quarta-feira, 15 de julho de 2015

Ser cidadão

A minha filha com uma semana de vida já tinha um nome, um número de identificação civil, número de utente do serviço nacional de saúde, número de identificação fiscal e número de segurança social.

No dia em que foi registada, ainda na maternidade, soubemos que existe uma pessoa em Portugal com o nome exactamente igual, nasceu em 1949.

Ao nascer a minha filha, nasceu mais um contribuinte, que para o estado significa mais uma alminha a quem imputar a dívida, a tal dívida pública que todos somos responsáveis e que todos temos de pagar.

Esta minha filha gastadora e devedora a um estado que pouco lhe dá em troca, consome fraldas como eu nunca tinha visto (terá o estômago com ligação directa ao intestino?). Tem dias que uma muda de fralda, resulta em 5 cocós e 3 ou 4 fraldas.

Isto para mim é um sinal evidente que ela se está a cagar (desculpem o termo, sim?) para quem lhe exige responsabilidades à nascença e poucos direitos. Porque um governo que não é capaz de zelar pelos direitos de uma criança está em decadência.

Isto para vos dizer que a vacina da BCG, contra a tuberculose, que se administra aos bebés à nascença, está em ruptura de stock desde Abril de 2015.
Segundo foi comunicado pela DGS, o único laboratório que produz a vacina para a Europa, e que fica na Dinamarca, teve uma falha na  produção.
Tudo bem, até existem países na Europa que retiraram a BCG do plano nacional de vacinação, mas esses países não são certamente Portugal, um país de tuberculosos (ainda que muitos casos estejam escondidos e camuflados).
Estes bebés, os que nasceram a partir de Março, estando dois meses sem que tenham sido vacinados, vão ter de fazer o teste de Mantoux (prova de tuberculina), mas pior do que tudo, é que há mesmo rumores que "os senhores que mandam" e não estão propriamente no céu, estão a ponderar retirar a BCG do nosso PNV ( plano nacional de vacinação).

Só me ocorre dizer: "isso, deixem de vacinar as crianças contra a tuberculose e daqui a uns anos falamos!"

Até lá, gostava que a minha filha não fosse a cobaia de um país que não sabe garantir esperança aos nossos bebés. Com o laboratório na Europa ou ser na Europa, quero a minha filha protegida e que tenha a marca da BCG, no braço esquerdo, como todos nós!

(ou será que vamos voltar a 1949 como a sua homónima?)


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