domingo, 2 de março de 2014

Brincar ao carnaval

Eu também já fui pequenina. Ouvi muitos anos seguidos a música "mamã eu quero" (era o que se ouvia na década de 80, década em que eu me vesti a rigor,  brinquei e fui feliz)! 
Lá em casa nem sempre havia vontade para folia, mas as ruas chamavam-me. Cresci numa cidade (sim, Ovar seria também na década de 80 elevado a cidade) em que se brincava e comemorava muito o carnaval. 
Quem não conhece diz muita coisa que não é verdade. E eu que desfilei alguns anos nas ruas de Ovar, com chuva, com sol, com ruas em paralelo (que doía mais do que sei lá o quê), que devorava tangerinas mesmo sem gostar desta fruta, sei bem o que é carnaval em Ovar, sei bem o que move as gentes de Ovar e sei bem que é mil vezes mais divertido desfilar e ser palhaço(a), do que assistir e atirar serpentinas. 

Na década de 80 também houve Troika. E os meus pais trabalhavam os dois a 40 km's de casa. Tivemos sempre direito a máscaras (e não havia continente nem lojas dos chineses), e tive sempre autorização e apoio para fazer parte dos grupos de carnavalesco, mesmo que lá em casa não houvesse essa vontade (algumas vezes lá saiam, forçados para me verem desfilar, já na 2ª volta). 

Fui imensamente feliz durante a década de 80 e durante os anos em que gostei realmente de carnaval. Depois cresci e fiquei, como todos lá em casa, imune a esta festa. 
(Todas em anos diferentes e todas na década de 80)

Agora, com 80 km's de afastamento, ainda consigo ouvir as músicas que saem dos carros alegóricos (agora muito mais potentes e bem equipados do que na "minha década de 80"). 
Hoje, domingo de carnaval, é domingo gordo. Dia de comer feijoada (que só a minha mãe sabe fazer). Neste dia a feijoada era feita nas panelas do natal, e dava para várias refeições. 
Hoje, não comi feijoada com os meus. Hoje não vou sair à rua e muito menos colocar a máscara. Mas gosto de pensar que tudo vou fazer para que o meu filho goste de carnaval e seja imensamente feliz como eu fui. 

Amanha é dia de se brincar ao carnaval na escola do João. E com muito orgulho vou vestir o meu filho com a roupa que eu própria costurei (como se faz na terra do carnaval), sempre cumprindo os pedidos do meu pequeno rei. 

Nota: na primeira fotografia eu teria mais ou menos a idade do João, 2 ou 3 anos   Estava vestida de Topo Gigio (o rato que fez as delícias da pequenada durante várias décadas e que eu ainda vivi nos anos 80). Estou sentada no chão de amarelo e azul, as orelhas deviam estar na mão, já tinha mau-feitio, aliás, personalidade vincada (como o meu filho!). Reparo agora que tinha exactamente a mesma expressão que o João fica nas fotografias da escola. 

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