quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O lenço que vai na mão

Os meses passam a uma velocidade estonteante.
Às vezes nem dou conta que as semanas passam. Entre bichos embrenhados em gargantas e micróbios misturados com muco nasal. Uma espécie de festa de inverno que começa sem ninguém dar conta e mesmo quando todos já foram embora continuam a fazer barulho com tosses intermináveis.
As mães não têm permissão para ceder o corpo a ressacas. Mesmo que a festa aconteça no seu próprio corpo. Mesmo que não tenhas força para reagir ou parar ou falta de energia para raciocinar se quer.
Os dias de chuva e vento parecem um deserto interminável. Os dias de sol vêm para aquecer a alma e respirar.
Olho para o horizonte e imagino o mar. Os salpicos que agitam a mente e fazem acreditar num futuro.
Mas depois aterro entre montes e pesadelos. Coisas estranhas, sempre contra-natura. Não devia ser assim. Não tem de ser assim.
Mas nesta dança, não podes olhar para trás. Porque como diz o jogo infantil do lenço que vai na mão: "quem olhar para trás leva um grande Safadão"!

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Incrível

As hormonas são incríveis. Ou melhor, ser mãe é incrível! Talvez não sejam todas assim. Mas eu acredito que há algo de transversal a quase todas.

Esta noite dormi muito mal, por causa do meu filho bebé (deixem-me chamar assim para parecer um bocadinho mais meu!).

Não sei o que tinha, o leitor de código de barras não estava a funcionar, só sei que chorou, muito. Acordou a irmã e esteve horas entre choro, grito, e dar aos pés e às mãos com muita violência.

Mas de manhã, o Google fotos mostrou-me lembranças de há dois anos e esqueci tudo. A dor de cabeça ainda cá está, mas o cheiro bom do recém-nascido entranhou-se em mim e ficou a pairar no ar.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

José [2 anos]

O meu bebé já tem dois anos. O meu bebé cada vez é menos bebé e eu tenho tantas saudades de o ter pequenino nos meus braços. Só meu.
O meu bebé fala pelos cotovelos, foi de repente. Diz que é o "Zezé", e para além da "mamã" que era a única coisa entendível que repetia em pé de igualdade com "cocó" (galinha), chama a "mana" e o "oão" (João), "papá", "vó", "bú", "titi", "quel" (Raquel), "kikika" (chama assim tudo o que é gatos porque é a mistura entre Fifi e Kika, as nossas). "Cão" "acaca" (macaco), "carro", "pão", "anana" (tudo o que é fruta, seja banana ou outra fruta qualquer), "golo", "bola", "pôto" (porto), "pôta" (porta), "nóm" (não), "queio" (quero), entre outras palavras que fazem parte do dicionário dele.
Também diz o nome de todos os amigos da escola, educadora e auxiliares.
É bem disposto e divertido. Para nos desafiar tem sempre um sorriso malandro apontado para nos tentar seduzir.
Adora animais, não há medo nem temor e é bonito ver como interagem.
Este filho, que nasceu para me salvar, o único que não foi planeado, mas que foi a minha bolha de oxigénio num dos períodos mais difíceis da minha vida.
Dá uns abraços maravilhosos. Consegue ser meigo e ao mesmo tempo duro e com uma mão muito lampeira.
Não consigo imaginar a minha vida sem ele. E quase já não recordo os momentos maus que passámos juntos. Pressinto que é dessa memória que até hoje adormece de mão dada e que durante o sono procura companhia, sempre. E eu entendo, dou-lhe o tempo que precisar para que saiba que vou estar sempre aqui, para ele.
Obrigado meu Zé, és a minha cereja no topo do bolo. Parabéns, meu amor!

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Chegou 2019

Em 2018 não estive muito presente por aqui.
Tive menos vontade de falar e menos necessidade de escrever.
Publiquei muito menos texto do que fotografias.
Em 2018 tive momentos mais tranquilos, na cabeça, porque o corpo não teve descanso.
Em 2018 fui feliz. Não sempre, mas sempre também não é possível.
Em 2018 tive vontade de acreditar, de sonhar, de ver as imagens a transformarem-se em sequências bonitas.
Em 2018 recebi boas notícias, e alguns sustos. Vi o meu filho pequeno a voar por uma escada abaixo a alta velocidade e a minha filha de cabeça aberta a ser cozida.
Vi o mais velho a ter comportamentos que me deixaram envergonhada e com receio de não estar a fazer um bom trabalho, mas no final tudo se resume a deixar o amor agir e fazer o seu trabalho.

