sábado, 25 de fevereiro de 2017

Carnaval 2017 - João

A escola do João participou, este ano, no desfile de escolas pelas ruas da cidade.
O desfile foi na sexta-feira de manhã. E que giro que foi. Pela primeira vez em 6 anos vi algum entusiasmo do João em vestir alguma coisa que não fosse a roupa habitual ou equipamento de futebol.

O tema da escola eram as estações do ano:
1.° ano - Primavera
2.° ano - Verão
3.° ano - Outono
4.° ano - Inverno

O João, era um lindo jardineiro a espalhar alegria num maravilhoso jardim. E se os rapazes estavam uma delícia, as meninas estavam fantásticas, uma explosão de cor e alegria. Tudo pensado ao pormenor, das flores aos sapatos.


Isto saiu tudo da cabeça da professora e foi tudo acontecendo durante Janeiro e Fevereiro, já depois do José nascer, por isso acompanhei de longe todo este processo, com muita pena minha não consegui colaborar, nem ajudar na realização das flores.
(Ao terceiro aprendi a delegar funções e acabou por ser o pai a ir à reunião, mas não o consegui convencer a ir fazer flores!).


Aqui a minha linda sobrinha Raquel, uma Fada do sol. Uma Deusa, toda ela luz e felicidade, cada dia que passa mais radiante.

O carnaval não acaba por aqui. A Maria Rita terá o seu dia de folia na segunda-feira.
E o que será que vai sair daqui?


O disfarce já está decidido e feito, mostro o resultado final quando a menina-furacão me deixar vesti-la a rigor, ou corremos o risco de ir mesmo de leggins e camisola que é o que ela veste no dia-a-dia.

Obrigada por me terem ajudado e motivado para o hand made, esteve quase para sair uma Elsa da prateleira do supermercado mais rasca!!!! É que isto de ser multitask quase aos 40 começa a revelar fragilidades. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Semáforos

Hoje lembrei-me de ti.

Hoje lembrei-me de ti. Talvez porque passei naquele largo onde jantámos pasta e te vi a devorar os grissini para não teres de me observar.

Hoje tudo me lembrava de ti. As ruas, os carros, os semáforos, até as músicas que tocavam na rádio.

Hoje lembrei-me de ti. Não sei quantos anos passaram desde que partiste mas recordo bem o ano em que morreste, em que o semáforo virou para vermelho e tu seguiste em frente sem pressa e ligeiramente a alucinar.

Hoje voltei a sentir-me leve e a interrogar-me. 

Hoje tentei parar o relógio e o calendário, inverter as regras e as certezas. Mas o semáforo voltou a mostrar-se irredutível. Sem fim.

Porque a vida é mesmo isto. 
Deixar a porta aberta, sacudir os trapos na janela, deixar o semáforo virar. Lembra-te, depois do vermelho está o verde, é só esperar. Esperar um tempo que nem sempre é o nosso, mas esperar.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Coisas dele

João e os músculos

O avô foi buscar o João à escola, nesse dia tinha tido educação física e como sempre vai tirando as camadas de roupa quando começa a ter calor.

João - avó, hoje na física quando tirei a camisola de fora, a camisola de dentro estava colada e também saiu.

Avô - ai sim? E depois?

João - olha fiquei com os músculos todos de fora. E os meus colegas ficaram todos a olhar e a rir. Até as meninas. Agora querem todas namorar comigo, porque elas gostam de homens com músculos para as proteger.

Filho, se usares os músculos para proteger as miúdas já dou como  realizada a minha missão de mãe!

[Vocês conhecem o cabedal impressionante do meu filho, não conhecem? Não? Eu mostro.]


***

João e a música erudita

Na sexta-feira chegou a casa muito feliz.

João - Mãe, o Bruno também sabe a música da cabritinha.

Eu - sabe? Qual é a música?

João - "eu gosto de mamar nos peitos da cabritinha, eu gosto de mamar nos peitos da cabritinha..."

[Sabes que tens um amigo para a vida quando descobres que ouvem e cantam as mesmas canções!]


***
Já participaram no Passatempo do quadro de nascimento?
***

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Carnaval

Está a chegar mais um carnaval.

Urra, urra. Gandaia, folia, copos e dançar até cair para o lado. É assim todos os anos... mas não é comigo.

