sexta-feira, 28 de abril de 2017

Dia do Livro

A propósito do Dia do Livro, a escola da Maria Rita, convidou os pais a irem ler uma história nas salas de 1 e 2 anos.
Hoje foi o nosso dia.

O livro que escolhi foi "Quando a mãe grita" já tinha falado dele aqui. Um livro do Plano Nacional de Leitura e que me pareceu adequado à faixa etária.

Ontem tinha experimentado com a Maria Rita e resultou muito bem. Mas a Maria Rita é uma criança diferente fora de casa, por isso até entrar na sala falou, brincou, dançou mas quando passou para o outro lado não abriu a boca e apenas sorriu​.

No final dançámos a música do pinguim do Panda e os Caricas, para descomprimir e aqui a Maria Rita ainda chegou a balançar​, mas nada muito exuberante como faz aqui em casa.

Foi muito giro.

Aqui foi antes da vergonha se apoderar dela.

domingo, 23 de abril de 2017

Matem a super-mulher

A vida tem-me ensinado tanta coisa, e da pior maneira possível.
Temos pena, diriam alguns. Às vezes só aprendemos mesmo a dar com a cornadura na parede. Ossos do ofício.

Hoje de madrugada o meu filho José, com três meses apenas, enfiou um dedo no meu olho. Ensonada e cansada, a resistência à dor pareceu-me algo não possível de suportar. Ele continuava a mexer-se com alguma genica e eu sem poder gritar, lavar a cara e a observar o mundo apenas com um olho aberto.

As opções não eram muitas. Mas passou-me pela cabeça dar uma de super-mulher. E agora pensando melhor, vejo que tem sido a minha postura ao longo da vida.

Curiosamente, ontem no Facebook decidi fazer um jogo com o João, que tinha visto no perfil de uma colega. Copiei as perguntas e ouvi as respostas dele.

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Faça com seu filho/filha e veja o que ele te responde.

1- Qual o nome da tua mãe? Joana (esta era fácil)
2- Ela é gorda ou magra? Magra (achei estranho e perguntei se não havia engano, ele respondeu "já estás a ficar magra")
3- Alta ou baixa? Baixa (hesitou, mas em comparação com o pai lá conseguiu encontrar um padrão)
4- O que a mãe  gosta de comer? Pão (really?)
5- O que ela gosta de vestir? calças de ganga
6- Quantos anos a mãe tem? 37
7- Quantos kg ela tem? Não sei (nem precisa saber, mas o pai ensaiou dizer-lhe a verdade e ainda por cima uma verdade distorcida)
8- Qual o presente que gostavas de dar a ela? Um vestido (lá está uma coisa que eu não aprecio, mas se o filho gosta não vamos contrariar)
9- Quem a mãe ama? O Pai. E os avós mais a mim e aos manos. (Vou ter de inverter esta tendência)
10 - O que a mãe é? Uma super mãe (não está mau, mas foi aqui que a cabeça começou a dar voltas)
11- O que ela gosta de fazer? Cozinhar (já gostei mais, agora pagava para quem o fizesse por mim de forma saudável)

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Ao ler isto e tendo tido uma noite má, a única coisa que acho que está mal nas respostas do João é o "super mãe".

Porquê?

Porque nós não temos de ser super em nada. Em NADA. Custa-me que ele me veja assim. E talvez a culpa seja minha.
Há um ano atrás estava a passar por uma fase complicada a vários níveis. Pessoal, profissional, como mãe ainda sem saber como lidar com a doença da Maria Rita, sentimental ficando mais uma vez sozinha num relacionamento que se quer a dois e vivenciado, com uma enorme fragilidade física que culminou numa cirurgia de urgência e depois a gravidez não programada que seria a cereja no topo do bolo.
Mas no meio disto tudo, ainda plantei uma horta, sobrevivi à cirurgia da Maria Rita então com 13 meses (e comigo já grávida) e aguentei a gravidez até às 37 semana.
Dei conta do recado e ninguém me agradeceu por isso. Ninguém valorizou o meu esforço, ninguém me abraçou pelas noites em branco, ninguém me trouxe uma panela de sopa ou um tacho de arroz. Sobrevivi com o sorriso dos meus filhos. Mas isso não me dá o direito a rótulos.