2019 chegou de mansinho. Trouxe vinho branco a acompanhar o bacalhau, a banda sonora de sempre (OMG) e abraços apertados. Que este ano possa ser tão bom como anterior.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Natal 2018

Porque o Natal é deles e para eles... Feliz Natal da família Silva Coelho!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

João [8 anos]

Está crescido. Mais responsável. Com um vocabulário muito interessante (com exceção dos palavrões que faço de conta que não ouço). É bom ter uma conversa com ele, mas cansa ter de explicar tudo até ao átomo.
É lutador, inteligente e super engraçado.
Continuo a explicar-lhe vezes sem conta que mais vale cair em graça do que ser engraçado, diz a burra velha quase aos 40. Mas ele, no alto dos seus 8 anos continua a querer ser palhaço, palhacinho e palhacete!
Nada a fazer. E este amor que parece que sufoca continua a crescer.
Parabéns meu amor.

domingo, 25 de novembro de 2018

A vida ensinou-me a perder

Perdi a capacidade de chorar. Perdi a capacidade de acreditar nas pessoas. Perdi a capacidade de me revoltar com a vida.
Perdi a capacidade de querer entender as coisas, as motivações, as ausências ou as perdas.
Mais do que tristeza sinto cansaço. Um cansaço que se entranha.

Tento libertar tudo aquilo em que ainda sonho. Vou criando, aqui e ali, barreiras para não me perder ainda mais.

Porque já sei as respostas, deixei de acreditar nas perguntas. Porque a desilusão é sempre certa, afasto-me cada vez mais de tudo aquilo que me faz sofrer.
A vida não se resolve sozinha, reorganiza-se. Há os que colocam pontos finais, há os que preferem vírgulas.

E nesta tese, que a vida nos ensina a escrever, ninguém ganha, todos perdem. Com mais ou menos turbulência.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Novembro na eira, chuva no sótão

Chegou novembro. Aprendi a ter um ódio de estimação a este mês. Tento, no meio da angústia, encontrar o sol, mas novembro traz chuva no sótão.

Imune a borboletas na barriga, a anéis nos dedos, a promessas para a vida toda. Novembro pinta de sangue tudo aquilo em que toca. 

Recordo dias bons, chegadas, sorrisos, esperanças. Junto tudo de bom para construir uma teia que me proteja.

Mas se há novembro na eira há chuva no sótão.

domingo, 14 de outubro de 2018

José [21 meses]

José,

digo várias vezes que nasceste para me salvar, mas és tu, meu filho relâmpago, que me pões todos os dias à prova.

Quando comes sem parar, e comes 3 pequenos-almoços enquanto nós comemos um.

Quando rebentas grades e voas pela escada aos trambolhões.

Quando trepas mesas, cadeiras, móveis, degraus ou o parapeito da janela.

Quando dizes "não" mesmo quando queres dizer "sim".

Quando bates e mordes e te atiras para o chão quando és contrariado ou só porque sim.

Quando me dás abraços apertados e me chamas "mamâm".

Quando acordas para a alvorada por volta das 6h30/7h, todos os dias.

Quando apontas para a garrafa de azeite e gritas "cocóó" porque vês um galo.

Quando pegas na minha mão para adormecer e a encostas na tua cara.

Quando eu ralho contigo e dás gargalhadas.

Quando apanhas o portão aberto e começas a correr pela estrada fora como se fosse acabar o mundo.

Quando és destemido com gatos, cães, galinhas e tudo o que é bicharada. Porque mesmo que meta respeito nada te faz frente.

És tu meu filho furacão que me pões todos os dias à prova, mesmo antes destes 21 meses, sempre de coração nas mãos.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Olá Setembro, adeus verão!

Passaram dois meses. Dois meses intensos que não consegui passar por aqui, nem para dizer olá.
Dois meses em que estive ora com um, ora com todos, ora com dois. Entre cansaço e descanso, entre sorrisos e beijos salgados. Entre gritos e desmaios. Foram dois meses intensos.