Eu é mais fatos de carnaval para as crias. Sim que isto não é só parir. Depois é escravidão até eles se lembrarem de me trocarem por um(a) vadio(a) qualquer (meus ricos filhos).

Pois, este ano em modo família numerosa (falarei sobre isto um dia destes), comecei a pensar no tema já em cima do acontecimento (parecendo que não desovar no início de janeiro deixou-me sem tempo para maluqueiras).


Então, como o tempo abunda, fui excluindo competências:

1 - o João vai participar no desfile de escolas, por isso os fatos estão a ser feitos em conjunto e com toda a criatividade das professoras. O tema da escola dele é "As estações do ano", ao 1°. ano foi atribuída a Primavera e o meu macaquinho lindo vai a desfilar beleza e distribuir sorrisos e flores pelas ruas da cidade (obrigada à professora pelo empenho, só assim consegui desligar e não me sentir um monstro!)

2 - o José é pequeno para vadiagens. Quando muito pondero vestir-me de vaquinha mimosa e a ele de vitelinho mamão (isto é o nosso fato de todos os dias por isso não vai dar muito trabalho!).


Assim sendo tenho o fato da Maria Rita, que já anda toda feliz a trabalhar na escolinha e nas horas mortas a partilhar brinquedos com os amigos (lá será o dia em que vão ser charros).
Inicialmente pensei em vesti-la de ovo estrelado, mas o João quase que me bateu.


Bem, também não quero expor a miúda ao ridículo, voltei a puxar pela cabeça e lembrei-me que podia ir vestida de velhinha, mas a risota também não reuniu consenso.


Eh pá isto agora são muitos a pensar e poucos a fazer, mas o João insistia que tinha de ser qualquer coisa mais de menina. Que tinha de ser princesa. Expliquei-lhe que vamos ter muitos anos para levar com fatos de princesa (ou não), por enquanto eu queria quebrar essa tendência.

Como ela gosta muito da Minie, a quem chama "Mimi', pensei que não era preciso pensar muito, estava decidido. Vai de Minie, e para facilitar e tornar a miúda mais feminina era fazer uma saia em tule e uma bandolete com as orelhas. Está feito, pensei.

Mas ontem fui comprar o tule e não consegui decidir se fazia uma Minie de vermelho (a mais clássica) ou de cor-de-rosa. Por isso trouxe as duas cores. E agora olho para o tule vermelho e só penso que ficava a matar uma joaninha.

E agora?
Vou em frente na Minie, afinal até é uma ratinha querida e eu até chamo a Maria Rita de ratinha e fica tudo em família...
Ou
Alinho na joaninha, enquanto não entra no mundo encantado das princesas e a piroseira dos cor-de-rosa e pink-pirilau?

Ajudam-me?
Eu prometo que retribuo com fotografias.

(Maria Rita com a Mimi na camisola e já a inventar com o tule cor-de-rosa)

***
Já participaram no Passatempo do quadro de nascimento?
***

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Será que o subconsciente tem alarmes?

Esta noite tive um sonho. Metia confettis e serpentinas, mas foi um sonho demoníaco.

Não entrou o palhaço assassino, nesta curta metragem os intervenientes eram os mesmos que no ano passado por esta altura me puxavam o tapete. E eu que não sou especialista em trapézio sem rede tentava equilibrar a razão e a emoção e sem saber matava de vez a vontade de lutar.

Eu já durmo muito pouco e passei um fim-de-semana muito intenso a limpar cocós.
Por isso quando abri os olhos suspirei de alívio por ver o meu filho bebé a dormir tranquilo. Ele que também entrava no sonho e praticamente tinha sido engolido por gaitas, buzinas e papéis de muitas cores.

Depois de tentar racionalizar, juntei as peças, cruzei os dados (sinto que passei ao lado de uma grande carreira) e percebi que foi o subconsciente aos gritos em forma de alarme. E até conseguiu juntar na mesma curta metragem episódios diferentes, em anos distintos e com personagens que nem se conhecem (ah máquina inteligente!).

Por isso querido subconsciente tenho-te a dizer que agradeço a lembrança (qual facebook do meu cérebro), mas não escolheste um dia bom!