Cansada de ser super. Cansada ainda mais que os meus filhos me vejam como super. Eu não quero ser super, quero ser apenas eu. Viver e ser feliz, se não for pedir muito.

Aprendi a não esperar nada dos outros. Pensando melhor, aprendi a recear o que vem dos outros. E já não me chega o sorriso dos meus filhos. Percebi que preciso de mais. Preciso de mim. Preciso de despejar o peso que trago às costas, sem pudor, sem medo, sem a pretensão de querer mudar o mundo e ser super.

Ser super é só alimentar a imagem da perfeição. Modalidades à parte, ninguém acredita na perfeição. Todos nós conhecemos aquela pessoa tão mas tão perfeita que estamos sempre a tentar perceber o segredo cabeludo que irá revelar afinal a grande besta por trás do coordeiro.

Já tenho reflectido sobre isto, não é de agora. Cada vez mais tenho a certeza que não quero ser super, como não quero ser uma grande cabra. Não é pela negação que procuro o equilíbrio é pelo meu bem-estar. E a partir de hoje e depois de sentir novamente o meu corpo ceder ao peso que carrego às costas, decidi que quero apenas ser feliz.

O problema de querermos fazer estas limpezas e seguirmos apenas o perfume que nos equilibra, é que no final percebemos que não temos mais espaço para o que nos magoa. E isso é bom.

Eu, com 20 anos, e ainda a ignorar o peso que iria suportar para a vida.]

quarta-feira, 19 de abril de 2017

É parecida com o pai

Quem me conhece sabe que eu não gosto que se fale disto.
Até gosto de comparar os irmãos. Faço fotografias com a mesma idade, visto com as mesmas roupas (em bebés) mas acho que cada um tem a sua essência.

Mas as perguntas repetem-se. Ou as afirmações. Depende.


[Em cima 1981/1982 Joana. Em baixo 2016/2017 Maria Rita]

E quando me perguntam de 5 em 5 minutos a quem a Maria Rita sai, a resposta é simples: ao pai. A Maria Rita é igual ao pai.

E em bebés, os 3 Jotas. Sem comentários.


[1980 Joana. 2011 João. 2017 José] 

Pouco me importa com quem eles se parecem. E não fico chateada quando as pessoas​ metem a cabeça no sepo e dizem que são iguais ao pai. Pouco me importa que questionem a paternidade, que disputem a covinha do José, os caracóis da Maria Rita ou os olhos azuis do João. O que quero é que os meus filhos sejam felizes. Tenho a certeza que são meus filhos. Por isso usem a criatividade. Façam montagens com o tio-avô zarolho e a prima em 5° grau que era manca. Chamem-lhe feios, ranhosos, usem adjectivos e palavras esdrúxulas, mas aos meus olhos e no meu coração os meus filhos são todos meus!!! 

terça-feira, 18 de abril de 2017

Coisas dele

Ontem ao jantar o João com um ar muito compenetrado disse-me:

João - sabes mãe, os avós são muito ricos.

Tínhamos passado a Páscoa lá em casa e eu pensei que fosse alguma coisa relacionada com amêndoas ou ovos de chocolate.

Eu - são? Porquê?

João - porque têm muita fruta em casa.

Oi? Como é? Há qualquer coisa a mudar cá em casa, tenho de mudar a fruteira de sítio. Ou será que o rapaz já está envolvido no processo apito dourado???

domingo, 16 de abril de 2017

Páscoa

Não sou grande fã desta época do ano. Nunca fui. Acho que já escrevi sobre isso por aqui, sem pudores.

Para mim o melhor da Páscoa é o terminar da quaresma, esse período em que parece que o mundo me cai em cima, uma e outra vez, descontroladamente.

A imagem de Cristo com a cruz às costas parece que se entranha em mim, e sinto que ando uns 40 dias a fugir aos buracos da vida com a alma ensanguentada.

Pois bem. Chegou ao fim a quaresma. Aleluia, aleluia, aleluia. 

Desejos de uma Páscoa feliz para.todos e que este período seja realmente de renovação.