O que ficou? Ficaram os mergulhos na piscina, o nosso jardim tal e qual como sonhámos e a nossa praia gravada no coração.

sábado, 21 de julho de 2018

De parar o trânsito

Quando saímos todos juntos, é costume ficar tudo parado a olhar para nós.
Alguns aproveitam mesmo para falar, para meter conversa com os miúdos ou fazer perguntas.
"São todos seus?", "Que idade têm?", "A senhora trabalha?", "Como é ter 3 filhos?" - são algumas das perguntas. Há dias que respondo com normalidade e com algum humor à mistura para tentar não enlouquecer. Mas há outros que já estou no meu limite e ao ouvir perguntas só me apetece dizer "e se estivesse calada e me ajudasse a segurar as crianças?"

Eu já estive desse lado. Do lado em que olhava para uma mãe a arrastar 3 crianças e pensava "coitada, Deus me livre!". Mas as pessoas esquecem-se facilmente que nem tudo é o que parece, que nem tudo pode ser perguntado e nem tudo pode ser respondido.

É como aquela pergunta básica após o nascimento de um bebé "como está a correr?", resposta: "maravilha". Na verdade ninguém quer saber pormenores, ou querem, as pessoas querem é conversar.

Para além do lado prático e lindinho de matchy-matchy (é assim em linguagem queque, não é?) percebi que vesti-los a todos de igual pode ser uma mais valia.

1 - toda a gente percebe que são da mesma equipa. São irmãos.
2 - se algum se afastar da ninhada é fácil perceber onde está o rebanho e devolver a cria ao remetente.
3 - não precisas pensar muito "o que é que lhes vou vestir", porque a probabilidade é quando terminares de fazer as compras estarem sujos, molhados, transpirados ou com xixi até ao pescoço.
4 - evitamos perguntas, as pessoas passam e sorriem ou quando muito soltam exclamações "que engraçados", "a minha neta é igual."
5 - com um pouco de sorte eles também se vão sentir parte da equipa e olhar uns pelos outros.

sábado, 7 de julho de 2018

Maria Rita - 3 anos

A Maria Rita fez 3 anos. 3 anos?
O meu docinho cresceu. Fala pelos cotovelos, desfraldou, é muito autónoma, desenrascada.
Um doce furacão.

A minha princesa, só filha-da-mãe, está crescida e vai ser finalista (da creche, ufa). É engraçada, bem disposta, risonha.

É muito menina, a nossa menina. Gosta de cor-de-rosa, é histérica e pinderica. É muito gráfica, muito exigente, simples e requintada. É mulher.

A Maria Rita fez 3 anos e choveu. Depois acalmou e cantamos os parabéns no jardim. Com o bolo de princesa e as nossas pessoas por perto. O resto não importa, não importa mesmo!

[O bolo para a escola, princesa cor-de-rosa. Estava tão feliz!!!]

[As lembranças para os amigos da escola da @mariacorrupio]

segunda-feira, 25 de junho de 2018

O mais difícil

O mais difícil de ser mãe de três crianças tão pequenas são as birras.


Tive um post escrito com vários parágrafos sobre o tema. Mas evaporou-se e a minha sanidade mental não me permite escrever tudo novamente. Fica a imagem que fala um pouco por si.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Desculpa

Há pessoas que têm o dom de não saber pedir desculpa, de não saber comprometer-se, de não saber ser feliz, de não saber respeitar, de não saber relativizar, de não saber valorizar-se.

Há pessoas que acordam tarde para o que é realmente importante na vida. Mas há outros que nunca acordam.

E se alguns levam jeito para fazer de robot de cozinha, daqueles que picam, misturam, batem e cozem, transformando  umas lascas de cogumelos num rissoto de ir às lágrimas...há outros que nem para descascador de legumes servem. Vão usando a mangueira, mais para apagar o seu fogo do que o dos outros, e aumentando circunstancialmente o flagelo dos incêndios pelo país.

Hoje o João perguntou-me "mãe, quando se namora é preciso pedir desculpa?"

Claro que é João. Principalmente quando se namora, é preciso pedir desculpa. Sempre.

