sexta-feira, 23 de junho de 2017

Há dias

Há dias em que a vida se comprime, se estreita.
Há dias em que a vida nos grita e dá sermões.
Há dias em que a memória atrofia, se esquece o tempo bom e doce.
Há dias em que o suor nos consome e o calor nos desfaz.
Há dias em que as notícias nos desfazem por dentro, como bombas cheias de pólvora.
Há dias em que o frio nos paraliza, nos deixa com o tempo suspenso nos ponteiros do relógio.
Há dias em que nos esquecemos quem somos, quem fomos e quem queremos ser.
Há dias em que o vazio se torna um túnel, sem luz ao fundo, sem farol.
Há dias em que tudo nos aperta, nos tira o ar.
Há dias em que o arco-íris nos parece monocromático e as nuvens sempre densas.
Há dias em que o nó não se desfaz, que as manhãs são iguais às noites.
Há dias em que precisas de pensar para respirar, que perguntas ao teu corpo o que precisa mas já não ouves respostas.

Mas se olhares para dentro encontras sempre resposta. És e serás a tua solução mais eficaz. Tu és forte. Tu consegues.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Até os bichinhos gostam

Vejam como as férias me estão a fazer bem....

Até pareço mais alta não é? É muito bom ser saudável.

E ser mãe de 3 e estar nestes preparos? Uma afronta! 

Beijinho no ombro.

Instagram: @cocoloco_girl

#sonharfazbem #quaselá

segunda-feira, 12 de junho de 2017

José [5 meses]

José,

Fizeste 5 meses na sexta-feira, dia 9. Sim, uma mãozinha cheia de meses.
Infelizmente a última semana não foi fácil.
Não importa o quê, nem porquê. Não houve força nem vontade para bolo e velas. Não houve garra para cantar e bater palmas.

Sabes, tive curiosidade e fui espreitar como foi o 5° mês da tua maninha. Só mesmo para me inspirar. E constatei mais uma vez que vocês são irmãos muito diferentes, e que a vida nos ensina a ser e estar de forma diferente, também, na vida.

Tens uma personalidade intensa (signo capricórnio com ascendente carneiro.... é dose!), mas és o mais simpático dos bebés. Com um sorriso sempre pronto mesmo que a vontade seja chorar.
Gostas de segurar na nossa mão. E resistes imenso para dormir. Adoras os teus irmãos, mesmo quando a Maria Rita te lambusa de beijos e o João te sufoca de abraços.
Estás um grandalhão. Não sei qual a curva ou o percentil, nem me interessa, sei apenas que conquistas cada dia mais o teu espaço, o teu lugar nos nossos corações.

Às vezes sinto saudades de dormir, de sair sem horas, de fazer planos sem estar dependente da mama daqui a 3 horas, de beber uma sangria fresquinha e jantar sem pressa, mas já não saberia o que fazer sem o teu olhar, sem a canção em forma de lamento que usas para adormecer e sem esse sorriso desdentado que nos faz acreditar num mundo melhor.

Parabéns meu amor. Qualquer dia já estás na escola e nem demos pelo tempo passar.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

férias

Ontem foi o meu último dia de licença parental.

Hoje é oficialmente o meu primeiro dia de férias. E vou ter tudo o que tenho direito, como é óbvio...
[aquele é o meu barco e aquelas são as minhas companhias de viagem]


Não se preocupem, as crianças ficaram com o pai. 

Até já!

#sonharfazbem

sábado, 3 de junho de 2017

Varicela parte II

Exactamente duas semanas após o diagnóstico de varicela na Maria Rita, eis que aparece no.... José.

Sabem aqueles coisas hiper-mega-cientificas "até aos 6 meses têm imunidade da mãe", "é muito raro em bebés tão pequenos", "mesmo que tenham manifesta-se de forma menos grave"? Big fuck para a ciência e todas as suas excepções, que confirmam a regra.

