segunda-feira, 6 de julho de 2015

Maria Rita

E no primeiro dia do mês de Julho vieste inundar os nossos corações de amor filha.

Saímos de casa muito cedo, em jejum, com um beijo demorado no mano e um, "até já" ao Jonas, Kika, Riscas e Fifi.
Para trás ficaram as várias noites sem dormir, e no pensamento apenas o desejo de te ter nos braços.

Podias ter sido a minha "Maçã de Junho", mas não o quiseste tu, não quis o destino e não quis o teu pai.

Nasceste ao final da tarde de um dia fresco de Julho, no dia em que o verão e os dias de calor intenso decidiram dar tréguas.

Não pudemos ter o pai ao nosso lado durante o teu nascimento, mas uma médica com o teu nome foi me segredando ao ouvido passo a passo.
E quando finalmente os médicos te tiraram do ninho ouvi "ena tanto cabelo".
Confirmei que trazias uma linda cabeleira preta como o pai tanto queria, quando nos encostaram pele com pele e tu paraste de chorar.
Mas estava frio, ali naquela mesa onde as entranhas da mãe pediam  cuidados, por isso foram tratar de ti e eu fui ouvindo o teu choro de fundo.
Enquanto choravas eu acreditava que era forma de te comunicares comigo, de me dizeres "mãe não desistas que eu estou aqui" e eu fui ficando embalada no teu choro que se confundia com a conversa dos médicos. Ficámos a saber que Urologia é a especialidade clínica com médicos mais giros, por isso lembra-te disto quando decidires perder-te de amores por um ginecologista.

O mano conseguiu entrar no recobro, ajudado por fadas enfermeiras, para nos dar um beijo. Perguntou porque eu tinha tantos pensos e pegou em ti ao colo, o primeiro de muitos, ele não dá tréguas nesta missão de mano mais velho.

Não temos fotografias a ver-te nascer, a pesar ou do nosso primeiro beijo, mas tenho tudo isso registado na minha memória e ter-te nos braços, cheirar-te e pentear esses longos cabelos negros vale cada click que não foi disparado.

Bem-vinda Maria Rita, a princesa cabeluda que conquista, cada dia, mais e mais os nossos corações.

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