terça-feira, 6 de janeiro de 2015

4º aniversário do João

Então como foi o aniversário do menino? Mais de duas semanas depois, aqui fica a resposta.

Este ano o rapaz tinha plena consciência que fazia anos. Já não era aquela inocência pura de bebé-menino de saber que o dia era especial, não, era a consciência plena que o dia era dele e que queria uma série de coisas. Tinha expectativas. Que é algo que se adquire ao longo da vida.

Como a prima fez anos em Novembro (5 anos) e teve a sua primeira festinha com os amigos, o João começou logo de seguida a pedir festa com os amigos também. Mais uma vez queria tudo em grande, sempre com o horizonte muito focado em si.

Acho que as crianças de 4 anos não têm maturidade suficiente para enchentes, para além do mais, havia o factor gravidez (que em pouco tempo se revelou de risco), e não me permitia também a mim grandes loucuras.

Conversei com ele, expliquei que não podiam vir os meninos todos, e por isso teria de escolher os 5 melhores amigos (entre a escola e o ATL, porque na maioria são diferentes). Teria ainda os 3 primos e a família próxima (avós e tios), por isso seria o suficiente para a mãe entrar em trabalho de parto (credo, que só digo asneiras!).
Pensei que seria algo difícil numa criança de ainda 3 anos, fazer o filtro, concentrar-se nas pessoas que realmente ia querer ter por perto. Mas não, o meu filho surpreende-me com a sua maturidade. Abriu a mãozinha com os dedos esticados e disse "é fácil mãe, uma mão cheia" e enumerou, sem pausas, sem se engasgar, sem perder o tino. Decidi que podíamos contar os gémeos como um só e acrescentar mais um amigo na lista. Convites feitos, impressos e entregues.
Não adiantou pedir segredo, porque os outros meninos iam ficar tristes por saber que não vinham à festa, ele rapidamente tomou a posição de líder, de dono da festa e era vê-lo a dizer aos amigos "se não te portas bem, não vais à minha festa", cheio de importância.

A semana anterior foi terrível. Um surto de varicela, que já rondava o centro escolar desde Outubro/Novembro atacou em força. As baixas, entre os amigos, começaram a ser contabilizadas.
Eu tive uma semana inesquecível, fiquei a conhecer o pior do ser humano e das relações laborais.
O foco do meu filho era bem claro, o meu perdia-se em dores e lágrimas. No dia anterior, bati no fundo. Entreguei-me mesmo à fraqueza. Fiz o que foi possível e enquanto o forno trabalhava eu deitava-me no chão da cozinha enrolada em cobertores.

O dia chegou. O aniversariante acordou feliz e bem disposto. Abriu prendas e aguardava eufórico pela chegada dos amigos. O meu coração tremia ao pensar que não ia aparecer ninguém. Mas o telefone começou a tocar e a campainha também. Chegaram os gémeos e a Bia, ainda sarapintados com pequenas crostas, mas completamente recuperados. Para o meu pequeno-grande herói só fez falta quem cá esteve e a festa foi de arromba.

Chegaram os avós e tios para o jantar. A minha perna foi falhando. Ia orando em silêncio, e pedia que o dia acabasse rápido, estava em sofrimento mas não queria demonstrar.
A noite chegou, e ao deitar tinha uma criança cansada mas muito feliz. E só por isto, valeu cada segundo de suor e lágrimas.



Um obrigada muito especial para o amigo Rui Gomes que proporcionou que a bandeira, que o pai orgulhosamente "engendrou", estivesse pronta no dia.
Nota final: eu tinha uma roupa nova para o João vestir. Um polo às riscas azuis e brancas. Mas na hora de trocar de roupa, fez a birra do dia, porque queria andar (apenas) de camisola interior. Ele chorou e eu gritei mais do que queria. O pai fez de mediador. O resultado foi o que se viu nas fotos, estava de casaco polar, versão pop. Whatever....

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