O José está parece um Cristo. Cada hora que passa está ainda pior. E sabem, com 4 meses e sem conseguir ainda dizer que está desesperado, dá um aperto que nem vos conto.

Tenho o coração mirrado.


Nota de rodapé: para as inteligências saloias que me disseram "cuidado com o José" ao saberem da varicela da Maria Rita, pergunto: o que sugeriam? Que metesse a miúda em quarentena? Sozinha e sem ninguém ou ia eu com ela? Ah, já sei, metia o José numa redoma de vidro e só quebrava no caso dele aparentar estar em sufoco?
Ok. Chamem lá a Segurança Social, sou uma mãe de merda.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Conhecem alguém?

Tantos atentados. Tantos aviões a cair. Tantos acidentes em cadeia. Tantos casamentos que acabam com intoxicações alimentares. Tantos apêndices a rebentar. Tantas mortes súbitas.

E há pessoas que andam aí a meter nojo, a enfiar-se na boca do lobo e ninguém lhes tira a tosse?

Já mandei vir o autocarro com os super dragões.

É para uma amiga!

domingo, 28 de maio de 2017

Serenar

dois anos, aguardava o nascimento da Maria Rita. Nunca imaginei que por esta altura já seria mãe de 3 e que a minha vida se tivesse transformado tanto....

2016 foi um ano de ruptura. Em 2016 fui sacudida pelas guerras mais difíceis de ultrapassar, das dores mais intensas, das incertezas, dos golpes mais profundos.

Mas em 2016 também encontrei vida dentro de mim. Mesmo quando o meu corpo parecia estar em guerra e a gritar clemência.

É a isto que me agarro quando o coração bate descompassado, é isto que tento lembrar quando questiono tudo o que tenho passado e os caminhos que percorro, sempre sem trampolim, sempre a observar o abismo.

Quando em 2015 o meu filho maior me dava beijos na barriga com sabor a pôr-do-sol, eu era imensamente feliz. Uma mulher cheia de certezas, determinada e incapaz de baixar a guarda ou de ser humilhada.

Em 2017, o meu coração é todo um mar imenso e salgado. Há dias de tumulto, de tempestades intensas, em que a cabeça, em trovoada constante, perde o rumo e emite alertas em loopi. As gargalhadas multiplicarem-se por 3, a privação de sono é muito maior.

As minhas lutas internas são constantes. Mas tento todos os dias ser uma pessoa melhor.
Não sou a melhor mãe do mundo, como me dizem, sou a mãe possível perante o caos dos dias.

É provável que tudo isto melhore. É possível que o mar agitado e muitas vezes envolto numa espuma suja se transforme em águas calmas, límpidas e navegáveis. É possível. Eu acredito em mim.

Aprendi a respirar, a respeitar e a refazer.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Ai José, José

Ou regularizas de uma vez por todas o trânsito intestinal ou parece-me que isto vai correr mal.

Se uma Rita é dose, imagina duas Ritas, meu amor...

Quando a Maria Rita está muito calada e não se ouve um pio, é de estranhar. 

Encontrei-a no quarto a enfiar tubos de bebégel nos bonecos.

Será que ela se lembra?

domingo, 21 de maio de 2017

Substitutas*

Queridas candidatas a substitutas,

Hoje são para vocês as minhas palavras.
Há caminhos simples, directos, harmoniosos.
Há caminhos íngremes, suados, sofridos.
Há sorrisos que se conquistam porque se sentem, há lágrimas que se partilham porque o chão desabou.

Há sonhos que se constroem em areias movediças e desabam, até com um sopro leve. Até há quem parta dentes com uma simples bolacha de água e sal, daquelas que se desfazem na boca.

Não querendo tirar-vos o foco, e sabendo que normalmente o pacote vai completo,  tenho apenas a informar que a fasquia está elevadíssima.
Não há apenas uma cabeça com pernas a conquistar, há vários corações que sabem de cor a palavra mãe.

Estão preparadas para desbravar mato?