Já participaram no Passatempo do quadro de nascimento?  

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Passatempo quadro nascimento - o José está de parabéns!

O José completou um mês de vida e para comemorar temos um quadro de nascimento para oferecer.


características:
- moldura branca
- tamanho 25x25 cm com área de impressão 14x14 cm



O que precisam fazer para participar?


1. Fazer "gosto" na página do facebook do Ponto Jota

2. Fazer "gosto" na página do facebook da Maria Corrupio

3. Fazer "gosto" na publicação (esta) do passatempo publicada no facebook do Ponto Jota;

4. Partilhar a publicação do Passatempo no perfil pessoal de facebook, na opção público;

5. Preencher o formulário em baixo.

Participações válidas até à meia noite do dia 3 de Março. Os resultados serão apurados através de sorteio aleatório (random) e divulgados aqui.

* apenas uma participação por e-mail, válido para Portugal.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

É parecido com quem?

Eu gosto tanto desta pergunta que costumo responder "não é com os bichinhos do monte".

Mas há quem faça apostas sem perguntar.

Com o terceiro filho já é tudo suportável, desde as coisas que ouvimos na gravidez até aos comentários que ouvimos nos primeiros dias.

Quando me encostaram o José ao peito, ainda no bloco, olhei para ele e vi o João. Com alguns pormenores só dele, porque até os gémeos verdadeiros têm sinais que os diferenciam.

Quando a Maria Rita nasceu diziam que era muito parecida com o João, eu nunca achei. Aos 12 meses a Maria Rita fazia lembrar o João com a mesma idade? Sim, já estavam mais próximos, entretanto voltaram a ficar diferentes.
Mas os meus rapazes são realmente muito parecidos, assim recém-nascidos.

O José trazia uma covinha no queixo (e mais uma vez vão buscar este gene ao tetravô que falava russo e não olham, por exemplo, para a mãe....Ahahaha).
Para além do queixo tinha uma pápula (erupção esbranquiçada) na testa. Eu explico, uma espécie de espinha, uma borbulha branquinha. E a primeira coisa que pensei foi "ui, já com acne? Estou feita! Mais um na adolescência precoce!".

A verdade é que os meus rapazes são mesmo muito parecidos. Em tudo, até na pele sensível e já cheia de dermatites.

E pensando bem, não era eu que dizia que os rapazes eram as fatias de pão e a menina o docinho? Aqui estão eles nos primeiros dias de vida.


Nota: continuo a achar que cada um é um ser humano único. E para recordar também, eles mudam muito, mudam tanto que ainda pode ficar parecido com o leiteiro e depois é que vão ser elas!!! 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Porquê?

Porquê que os meus filhos só me querem a mim?
Porquê?

Ter bebés é muito difícil, por vários motivos, mas nos primeiros tempos acho que o pior de todos é a privação de sono e o choro.

O José é um bebé tranquilo, mas ainda não aprendeu que só pode mamar uma medida certa e que para além daquilo vai ser para deitar fora. Depois fica indisposto. E depois não consegue arrotar. E depois grita. E engole ar, muito ar. E depois tem dores e cólicas e gases. E depois grita para fazer cocó.

O José estreou então a parte do choro (acompanhado de dores).

Quanto à privação de sono, se já não é fácil amamentar um bebé recém-nascido de 3 em 3 horas, que em termos práticos se reflete, em média, 1 hora acordada (amamentar e fazer higiene) e 2 horas em descanso (se correr bem). Agora acrescentem andar com o bebé ao colo, em modo "ooooooo ooooooo ooooooo", massagens e embalo para aliviar as cólicas e os gritos.

Há noites em que chego a dormir uma boa meia hora.

E quando a somar a isto, os mais velhos se juntam à lambada? A dança é tão emocionante que às vezes até dá para tropeçar e trocar de camas e adormecer sentada num banco de plástico.

Quando a Maria Rita acorda durante a noite só quer a mãe. Não adianta se estou a dar de mamar ou em modo vegetal sem me conseguir mexer. É certo que se não for eu vai haver choro, gritos e a casa abana (juro).

Tenho muito sono. E preciso de silêncio, não só durante a noite. Sempre.