Agora vão lá lambusar-se com pão-de-ló que isso é que é docinho!!!

[E se é para ser doce, que seja com este.mwu docinho maravilhoso!]

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Sugestões: mala de maternidade (mãe)

Estava há vários dias a preparar este post, a propósito de uma amiga grávida no terceiro trimestre. A ideia era fazer com que a lista mais ou menos oficial se transformasse na minha lista de sugestões para a mala de maternidade, afinal após 3 partos acho que a licenciatura está completa (pós-Bolonha, claro!).

A minha amiga entrou entretanto em trabalho de parto e a sua guerreira prematura, já faz poses cheias de estilo para a fotografia. Como sei que há por aí mais grávidas, aqui ficam as minhas dicas.

Mãe

- 3/4 camisas dormir com abertura à frente 
.também podem ser pijamas, mas todos os dias a equipa médica faz a ronda e vai ver como está a "coisa", ou seja o sítio por onde o bebé terá saído, se for cesariana as calças/calções do pijama podem ser desconfortáveis e não ajudar no local da sutura;

. é preferível ter mais uma ou duas de reserva, porque podem sujar com bolsados ou sangue e num pós-parto o sentir-se limpa é um bálsamo para a alma;

- sotiens de amamentação

- produtos de higiene pessoal 
. aqui costumo incluir sempre água termal para vaporizar a cara quando me dá os calores (para quem entra em trabalho de parto e tem de estar ali naquele processo de dilatação que todos sabemos e para quem sofre no pós-parto com comichão em todo lado e alergias à medicação é uma ajuda fundamental vaporizar as trombas e não esbofetear o pai da criança que vai estar a olhar para nós com cara de nabo a pensar que não somos normais);

. quem tem por hábito maquilhar-se no dia-a-dia levem um daqueles produtos milagrosos que uniformiza e dá brilho, vai ajudar na auto-estima;

. para quem não se produz e prefere estar mais confortável, levem qualquer coisa que vos faça sentir especial, nem que seja uma água de colónia muito levezinha e usada de forma discreta (não esquecer que há um recém-nascido bastante sensível a essas coisas);

- chinelos quarto e chinelos de banho

- robe 

- cuecas descartáveis
. eu optei pelas pants (nos dois últimos partos), para as primeiras horas pós-parto são fantásticas e um descanso, garantidamente sem fugas para as hemorragias mais intensas;

- cuecas normais
. subidas, daquelas cuecas como as nossas avós usam, até ao umbigo (para não fazerem pressão na zona de sutura no caso das cesarianas). Não é preciso usar as pants eternamente, até porque usar fralda não é o sonho de nenhuma mulher;

- pensos absorventes
. para usar com as cuecas normais, as hemorragias pós-parto podem durar vários dias;

- toalha de rosto e de banho
. principalmente para quem opta por hospitais públicos, são mesmo indispensáveis;

- carregador de telemóvel/máquinas fotográficas
. até podemos viver sem a máquina fotográfica xpto, mas sem telemóvel já é quase impossível;

- garrafas de água
. a hidratação é fundamental e normalmente a bebida nem faz parte do menu dos hospitais;

- snacks
. amamentar dá uma fome terrível, por isso optem por levar uns snacks mais saudáveis na mala e assim conseguem fugir à bolacha Maria que acompanha o chá na ceia;

- cinta de compressão pós-parto
. peçam opinião ao vosso médico(a), até porque há teorias que dizem que as cintas não ajudam às contrações próprias do útero no pós-parto e que em vez de ajudar, atrasam ainda mais a recuperação da mulher. Mas se tiverem intenção de usar, levem já na mala. No caso da cesariana pode ser uma protecção na zona da sutura nos primeiros dias. No meu caso, confesso que detesto usar esta cinta, acho desconfortável, sai do sítio e não é fácil de colocar sozinha, mas usei nos primeiros dias após alta médica, nos 3 partos, acima de tudo porque foram cesarianas;