E para os candidatos a substitutos, as palavras são simples, cantadas e com sotaque.


Para as almas mais sensíveis, não quero que vos falte nada.


* Ocorreu-me uma palavra bem mais apropriada, mas não vos quero roubar as certezas.

sábado, 20 de maio de 2017

Ser mãe é não fazer planos

Assim, sem mas...
Não faças planos para a noite, porque eles podem não dormir.
Não faças planos para o fim-de-semana porque eles podem estar doentes.
Não faças planos para sair a horas de casa porque eles podem não colaborar.
Não faças planos para um passeio com gargalhadas porque eles podem estar cansados e fazer uma birra do tamanho de um camião.
Não faças planos. Não faças.

Ao terceiro deixei de fazer planos. Olho apenas para o calendário para ver as notas que se repetem: "João - almoço", "Maria Rita - ecografia", "José - vacinas" e isto a multiplicar.

Há meses piores, meses que se conjugam as consultas com os exames e com mil e uma actividades.

E há meses que a isto se juntam defeitos e feitios.

Tenho a Maria Rita com varicela. Está sol e calor e ela odeia estar fechada em casa.
Tenho o José com 4 meses, chato depois de 3 vacinas. Tenho de trazer comida para casa, porque as cenas acabam e é preciso repor.
Nem sempre é possível fugir. E já aprendi a não fazer planos.
A vida já me ensinou que a tenho de viver no fio da navalha, assim, sem saber o que será o jantar.

A vida já me ensinou que ser mãe é não fazer planos. Mas não me ensinou a matar fantasmas, monstros e meretrizes malabaristas.

A vida vai-me dando tempo para respirar com as gargalhadas dos meus filhos e fé para acreditar que os meus anticorpos vão proteger o José da varicela da irmã.

E quando mais nada resultar? Tenho o plano Z!

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Reviver

Isto foi escrito em Fevereiro de 2015, mas todos os anos repete-se. 



O João foi feliz, sim. O João está certamente bem. Mas na minha cabeça ecoam as sirenes. As manchas de sangue e o sabor dos vidros no corpo multiplicam-se.

Este mês recusei que a Maria Rita fosse a várias visitas de estudo, porque o meu coração não aguenta reviver estas memórias várias vezes por dia. 

Eu vivi na primeira pessoa aqueles dramas que achamos que só acontecem aos outros. Tinha 8 anos e gravado na pele cada segundo daquele acidente. Falta muito para as 18h?


sábado, 13 de maio de 2017

Oração

Ele entra na sala e vê-me de joelhos, com o bebé no sling.
As lágrimas percorriam uma estrada sem fim.
Ao mesmo tempo, na televisão os relatos de um povo unido pela fé, em oração pelos doentes.

Ajoelhou-se ao meu lado. Olhou para mim. Pousou a mão no meu joelho.

- mãe, o que está a acontecer na televisão?
- é o papa a orar pelos doentes.

[Silêncio]

- mãe, estás doente?
- estou.
- de quê?
- do coração.

Deu-me a mão e ficámos em silêncio...

quinta-feira, 11 de maio de 2017

José [4 meses]

José,

Passaram 4 meses desde que nasceste. Estás crescido filho.

Já gostas do mundo à tua volta. O sorriso é o teu cumprimento para a vida, mas os manos são a tua alegria.

Já te sentas na cadeira da papa, és um arrebitado. Os incisivos inferiores andam aí a chatear, mas não vou falar muito sobre isto, porque podem só aparecer lá para o natal e não vale a pena chatear as pessoas.

As tuas bochechas pedem beijos, meu amor, e é assim que quero que me lembres, a encher-te deste amor infinito que nem sempre se conta por palavras.

Quero acreditar que és um bebé feliz. Quero acreditar que a vida ainda tem muito para nos dar.

Temos atravessado tempestades de mão dada e em todos os abraços sinto que és um guerreiro, que me resgatas todos os dias de um poço muito fundo.