Tenho muito sono. E mesmo que durante o dia consiga esquecer a roupa que acumula, o descanso diurno nem sempre dá para repor as horas de sono em atraso.

Eu sei, tenho dois bebés pequenos. Mas temo que o meu cérebro se reforme compulsivamente por falta de oxigénio.

Porquê que os meus filhos só me querem a mim?

Sou uma ingrata. Tenho uns filhos maravilhosos. E o José é um anjo!

domingo, 29 de janeiro de 2017

Dias de chuva

Não sei muito bem quando te transformaste nesta pessoa amarga, ressentida e triste.

Não sei muito bem quando deixaste de viver para fazer sofrer, para teres prazer com as lágrimas e gritos de quem dizes amar.

Não sei muito bem quando permiti que o fizesses, quando calei para não falar, quando evitei chorar para me convencer que estava tudo bem.

Não sei muito bem quando deixei de sorrir de forma sincera, de acreditar que os sonhos são partilhados e que a vida se constrói com alicerces, com vigas e consolas, com janelas que  se abrem para deixar o sol entrar e portas que se fecham sempre, porque foram feitas apenas para passar.

Não sei muito bem quando recusei ser amada para ser apenas porto seguro, uma rocha forte que deixa crescer árvores e alguma vegetação rasteira, que se mistura com as ervas daninhas que continuam a existir na natureza.

Não sei muito bem quando tudo isto aconteceu. Desculpa. Estava demasiado cega a ver florir os girassóis do meu jardim. Estava demasiado tranquila a alimentar o amor puro e verdadeiro. Estava demasiado atenta a afastar o que não interessa do meu caminho. Estava imensamente feliz a percorrer os trilhos em que acredito serem os caminhos da verdade.

Essa verdade transparente que lutarei para ensinar e educar os meus filhos.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Ter bebés é muito difícil

Esta foi uma das frases que o meu filho maior me contemplou durante esta última gravidez: "ter bebés é muito difícil, não é mãe?".

Sim é. É tão delicioso como doloroso.
E quando há mais crianças e bebés em casa, então não é só difícil, às vezes é uma loucura pegada.

Entre o nascimento do João e da Maria Rita passaram 4 anos e meio. E tanta coisa mudou. Soube que o João tinha sido um bebé calmo quando a Maria Rita nasceu. E depois há aquelas coisas que mudam e te deixam confusa. Ainda na maternidade, após o nascimento da Maria Rita, diziam-me que o protocolo não aconselhava desinfectar/limpar o coto do umbigo com álcool, deveria ser usado apenas soro. E também não havia cotonetes próprios para bebés, que se usassem rolinhos de compressas.

No primeiro mês de vida a Maria Rita só chorava. Não me lembro de muito mais. Lembro-me que ela gritava dia e noite. Lembro-me de andar com ela pela casa fora encaixada em mim. Lembro-me de adormecer uns 15 ou 30 minutos de exaustão deitada no sofá pele com pele e ela agarrada às mamas.

"Ter bebés é muito difícil", principalmente quando eles choram e tu mudas a fralda, alimentas, embalas, dás colo, serves de colchão e porto de abrigo e eles continuam a chorar.
"Ter bebés é muito difícil" e é esta a imagem que certamente o João tem da irmã. Esta relação quase doentia comigo. Que meses mais tarde doeu muito mais na separação.

Quando o José nasceu, apesar de terem passado apenas 18 meses já estava preparada para tudo ter mudado novamente.
Tu queres ver que agora o protocolo manda dar banho com água da retrete da tina? E eu, ao terceiro, já estava a imaginar usar a mesma água e a mesma banheira para lavar os 3, a começar pelo mais novo e a terminar no mais velho já com a água quase fria.
Tu queres ver que o protocolo agora manda enfiar compressas no rabinho para não fazerem cocó? É que parecendo que não, aquilo é coisa para irritar a pele delicada do bebé.
Tu queres ver que agora o protocolo manda dar chá e bolachas porque a amamentação é uma cena muito perigosa que passa a porcaria o sabor dos alimentos que a mãe come para o leite e faz com que o bebé grite e faça cocó e vomite, entre outras coisas?