- roupa para sair da maternidade
. roupa larga e descontraída, não pensem que vão fazer uma  lipoaspiração, é só um parto. Não conheço ninguém que tenha acabado de parir e fique com o corpo que tinha antes da gravidez, não sofram nem criem falsas expectativas. Haverá tempo para pensar nisso depois. Aqui há uma dica essencial, vai haver pessoas, algumas bem próximas, a dizer "ui vais ficar com essa barriga?" ou "tens a certeza que não ficou outro bebé lá dentro?", tentem respirar e não valorizar. Se for o pai da criança e se este for o vosso terceiro filho, têm moral para o mandar apanhar morangos para um acampamento gay!!!! Se for uma mulher que já tenha sido mãe é usar a frase mágica "uma pena que os espelhos não funcionem lá em casa!"

domingo, 9 de abril de 2017

José [3 meses]

Querido José,

Hoje comemoramos 3 meses de ti.
O mês que passou foi um pesadelo, e tanta coisa me passou pela cabeça. Tanta culpa acumulei, tantas lágrimas chorei ao ver-te sofrer...

Ainda antes de te ter nos braços, escrevi que ias nascer para me salvar, e às vezes acho que tudo isto é apenas um antisseptico para me limpar as feridas e não deixar que nenhuma infecção me consuma a alma.

Mudaste a nossa vida para sempre. Os teus manos continuam cada vez mais apaixonados por ti e tu já agradeces com o mais delicioso sorriso.

Mesmo que a vida não tenho botão de pausa, mesmo que o nosso dia-a-dia seja uma incerteza, mesmo que contigo nos braços tenha de viver no fio da navalha, não trocava o teu sorriso, o olhar que me segue, e os abraços que trocamos quando a vida nos continua a trocar as voltas.

Que os próximos meses possam ser de conquistas e que os sorrisos sejam mais prolongados do que as lágrimas.

Parabéns meu amor.

A mãe.

domingo, 2 de abril de 2017

Anúncio de emprego

Mesmo sabendo que uma mulher normal demora tanto tempo a recuperar o corpo que tinha antes da gravidez como o tempo de gestação, cansada de olhar para mim e ver uma mulher que não conheço, decidi entrar em acção.

Uma vez estou a amamentar um bebé ainda muito pequeno, não posso entrar em loucuras. Amamentando estou a dar todos os nutrientes que o meu filho precisa para crescer saudável, por isso a minha dieta não pode ter grandes restrições e deve ser equilibrada. Neste período o nosso corpo sofre um desgaste enorme. Para além do cansaço e da privação de sono, o que o corpo precisa gastar para se ajustar às necessidades bebé é extenuante.

Por tudo isto decidi procurar um especialista, que tendo em conta a minha idade, a minha condição física, o meu histórico de saúde e a minha rotina familiar, elaborou um plano alimentar.

Neste momento estou a estabelecer uma nova rotina de alimentação e a ensinar ao meu corpo um código para que ele o reconheça e possa queimar mais do que acumula.

Estou feliz por ter tomado esta decisão, mas acima de tudo por me sentir com energia para realizar as tarefas do dia-a-dia e não me sentir esgotada.

Nesta coisa da nutrição existem várias teorias, cada profissional tem a sua, mais ou menos válida, mediante as premissas que eles acreditam. Sei que há planos alimentares que se prevê a perda de peso de forma muito rápida, mas há privação de alimentos que são tão ou mais importantes como os outros.
Neste momento quero perder volume para depois começar com actividade física mais localizada e recuperar a rigidez. Sim que o corpo é elástico mas a força da gravidade tem o dom de acabar com o sonho de as ter no sítio.

Não encontrei o produto milagroso que o meu filho me quer impingir, mas acima de tudo quero gostar daquilo que vejo no espelho todos os dias.

Não esperem de mim um corpo esquelético e musculado como o que o meu filho sonha, porque não é o meu objectivo de vida. Nem esperem ver-me a correr maratonas por esse país e mundo fora. Aliás se me virem a correr fujam, fujam mesmo porque deve ser uma avalanche ou tsunami que vem atrás de mim.

Mas nestas coisas de planos alimentares há sempre alguma coisa que fica de fora, aquela coisa que tu gostas mesmo e até te ajuda a equilibrar o humor. Certo? 
Certo!