Obrigada, meu amor por estes quatro meses, em que me fizeste acreditar novamente no verbo amar.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Cartas de amor

Quem me lê sabe que escrevo por terapia. Quem me lê sabe que o fazia em papel desde que me lembro de escrever, não estou preocupada com o público, se usam saia ou calças, bigode ou moram na Rússia.

Gosto de cartas de amor. Sempre gostei.
Escrevi muitas. Recebi muito poucas. Talvez porque tenha sempre atraído para mim o oposto do que realmente sou.
Toda eu sou coração e quando a cabeça opera mais vezes que o coração, não sou eu, são os outros por mim.

Na semana passada encontrei alguém que me disse que estava cansada. Que a vida lhe estava a roubar as forças e que na maioria dos dias vestia o pijama, atava o robe e deixava-se estar, entregue a si, em casa. Vesti com​ ela o pijama e deixei-me estar. Cansada também de ouvir que "Só recebemos aquilo que conseguimos aguentar". Não. Recebemos na maioria das vezes o impossível e esquecemo-nos de dizer "obrigada" e "desculpa".

Sim, as coisas más também se agradecem, porque servem para nos fazer crescer ou para nos mostrar novos caminhos. E as desculpas evitam-se mas sabendo que já as fizemos, dizem-se vezes sem conta até o coração serenar.

Escrevo porque é aqui que me encontro. Que me liberto e me curo. Tenho estado mais ausente aqui, tento escrever noutros lados. É o reverso de ser "lida". Quando as dores são mais fortes e não queremos que nos vejam chorar temos de usar novamente o papel, o lápis e a borracha, temos de nos procurar, encontrar e amar. Temos de nos escrever cartas de amor.

Porque antes de amares o outro tens de te amar a ti. Sempre, sem mas. Sem afastamentos e sem lágrimas. Tens de te amar todos os dias. Diz que te amas, e que está tudo bem. Diz que não precisas de procurar o que tens dentro de ti.

Na semana passada o João escreveu uma carta para mim. Colocou num envelope, fechou e disse que era para eu abrir no dia da mãe.
Abri na sexta-feira, dia em que chegaram os dois da escola e me ofereceram as prendas, para abrir logo sem esperas.

Abri a carta do meu filho e percebi que era uma carta de amor. O João aprendeu a escrever agora. Dá erros e é trapalhão. O João escreveu-me uma carta de amor e eu senti o meu coração dilatar. Cheio de um amor profundo e puro.

Ali, encontrei-me em cada palavra. Em cada suspiro. Não foi um texto copiado do quadro, certinho e sem erros de português. Foi um texto que veio de dentro e que me fez recordar uma Joana com 6 anos e cheia de vontade de escrever cartas de amor com canetas coloridas.

Dizem que o amor não se agradece. As mesmas pessoas que dizem que as desculpas não se pedem, e que só recebemos na medida que conseguimos aguentar.

Hoje agradeço, agradeço o amor que cultivo diariamente no meu coração e que consigo transmitir ao meu filho para que ele possa crescer a escrever cartas de amor, sempre.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Dia do Livro

A propósito do Dia do Livro, a escola da Maria Rita, convidou os pais a irem ler uma história nas salas de 1 e 2 anos.
Hoje foi o nosso dia.

O livro que escolhi foi "Quando a mãe grita" já tinha falado dele aqui. Um livro do Plano Nacional de Leitura e que me pareceu adequado à faixa etária.

Ontem tinha experimentado com a Maria Rita e resultou muito bem. Mas a Maria Rita é uma criança diferente fora de casa, por isso até entrar na sala falou, brincou, dançou mas quando passou para o outro lado não abriu a boca e apenas sorriu​.

No final dançámos a música do pinguim do Panda e os Caricas, para descomprimir e aqui a Maria Rita ainda chegou a balançar​, mas nada muito exuberante como faz aqui em casa.

Foi muito giro.

Aqui foi antes da vergonha se apoderar dela.