Desta vez o protocolo mandava dar banho ao bebé só com água até ao primeiro mês de vida.
É o chamado banho com "águinha de cú lavado do saco", como dizem os brasileiros.
Mas eu sou gaja para gostar de lavar bem as crianças. E cheirá-los depois do banho enquanto lhes chamo nomes fofinhos, tipo "gostosão" ou "docinho". Lavá-los com água da retrete da tina, ficam assim só a parecer gatos molhados com água da chuva que cai no vaso.

Por isso, se há para aí grávidas desse lado, não interessa se é a primeira ou a 12° gravidez. Estejam conscientes que vai mudar muita coisa e qualquer dia os bebés já saem do hospital em cuecas porque as fraldas são uma porcaria.

Nota:
Texto escrito com muita dose de ironia. Pessoas sensíveis não chamem já a comissão de protecção de menores em risco.
Eu sei que no meu tempo se usava besuntar os bebés em óleo de cozinha (ou óleo jonhson para quem tinha dinheiro) e depois polvilhar com pó de talco (ou farinha de trigo para quem morava fora das cidades). E o halibut (que  cheirava a peixe podre) até era usado nas bochechas quando as dermatites apertavam.
Mas agora, parece que os protocolos mudam de minuto em minuto.
[Esta sou eu no banho e depois já muito besuntada com óleo, à espera da farinha maisena, que a gente lá em casa era muita fina!!!] 

domingo, 22 de janeiro de 2017

Coisas dele

João enquanto fazia os trabalhos de casa, eu amamentava o José e o pai dava banho à Maria Rita.

Eu - sabes José, o mano já anda na escola e precisa de fazer trabalhos de casa.

João - mãe, quando os pequenitos estiverem na escola e se tu estiveres outra vez grávida*, não te preocupes, eu ajudo-os com os trabalhos de casa!

[Obrigada filho, era tudo o que eu precisava de ouvir agora. Então quando volto aos treinos?]


* Não adiantou dizer-lhe que não ia voltar a engravidar. Só não percebi se está em negação ou se já não acredita em mim.


sábado, 21 de janeiro de 2017

E os manos?

Somos oficialmente uma família numerosa. Temos 3 filhos. Todos com menos de 8 anos e dois deles com menos de 2 (ou seja fraldas é uma cena que se multiplica por aqui!).

[Muito bem, prometo não falar em cocó, até porque hoje queria só escrever sobre a reacção dos manos ao novo membro da família.]

E os manos?

Esta é a pergunta mais frequente. Ninguém pergunta como está o meu baixo ventre ou se o útero aguentou a tamanha crueldade (a minha claro). Saber como os mais velhos reagiram é uma curiosidade compreensível, até porque com uma miúda ainda pequena e traçada de camião-tir era de esperar uma cena digna de Hollywood.

Vamos lá aos factos:

O João adorou.
Fez algumas visitas ainda na maternidade, foi dos primeiros a conhecer o irmão a enchê-lo de beijos e amassos.
Parecendo que não, o rapaz passou por uma experiência recente com a chegada da irmã.
Tudo bem que agora já sabe o que é ter um bebé em casa, tudo bem que agora tem 6 anos e já se impõe na escolha do nome, tudo bem que nos últimos meses a sua vida passou de moderato a vivace, tudo bem que isto de ter de estar sentado das 9h às 17h a juntar letras (qual funcionário das finanças) é mais chato que ter a casa cheia de bebés aos gritos.
Em casa o João não me pareceu ter qualquer alteração emocional relevante. E o comportamento dele era o que já apresentava nas últimas semanas.
Fora de casa não tenho a certeza que esteja a ser igual, mas estou a dar-lhe tempo para voltar a confrontar-me com a realidade.


O João acha que este mano é o gémeo dele. É o gémeo que esperou 6 anos para nascer, e para arrancar dele as frases mais fofinhas de sempre.

A Maria Rita assumiu a postura de irmã do meio.
Não achei conveniente que ela fosse à maternidade. Primeiro porque tinha estado um pouco febril no fim-de-semana. Depois porque ia ver a mãe com o bebé e teria que ir embora de mãos a abanar (sem mãe, nem pai, nem bebé). Por isso deixei que a onda de choque a apanhasse num ambiente protegido, já em casa.
Estava cheia de saudades minhas (e eu dela, meu docinho!!!!), e quando viu o bebé até achou piada. Porque é um "Nenuco" que se mexe, chora e abre os olhos. O pior foi quando o "Nenuco" precisou de mamar.
Não vou contar pormenores, acho que a fotografia ilustra bem o estado de espírito da Maria Rita.
Aos poucos vai-se habituando à ideia. E acho que já está a reagir melhor. Interage e até é bastante carinhosa com o José. Mas os primeiros dias foram pautados pela agressividade e descontrolo emocional generalizado.

