar modelos descontinuados em várias lojas, mas só consegui encontrar uma em tons de rosa e cinza. A fábrica só dava resposta em janeiro, com tempos de produção que podiam chegar aos 45 dias.
Como estava fora de questão comprar tudo novo, lá fomos nós ao OLX.

(Está em muito bom estado e até trazia tapa-pés)

(Também não houve grande tempo para personalizar as coisas pequenas. O saco para a primeira roupinha, desta vez comprado e bordado no dia de natal)

(A manta personalizada do José, tal como a da Maria Rita da wedoble)

As camisas de dormir para levar para a maternidade (que já tinha falado aqui) também não apareceram e começo a achar que a casa tem buracos [ou algum ladrão tem fetiches por roupa interior pouco sexy], por isso tive de comprar tudo novo. 

Estamos em contagem decrescente. E do terceiro, acho que nem fotografias às 37 semanas vai haver!  Fica para a próxima!!!! ;)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Natal é....

... é fechar os olhos e sentir o cheiro a pão-de-ló acabado de sair do forno;
... é estar em casa com quem quer estar connosco;
... é contar os minutos para a meia noite;
... é ver os sorrisos a espalharem-se, multiplicarem-se e gravar o som das gargalhadas na memória selectiva;
... é lombos de bacalhau, "rabanecos" (só para nós) e pão-de-ló a desfazer-se na colher;
... é abraçar como se fosse o último dia e beijar como quem acabou de chegar;
... é desejar ser eterno só para ver os bebés a transformarem-se em crianças, as crianças em adolescentes e os adolescentes em adultos bonitos e com personalidade forte;
... é esquecer as dores, envolver as feridas com antisséptico e encher a memória com sorrisos bons;
... é olhar para as luzes das árvores e guardar a luz de todos os que nos enchem de amor;
... é ver a vida a mudar, todos os anos, com ou sem tradições, mas ter o coração sempre a transbordar de amor, um amor imenso que se renova.

Neste Natal dou-vos aquilo que de melhor eu tenho.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

João

Hoje é o teu dia filho. 6 anos.

Como explicar-te a vida depois de ti, a vida contigo nos braços e o coração sempre cheio?

Hoje será verão nas nossas vidas, porque tu és o meu sol de inverno. És um astro maior que enche de luz todos os lugares por onde passa.

Mesmo nos dias em que me pões à prova. Que me deixas exausta e com o corpo a doer. Mesmo nos dias em que me pergunto se estou a fazer tudo bem, se és feliz e se vais ser um homem justo e bem resolvido.

Já te contei como foi, naquele dia 20 de dezembro de 2010. Que as quatro horas e quatro minutos o meu mundo parou arrastado pelo teu choro intenso. Eras tu. Era a vida. E a minha vida a renascer, como nos filmes.

Mesmo quando me chamas "chata", "má" ou "bruxa" (os adjetivos vão ficando mais intensos de ano para ano, estou a preparar-me para a adolescência, quando achares que te odeio), sou tua mãe. E mesmo depois destes momentos de afirmação abraças-me e eu sinto que és um menino bom. Um menino de luz que ainda não sabe que brilhar é apenas sorrir.

Um dia saberás que não precisas de mais, apenas de seres tu, porque tu és o nosso sol de inverno, e esse sol brilha muito, muito mais do que possas imaginar.

Já te tinha ensinado que tens um oceano nos olhos, por isso lembra-te sempre meu amor, não deixes nunca que a tua luz se apague, por nada e por ninguém!

Parabéns!!!!!

A mãe.
Joana

sábado, 17 de dezembro de 2016

Gratidão*

Por estes dias vivemos uma emoção muito grande e eu sinto-me eternamente grata.
Sinto que o Natal chegou mais cedo e encheu a minha vida (e não só) de luz.

No final de setembro, recebi uma mensagem da Ana, mãe da Beatriz, presidente da Associação de Pais e uma pessoa incrível, com uma força, uma energia, uma alegria. A Ana é daquelas pessoas que contagiam, que tudo o que faz é por bem, que corre, sorri e ainda dá 3 duplos mortais, tudo ao mesmo tempo. A Ana é uma menina doce, bonita e uma força da natureza.

Tive a sorte de as nossas vidas se terem cruzado. E a mensagem que a Ana me enviou no final de setembro, trazia um link para a notícia do lançamento do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Penafiel.

Eu li nas entrelinhas e disse-lhe "Ana, vamos a isto!".