Aqui é que está o problema. Sempre que vou na rua e vejo a publicidade a qualquer coisa de origem vegetal (desculpem, só consigo focar esta parte) começo logo a hiperventilar.
Eu até nem morro de amores por manteiga, por isso excluir esta gordura foi fácil, mas preciso urgentemente de dois rapazes destes para me prepararem as refeições (no anúncio da televisão é o  rapaz que prepara as torradas).


O meu plano é o seguinte:
- elaborar dois turnos (período da manhã e período da tarde);
- os dois rapazes vão fazendo escalas diferentes, pode ser por semana ou por mês;
- devem pesar atentamente cada peça de fruta, cada fatia de pão;
- devem selecionar as frutas, hortaliças e legumes e lavá-los bem (ex: tomates, alfaces, morangos);
- preparar​ as refeições com tudo o que está previsto no meu plano alimentar, sem esquecer os frutos secos e a cevada;
- fazer-me feliz.

Em troca vão ter certamente aprendizagem, experiência de vida e espírito de sacrifício, que isto de andar a pesar a fruta e chegar à conclusão que só podes comer 6 uvas é de deixar qualquer um a salivar por mais. Remuneração compatível (que aqui não há escravidão).

Peço-vos é para se juntarem a mim e acabarem com os outdoors nas paragens de autocarro, nas portas dos hipermercados e em todos os semáforos das grandes cidades. Porque isto anda a dar-me cabo dos nervos, na semana passada, depois de passar por 3 seguidos ao entrar no pingo doce, até perdi a chave do carro.

Obrigada.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Felicidade

A felicidade não se diz,
vive-se, sente-se.

A felicidade não se dá, não se vende, não se encontra e não se procura.

A felicidade é um estado. Tal como o amor.

A felicidade pode sufocar, pode curar, pode roubar corações.

Mas para seres feliz é preciso acreditar. Confiar. É preciso entrega. É preciso ter o coração aberto sem feridas expostas.

Para seres feliz não desistas de ti, desiste dos outros, do que te faz mal. Desiste da dor e do sofrimento.

Para seres feliz permite-te viver, sorrir, sonhar, amar.

Para seres feliz ouve o teu coração, desliga-te do mundo, sente a tua respiração, a pulsação, o coração a bombear o sangue por cada artéria.

Para seres feliz não queiras menos, tens de querer tudo. Tens de querer por inteiro.

Para seres feliz tens de arrancar as ervas daninhas da tua vida. Mesmo que chova e elas voltem a invadir o teu coração. Limpa, limpa tudo, porque só assim a colheita será repleta de sorrisos.

domingo, 26 de março de 2017

Ok João, já percebi

Não conhecia esta faceta no meu filho João, sempre o considerei sincero e determinado. Adora praticar desporto e estar em movimento. Mas tanta preocupação com o corpo não lhe conhecia.

Este fim-de-semana a "conversa" voltou.
Ouviu uma conversa qualquer e perguntou onde é que eu ia.

Eu - a uma consulta.
Ele - ah, pensei que ias ao ginásio.
Eu - ao ginásio? Fazer o quê?
Ele - exercício, para ficares magra, o que havia de ser? Ou vais ficar sempre gorda?
Eu - [silêncio profundo e um pensamento sentido: "onde está o meu filho? Quem se apoderou do corpo dele com estas conversas?]

Nesta altura o pai decidiu meter-se na conversa e disse que nunca se chama gorda a uma mulher. Nunca, ouviste?

Eu reforcei: "sim filho, se tens amor à vida e não tens seguro dos dentes, o melhor é nunca repetires essa frase a uma mulher".

Também lhe expliquei que o que importa é o que está por dentro, o que está no coração. O corpo é só a embalagem do que as pessoas são na realidade.

Depois mostrei-lhe várias fotos minhas, quando era jovem e estava confortável com o meu peso. Sim, porque ele nunca me conheceu assim.
Ele abanou a cabeça. Continuava fora do "padrão" que ele tinha definido.
O pai fez uma pesquisa no Google e mostrou as opções. Ele escolheu.

Eu não gostei do resultado da escolha dele e só não consigo perceber​ onde vai buscar estas referências, porque não são o nosso dia-a-dia, nunca foram.