Depois da tempestade vem a bonança e sinto que os dois pequenos serão grandes amigos e que não vão viver um sem o outro.


O José gosta de maluqueira.
Já aprendi várias lições com este filho. Primeiro que não somos nós que mandamos na nossa vida. Fui escolhida, por ele e a missão foi bem clara. Tinha estabelecido algumas negociações com o José, ainda na barriga, uma delas era que se me queria como mãe, teria de colaborar para eu não enlouquecer. E o miúdo está cumpridor.
No dia em que chegamos a casa, quando os irmãos chegaram e correram para nós, o José fechou os olhos e suspirou, como quem diz "finalmente estou em casa!".
Ele sobrevive aos barulhos, aos berros, aos gritos, ao choro dos irmãos. Se estiver a chorar ao ouvir choro da Maria Rita cala-se imediatamente, como quem diz "os mais velhos estão primeiro".

É certo que ele já convivia com este cenário diariamente, embora no aconchego do útero, com o compasso dos batimentos cardíacos a servir de calmamente. Mas quando o circo está a pegar fogo, este miúdo parece que entende que tem de esperar, de serenar e acalmar. E eu agradeço do fundo do coração que assim seja, porque repartida já me sinto eu.

Quanto a mim. Ainda não acredito que tenho 3 crianças em casa e que consigo bater palmas de forma coordenada e sem me babar!!! Urrrraaaaa.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

José [09.01.17]

José,

Nasceste no dia 9 de Janeiro de 2017. Num dia bonito de inverno. No Piso 4 do CMIN, deitada na cama que nos levava ao bloco, enquanto esperávamos pelo elevador. O céu limpo, a ponte da Arrábida como cenário e o mar a encher o horizonte.

Dia 9 de Janeiro José, 40 anos antes, ali ao lado no Hospital de St. António, a tua titi e madrinha soltava o primeiro grito e começava a multiplicar o seu amor com todos aqueles com quem se cruzava.

Estava a ser tudo muito rápido. Sem tempo para pensar ou digerir. Sem pressas e sem compassos de espera. O Dr. Vítor, chefe de equipa de urgência desse dia, esticou a mão para me dar 5 e dizer que ia correr bem, não era o momento para correr riscos.

Em casa os manos mais velhos continuavam os seus dias sem saber que as nossas vidas estavam prestes a mudar para sempre. 

Desta vez a lei do nosso país deixou o pai entrar no bloco, vestido a rigor e de máscara. Ouvimos juntos o teu primeiro choro, olhámos para ti ao mesmo tempo, quando te trouxeram para junto do meu peito.

Às 11h27 ouviu-se "nasceu" e o relógio parou. Um choro grosso ecoou.
Ali estavas tu, pequeno e perfeito. Covinha no queixo e os olhos sempre fechados.

Fizeste o teu primeiro xixi enquanto te limpavam, pesavam e mediam. Bom peso para as tuas 37 semanas de gestação.

A brincar, dizia que serias preto de carapinha loira. Pouco importava meu amor, mas quando olhei para ti, achei que serias mais parecido com o teu mano João.

Meia hora depois do nosso primeiro beijo já estavas a mamar e eu com colostro para um regimento de bebés*.

Não há nenhum filho igual, não há nenhum parto igual. Desta vez José, senti-me por instantes do outro lado, mas não digas a ninguém. Consegui voltar, dizer "não estou bem", a medicação a entrar no cateter da epidural, os espasmos a percorrer-me o corpo.
Sobrevivi. Sobrevivemos. Foram 37 semanas muito loucas meu amor, mas agora é que a vida começou. Em stereo e blu-ray, numa velocidade estonteante e perigosa.

Juntos vamos construir um império, acredita.


* que belo mito, esse das cesarianas não proporcionarem a amamentação eficaz na primeira hora de vida!!!