E fomos. Tinha duas semanas para apresentar uma proposta que iria concorrer a 50.000€. E a proposta foi para a reabilitação do espaço exterior da escola primária dos nossos filhos.
Não foi fácil. Nessas duas semanas, sozinha, sem apoio e com a Maria Rita doente duas vezes. Numa delas com febres de 40° e o fantasma de uma infecção urinária que num pós-operatório lhe podia levar o rim que ficou.

Mas não desisti. Eram cerca de 100 crianças com as expectativas muito elevadas. E aquele recreio uma realidade possível, e à espera daquela proposta.
A proposta entrou da forma possível, porque não havia tempo para florir e colorir. E fomos aguardando e vencendo os passos seguintes até ao grande dia.

A palavra era sempre mobilizar, pelas crianças e pelo amor que lhes podemos transmitir. Sem guerras, nem fanatismos. Mesmo quando nos acusaram de querer o impossível.
Lutámos muito.

Entre doenças, dores e dramas pessoais, no dia 12 de Dezembro, na sessão pública de apresentação de resultados, levei o meu filho mais velho pela mão e o mais novo no ventre. Pintei a cara para não chorar e fui cheia de esperança que entre os vencedores estivesse a "nossa escola".

Guardo o abraço do meu filho, que foi agoirando até ao último minuto, um abraço demorado e ao ouvido um "ganhámos mãe, ganhámos!".
Naquelas palavras senti um alívio profundo de dever cumprido. Estive ainda por várias horas anestesiada. Sem saber se devia acreditar.

As notícias sucediam-se nas redes sociais e órgãos de comunicação social e eu fui acalmando o medo inconsciente que fosse mentira. Ganhámos.
Ganhámos filhos. Vocês ganharam uma escola com luz e cor, e mesmo que não seja para vocês, será para crianças, será para todos aqueles que acreditam que mesmo em dias de tempestade, o sol pode brilhar.

* Obrigada Ana por seres tão especial.
E obrigada à minha irmã, que sem ela e sem a sua inesgotável positividade eu não estaria aqui!!!!


domingo, 4 de dezembro de 2016

Por eles, sempre por eles...

Quando era criança e depois adolescente, nunca pensei muito como seria o meu futuro.
Às vezes naquele exercício que se faz de nos imaginarmos adultos, eu era sempre a formiguinha trabalhadora. Imaginava a casa que tinha, o trabalho que desempenhava dia e noite e pouco mais.

Nunca sonhei casar. Nunca me imaginei com filhos. E mesmo já em adulta quando me perguntavam "não sentes vontade [de ser mãe]?", encolhia os ombros. Só o senti quando fui tia pela terceira vez, quase com 30 anos [o relógio biológico não funciona em todos de maneira igual].

Mesmo não tendo sido o sonho de uma vida. Quando desejei ser mãe, lutei por cada conquista. E caramba não tive propriamente três gestações tranquilas. Tantos dramas, tantos fantasmas.

Estou preparada para o que vier. Em cada abraço dos meus filhos, sinto que nasci para os ter. Para que me ensinassem o que é o verdadeiro amor. Para que me mostrassem a vida nas mais pequenas coisas.
Com eles aprendi a respirar. Por eles sonho agora com a minha vida cheia de incertezas e uma vontade louca de viver só para os ver sorrir.

Neste momento a minha vida resume-se a isto. E não me arrependo de ter deixado a visão de infância, onde a formiguinha deu lugar a uma ave sempre com as crias no ninho e por perto, até fazerem uso das próprias asas e aprenderem a voar.

Quando eles deixarem de ser meus, e forem do mundo. Quando eles me quiserem apenas à distância de um telefonema, de um regresso a casa para um abraço e um arroz doce, eu quero estar lá, com o mesmo sorriso e a mesma persistência.

E com a certeza infinita que ser mãe fez de mim uma pessoa melhor.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Recomeçar

Há um dia que nos matam por dentro. Como no livro "Quando a mãe grita" em que o pequeno pinguim fica com o corpo partido e perdido no universo.

Depois com ajuda das minhas pessoas, corro o mundo a apanhar os pedaços de mim. Alguns continuam com buracos abertos. Cicatrizes imensas. Mas o corpo aparentemente junto, lá.

Hoje começa Dezembro. O João fala deste mês com uma alegria contagiante e a duplicar. "O mês do Natal e o mês dos meus anos".
Eu vivo na angústia de lhe querer dar o mundo e não me conseguir mexer, quanto mais pensar. Tenho uma festa para preparar com o homem aranha como patrono e o corpo a pedir paz.

