domingo, 14 de junho de 2015

É da luz

Hoje recebi aquele que Mr. Rabbit chamou "o maior elogio" que o meu filho me podia fazer, para não o esquecer e guardar estas palavras para sempre - concluiu o pai cá de casa.

Vou registar não vá a amnésia, e a idade e a vida, levarem tão preciosa recordação para longe.

O João pergunta frequentemente qual a cor dos olhos ou do cabelo dele e depois começa a perguntar ou a dizer ele próprio a cor dos nossos.

Hoje ao jantar:
João - mãe, de que cor é o meu cabelo?
Eu -  castanho clarinho.
Pai - não é nada, é cor-de-rosa!
Eu - [suspiro longo e a pensar que a conversa ia descambar e começar a discussão].
João - é castanho curalinho pá!
Pai - e o meu, de que cor é?
João - é branco e preto.
Pai - sabes porquê? Porque tu fazes muitas asneiras e o meu cabelo está a ficar muito branco.
João - não, não.
Pai - sim. Como o do avô Rui ficou muito branco porque a mãe e a tua tia faziam muitas asneiras e como o avô Xico ficou muito careca porque eu fazia muitas asneiras.
Eu - não é nada disso filho, nós vamos ficando com o cabelo branco, quando crescemos muito, é normal. A mãe também tem cabelos brancos.
João - não tens nada mãe, é da luz!

Nota mental, para ler quando a velhice me incomodar ou começar a perturbar:
Eu não me importo nada de ter cabelos brancos. Aliás, durante a gravidez, tanto do João como da Maria Rita recusei-me a pintar os fios prateados que insistem em multiplicar-se mesmo em zonas bem visíveis. Não está provado que exista uma absorção dos produtos químicos usados nas tintas capilares e parece-me dispensável o sacrifício de experiências mal conseguidas ou colocar em risco a vida dos meus filhos. Por isso, nos últimos meses, as madeixas naturais têm feito parte do visual.
É tão bom saber que para o meu filho tudo isto é apenas brilho, reflexo da luz!

1 comentário:

Matilde disse...

Amor bom de se ouvir :)