Vamos lá a isto?

sexta-feira, 24 de março de 2017

24 de Março

Tenho uma relação amor-ódio com este dia.
Não devia ser assim. Não devia ser esta a forma de o viver.
Não me consigo lembrar quando foi que o comecei a recear, talvez quando a vida me tirou pela primeira vez o tapete, tinha 19 anos e a minha irmã numa cama de hospital com a situação clínica muito critica.
Acho que nesse dia me condenei por estar viva e ser feliz. Acho que nesse dia recusei recordar este dia como algo bom.

Nos anos seguintes, pior do que saber que este dia existia no calendário, doía só de pensar que teria de o viver e obrigatoriamente me sentir feliz.

Comecei a suportá-lo melhor quando o João nasceu e principalmente quando começou a dar valor ao bolo, às velas e a cantar os parabéns enquanto batia palmas.

Sinto que quando a vida me é mais madrasta, não consigo processar tão bem o perfume da felicidade, algo se desfaz quando o sinto.

Hoje quero permitir-me viver, apenas. Sem que a obrigação da celebração me consuma as últimas forças.

Hoje vou encarar a vida de frente, com a  humildade e a honestidade que sempre me caracterizou.

Hoje não vou perguntar o porquê? Não vou tropeçar nas pedras que colecciono todos os dias.

Hoje recuso-me a sentir sorrisos falsos, presenças​ fingidas ou presentes envenenados. Porque sou importante de mais para me entregar a quem não sabe cuidar.

Este ano, nem as frésias vieram para a festa. Mas eu prometo que lhes vou procurar o perfume e permitir-me estar em paz comigo e feliz.

quarta-feira, 22 de março de 2017

3 é a conta certa

Nunca pensei ter 3 filhos. Nunca. E mesmo agora quando percebo que tenho mesmo esta malta toda saída do meu útero, fico confusa e penso que é mentira.

Acho que o facto do José ainda não andar a correr pela casa a chamar "mãe", faz prolongar a sensação do "será verdade?".

Sim é verdade, e cada vez mais me parece a conta certa.

Todos diferentes, todos me ensinam coisas diferentes e a ser uma mãe diferente.

Não é fácil. E há dias em que tudo parece muito cinzento. Em que uma simples ida à casa de banho pode ser o caos. Mas se sobrevives uma vez a probabilidade de sobreviveres nas próximas é enorme.

Praticamente com a mesma idade, os meus 3 filhos. Cada um com a sua essência, cada um com a sua capacidade de me fazer acreditar que consigo.

[Ouvi dizer que vai nevar aqui na zona nos próximos dias. Se me tentarem contactar e eu não responder, não levem a mal, provavelmente estou a voar por aí, à procura da Primavera]

sexta-feira, 17 de março de 2017

Obrigada

Na semana passada, depois do nosso mundo abalar, mais uma vez, pedi para nos incluírem nas vossas orações.

Sentia-me perdida.
Tinham passado 7 meses desde a cirurgia da Maria Rita, tinha sido novamente mãe há 2 meses, e sem que nada o fizesse prever as luzes voltaram a acender, no vermelho.

Costumo dizer que a minha fé tem aumentado, na proporção do número de filhos. Porque quando sentimos que já nada podemos fazer, entregamo-nos a algo maior.

Eu sei que não vou conseguir evitar sempre a dor dos meus filhos, mas acredito que posso fazer os possíveis para que sofram um pouco menos.

Foi isso que tentei nestes dias. O conforto. O José tem estado em sofrimento e isso é claro.

Ontem, uma semana depois, e já no hospital de S. João foi excluída definitivamente a cirurgia ao estômago. O José não está a 100% e sendo os sintomas patológicos vai ser seguido na consulta de gastroenterologia.

Quero agradecer do fundo do coração a todos os que se têm preocupado, a todos os que param na rua para nos confortar, agradecer as mensagens e telefonemas, os testemunhos, os beijos e abraços, os sorrisos e corações partilhados. Obrigada.


O caminho vai ser longo e o José pode demorar vários meses até estabilizar. Deixou de ser o meu bebé-paz, mas já me devolve os sorrisos mais deliciosos.