Fica para breve a reacção dos manos e o meu susto pós-parto (quando recuperar a 100%).

>> O dia em que o João nasceu

>> O dia em que a Maria Rita nasceu

domingo, 8 de janeiro de 2017

7 Maio - 7 Janeiro

José,

Apesar das contas dos médicos, és o único filho que sei de cor a data em que foste feito.
7 de Maio. 7 de Janeiro completamos as 37 semanas (nas minhas contas).

Cada dia que passa é uma conquista. E nesta nossa caminhada há muitos números 7.

Quero que saibas, que aconteça o que acontecer, nestes 8 meses, fui para ti a mãe que consegui ser. Nem sempre fresca, nem sempre feliz. Quase sempre sozinha e com o mundo às costas. Mas a tua mãe. 

Falta pouco para nos abraçarmos e não queria deixar-te sem as fotografias de família, que conseguimos tirar, apesar de todas as ameaças.

Sei que em breve bastará um olhar para sentirmos e comunicarmos e que a loucura dos dias será o cenário perfeito para crescermos. Mas acredito que eras a peça do puzzle que faltava para encerrar um capítulo. 

Sê forte e corajoso, meu patinho.

Beijo,
a mãe




sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Maria Rita [18 meses]

18 meses de menina doce, doce e forte.
Nos últimos meses foi ganhando asas, está mais desinibida, menos envergonhada fora do ambiente familiar. Interage e responde com sorrisos, fala muito e domina a parte motora (nenhum caminho é obstáculo, mesmo que tenha barreiras).
É bem disposta, refilona, atenta, intensa. Já bate no irmão sem dó nem piedade (um dia desta semana acertou-lhe com uma lata de atum na testa e eu temi o pior. Felizmente o João optou pelos 5 minutos de vítima melodramática e foi mais fácil resolver a questão).
Em casa não há quem a pare. Arrasta bancos e cadeiras, coloca brinquedos mais robustos de forma estratégica para poder trepar e chegar onde quer. Tem uma destreza bestial e quando está muito calada o melhor é ver rápido, porque pode já estar em cima de uma mesa ou móvel alto a atirar-se de cabeça para o sofá.
Aprendeu que atirar-se de um sofá para outro dá muita adrenalina, mas ainda não entendeu que quando cai se magoa e faz hematomas.
Adora jogar à bola e grita "golooooo". Os carros telecomandados do irmão também fazem muito sucesso nas mãos dela (o pior é quando o João vê).
Diz pai e mãe em todas as variantes (pai, papa e papai, mãe, mamã e mamãe). E quando chama é em looping.
É maluca por sapatos. Quando acorda a primeira coisa que faz é pegar nos sapatos dela e pedir para alguém os calçar. Se forem novos é o delírio, com sorrisos, gritos histéricos, não desiste até os calçar e não os larga nem para dormir (faz lembrar a mãe que quis dormir com as suas colibri - sandálias dos anos 80 - novas!)
Adora a escola. Fica tão contente que corre para a sala ou atira-se para os braços de educadoras e auxiliares de forma arrebatadora.
Ontem foi dia de consulta e vacina dos 18 meses. Pela primeira vez não chorou quando foi picada e nem disse um ai. Agora que estava a adaptar-se acabaram as vacinas do PNV (só tem novamente aos 5 anos).
No final da consulta despediu-se com sorrisos e abraços da enfermeira e do médico. E quando me viu a apertar a mão do médico, voltou para trás para fazer igual.
O médico, que não era o nosso médico de família, mas um médico novo e no início de carreira esboçou um sorriso e disse "que bonita, que simpática, és uma bebé feliz, muito feliz!".
E para mim, longe de qualquer percentil ou doença física, este é o maior veredicto que podia ouvir. Ter filhos felizes. Saber que aconteça o que acontecer vão ter dentro deles reservas de afectos para os ajudar a viver.
O meu docinho já tem 18 meses, um ano e meio de muitas emoções. De longas caminhadas e percursos sinuosos. Mas com muitos sorrisos, abraços e gargalhadas.
Maria Rita, estás prestes a ser a irmã do meio, (para além de ser o nome de uma série do Disney Channel) esta é uma missão muito importante que sei que vais superar.