Não é o pedir de desculpa sem sentido, sem ter realmente ferido o outro. Na verdade o pedir desculpa é um acto de empatia. Precisamos de nos colocar no lugar do outro para sentir. Para perceber que ninguém gosta de ser um mero tapete que esconde o lixo de um mundo inteiro.

Pedir desculpa não pode ser um acto banal, que possamos tirar da algibeira as frases feitas como "as desculpas não se pedem, evitam-se". Pedir desculpa é como o obrigado. Dizemos "obrigado" não para agradecer o café que nos foi servido gentilmente, mas para demonstrar gratidão, um sentimento que nos faz ser maior.

Este é o segredo João, não peças desculpa por existires, por gostares de futebol ou por teres uns olhos de sonho. Pede desculpa quando ferires alguém, como não gostarias que o fizessem contigo.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Só muda o cheiro

Já dizia esse grande filósofo " a m... é toda a mesma, só muda o cheiro". Não tenham ilusões.

Ontem passei a manhã na sala de espera da segurança social, que de todas as salas de espera é a mais rica em conversas filosóficas. É onde ouvimos coisas como "na França é que é bom." Ou "os franceses são mesmo inteligentes, até fazem os papéis em duas línguas".

Pérolas, mesmo sem saber que são esses complicados que lhe pagam a reforma e ainda mama um subsídio qualquer lá dos inteligentes dos franceses.

Bem, eu não me quero meter na vida de ninguém, mas não tinha os ouvidos tapados e aquilo entranha-se.

Era a segunda vez que estava na segurança social e tinha prometido que não desistia sem fazer o que me tinha levado ali. Só faltavam 30 pessoas, vamos aguardar.

Enquanto isso o telemóvel ajudava-me a manter em dia em relação às notícias do país e do mundo. E o futebol dominava a cena:

Era o Benfica com mais arguidos por suspeita de sacos azuis...pensava que eles não gostavam do azul! Ou às tantas pensaram que branquear trabsformava o saco em vermelho.

Era o Bruno de Carvalho a fazer mais uma conferência e a perguntar "mas estão todos malucos?" Eu também não entendo. A sério. Não entendo como é que pessoas como ele chegam a presidente de alguma coisa. Não entendo. Mas ok, estamos em Portugal e a senhora tem razão, "os franceses é que são inteligentes"!

Agora com o Mundial à porta também se lê tudo e o povo gosta é de escandaleira, seja onde for, o povo gosta de chinelo no pé, ou na cara ou no c....
Bem, parece que os jogadores do México fizeram uma festa de despedida caliente, com nachos, muita tequila, grilos fritos, guacamole e put@s. 

Claro que há jogadores do campeonato português envolvidos. 


O Herrera, esse grande campeão do FCPORTO parece que fez de porteiro na festa. Só isso, recebeu as moças, reencaminhou-as para o interior da festa, e animou a malta, contou anedotas à moda do Porto, disse uns palavrões e até cantou "oh Bella ciau" à capela.



Só que a linda bomboca da Shantal, sua mulher, deve ter reunido o exército do Iraque, e já tem tudo pronto para lhe atirar à cara "és feio como uma porta".


É aqui que reside toda a diferença, na merda. É que meus amigos, merda todos fazemos, ninguém está livre. Aliás merda é o pão nosso de cada dia e não metam Deus no assunto, nem a "educação da mãezinha", e não sejam mais papistas que o papa, algum dia abres a porta e o cagalhão está lá a sorrir para ti, a diferença está no cheiro, em como cada um resolve o assunto.

Assim de repente, com o Mundial à porta, com a Shantal em Portugal, que é a sua casa, a única coisa que pensamos foi "Oxalá o México não passe da fase de grupos para o rapaz vir acertar as orelhas o mais cedo possível".
Mas não, honra e pátria andam de mãos dadas e o Herrera, como bom homem e pai de família pediu dispensa da seleção e veio para Portugal resolver "problemas pessoais".

Só me ocorre concluir, "os franceses é que são inteligentes e o Herrera é o maior!".

A Shantal que tinha a sua conta de Instagram aberta, tem agora o perfil privado e manda dizer que não está para aturar put@s. Estou contigo miúda e se precisares de reforço avisa!!!!