Quanto a mim. Preciso de descanso. Precisava de hibernar, uma semana talvez. Numa casa junto à praia, como nos filmes, desligada do mundo e por uns dias deixar de cuidar dos outros para cuidar de mim (já que é tão difícil quem o faça por mim).

segunda-feira, 13 de março de 2017

Uma barriga chamada amor*

Enquanto tentava vestir a Maria Rita, ela gritava, dava pontapés e ameaçava atirar-se abaixo do trocador. Nada de novo, birras e mau feitio são o nome do meio da minha filha. Mulher da cabeça aos pés.

O João vem a correr, e virado para a irmã de dedo no ar diz:
- mau mau Maria, não se bate numa mulher grávida.

Eu em pânico:
- João, a mãe já não está grávida.

João com ar muito indignado, como se eu não estivesse boa da cabeça:
- não? Mas podes estar. Já viste o tamanho da tua barriga? Olha, tu devias tomar uma coisa que dá na televisão.

Não argumentei. Os homens sabem mesmo como arrasar uma mulher.
Digam-me lá qual é a porcaria que anda a dar na televisão e como é que ele sabe disso, uma vez que em casa só vê canais infantis/juvenis?

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O José continua em vigilância. Obrigada por todo o carinho que nos tem sido transmitido.
Estamos novamente #àesperadeummilagre

* A barriga não tem só amor, tem muitas outras coisas, mas há que manter o foco no mais importante! 

sexta-feira, 10 de março de 2017

José [2 meses]

Querido José,

Ontem foi dia de comemorarmos o teu segundo mês de vida. Mas o que a vida tinha reservado para nós não era fácil de digerir.
Ao terceiro filho pensei que tudo seria mais fácil, que nada me fosse perturbar ou fazer questionar.
Mas estas últimas semanas foram uma prova de fogo que culminou num diagnóstico com palavrões do Atlas da Medicina.

Logo pela manhã demos entrada na urgência Pediátrica do Hospital de residência. Esperava-nos a nossa querida Pediatra (um anjo na terra!).
Depois de observado, foram pedidos uma bateria de exames. E a espera contigo nos braços e o nó na garganta.

Ao terceiro filho o nosso instinto está ainda mais apurado. Desvalorizamos o que não é para valorizar, mas conseguimos perceber quando algo de estranho está a entranhar-se. Não, não é normal um bebé se transformar de um dia para o outro sem que uma causa esteja lá. E estava.

Saímos do hospital com uma carta endereçada ao serviço de cirurgia pediátrica no hospital de S. João.
As indicações eram claras. O próximo vómito teríamos que ir directamente para o Hospital de S. João para ser operado ao estômago.

O dia estava quente, 27°C marcava o termometro, tão quente que evaporava as lágrimas que teimavam em cair.
Decidi que não me revoltava.

Percebi que o universo continua com uma mensagem que não estou a perceber. E só me apetece dizer "chega, vai chatear o c... o cão do Obama pá. Deixem-me estar, deixem estar os meus filhos. Deixem-me viver feliz e sem sombras".

A pediatra disse ao cirurgião que confiava plenamente nesta mãe que vos escreve. Ela diz que eu sei reconhecer melhor do que ninguém o agravamento do quadro clínico e que irei cumprir todas as indicações e protocolos. E por isso estamos a fazer a vigilância em casa.

Isto não é um elogio para mim, nem uma declaração abonatória para o curso de medicina por correspondência. Isto é um sofrimento terrível. Um sentimento de impotência, de incerteza e de confusão.
Entre o quarto e a cozinha esqueço-me o que vou fazer. Durmo sentada contigo ao colo, dou mama, tiro leite com a bomba, volto a dar mama. Avalio o vómito e os sinais vitais. As tuas dores, os teus gritos. A nossa dor José.

Estamos em 2017, tínhamos um pacto lembras-te? E tu és forte meu amor. Juntos passámos por muito, juntos vamos vencer.

Parabéns meu amor. Vamos continuar a acreditar em 2017? Simmmm.


Continuamos em vigilância. Desejem-nos tudo de bom e incluam o José nas vossas orações, pode ser? Com ou sem cirurgia o José precisa de ficar bem e mandar embora patologias com nomes feios (estenose pilórica com estase gástrica).