A Maria Rita nas suas intercorrências víricas, a recuperar de uma bronquiolite. Já tivemos dias com temperaturas a 40° e banhos de água tépida para acalmar dores e medos. E temos todos os dias sinfonias de choro intenso. Comigo, sempre comigo. A minha filha colada a mim, e a chorar. E o corpo, o meu, a pedir paz.

O José, começou agora a revelar os seus segredos. Os fantasmas ali presos a um passado recente. Nos rapazes é mais comum mas menos grave e a minha esperança agarra-se apenas a estas certezas, que no coração de uma mãe (e na medicina) nunca são certezas. E o meu corpo, que é por enquanto o seu mundo, a pedir paz.

A medicação em SOS que começa a ser a fuga para dias mais tranquilos. As consultas e os exames que duplicam, que se sobrepõem a horários e doenças deles.

E a certeza, vamos sobreviver e contar como foi.

Disseram-me esta semana: "há as mulheres banais e há as super-mulheres!"

E eu desejei, por momentos, ser banal.

domingo, 20 de novembro de 2016

Unicórnios, grávidas e roupa interior

As camisas de dormir que levei para todos os partos, teimam em não aparecer. Tendo em conta que só são usadas para esse fim e como não equacionei mais partos depois da Maria Rita nascer, não sei o que lhes fiz.

Estando este ovo Kinder frágil e não querendo correr riscos, impõe-se que a mala esteja pronta com urgência. Principalmente a minha, porque se o José teimar em nascer antes do tempo não vai vestir os tamanhos de um bebé de termo que é o que tenho para lhe oferecer.

Hoje ao procurar roupa interior online, tropecei na colecção da Mr. Wonderful para Oysho. Emocionei-me. Isto foi desenhado para mim. Pena que o criador não se lembrou que estou prenha.

Às grávidas não ficam bem unicórnios pois não?

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Nunca fui princesa

Já me disseram que continuo a acreditar que posso salvar o mundo e que isso não é bom.

Recentemente ouvi que acredito que a vida é um conto de fadas, cor-de-rosa.

Eu até nem simpatizo com o cor-de-rosa, e nunca fui princesa. Fui perdendo vários sapatos ao longo da minha vida.
Nunca conheci um príncipe mas cheguei a andar num cavalo branco. Nessa altura não sabia ainda que os cavalos podem tomar a forma de ratos e os coches de abóboras.

Nunca fui princesa, nunca sonhei sê-lo. Devo ter sido princesa no mundo de alguém e muitas vezes tratada assim. Fui sempre bem resolvida e sonhadora.

A minha fé aumentou depois de ser mãe. Passei a acreditar que não conseguia mudar o mundo, mas que com amor tudo seria possível, até a cura.

Nunca fui princesa, e chamo a minha filha de boneca, quase nunca de princesa. Não quero que ela acredite em contos de fadas. Não quero que a minha filha tenha os olhos da cor do mar das caraíbas como o irmão, que fale espanhol e que dance música flamenga.
Gostava que fosse feliz, imensamente feliz, gostava que os irmãos a protegessem, e que um dia pudesse acreditar que o amor tudo cura.

Sempre fui lutadora e persistente, mas isso era quando acreditava que podia mudar o mundo. Depois a guerreira deu lugar à crente. Porque acreditar no amor não deve ser um defeito.

Acreditei e acredito que o amor possa curar a minha filha, que a doença que nasceu com ela possa ser passado. Sofro desde o dia em que o diagnóstico foi traçado e acredito que um dia ela vai ter orgulho nas cicatrizes que tem no corpo.

Nunca acreditei que vivia num conto de fadas, até porque a vida tem me deixado muitas pedras no caminho e eu não as guardo, porque sei que nenhum castelo pode ser erguido em lágrimas e sofrimento.

Nunca fui princesa. Quase nunca usei saltos altos. E mesmo no dia que podia ser princesa recusei usar véu.

Nunca pesei menos de 60 kgs, a não ser em criança. Aprendi a olhar o mundo nos olhos e a dar mais valor ao coração do que a aparência física.

Nunca fui princesa e recomecei muitas vezes, porque até a vida precisa de botão de reset. Nunca tive medo de mudanças, mesmo quando elas são repentinas.

A morte não me assusta, a minha. Vivo tranquila. Mas depois de ser mãe desejo continuar estar viva e ser o pilar dos meus filhos. Amar e cuidar deles como ninguém o saberá fazer.

Nunca fui princesa, mas tenho muitas saudades do tempo em que acreditava em borboletas, que me sentia livre e o mar me chegava para acalmar as dores.