segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Vão-se os anéis, ficam os dedos

Na semana passada fiz uma coisa muito pouco inteligente (deve ser a privação de sono).

No último mês de gravidez optei por tirar a aliança, que já estava a causar algum mau estar devido ao inchaço dos membros.

Depois de sair da maternidade e uma vez que estava ainda mais inchada, não me atrevi a colocá-la novamente e decidi esperar até o edema se ir de vez.

Mas sou gaja que usa aliança com o nome de Mr. Rabbit vai para 12 anos e estava a sentir-me "despida". Então, na semana passada decidi enfiar a aliança... à força. E depois mostrei orgulhosa o feito e ainda exclamei "agora não sai mais daqui".

Achava eu. Uns minutos depois comecei a sentir o dedo a latejar e fui besuntar com creme gordo, vaselina e afins para  tentar tirá-la. Nada.

O dedo ia inchando cada vez mais e eu comecei a stressar. Mr. Rabbit começou a pensar em formas de me ajudar, mas só começou a tentar intervir quando lhe comecei a dizer que era preciso cortar.
O João todo contente perguntava se era para cortar o dedo e vibrava cheio de adrenalina.

Tentámos aquelas técnicas todas, com aqueles vídeos que são partilhados no Facebook, com ajuda de uma linha. Tentámos com vários tipos de linha e fio. Mas o dedo já estava um rico chouriço e a aliança a  fazer garrote. A ponta do dedo roxa e eu quase a desmaiar.

Não sei precisar o tempo em que estivemos nisto, até que soltei qualquer coisa como "vai buscar a rebarbadeira e corta isto". As tonturas a intensificarem-se, o tecto a andar à roda, o chão a mover-se e o dedo cada vez  mais negro.

Percebi que o homem não estava com coragem para cortar nada, nem a aliança nem o dedo. Telefono ao meu pai, já em lágrimas, para ele vir ajudar.

Quando o meu pai chegou já eu estava com a  Maria Rita na mama, e Mr. Rabbit de alicate de corte a perceber como ia fazer a coisa.

Uns minutos depois estava a aliança cortada e esgaçada para poder libertar o dedo e Mr. Rabbit a exclamar "um dinheirão que custou a aliança".

Quanto a mim, o alívio foi tal que fiquei com uma ligeira aversão a anéis. Apesar do dedo já estar "normal" continuo sem coragem para brincar aos anéis e alianças e até ponderei fazer uma tatuagem no lugar da aliança. Sim, eu que sempre fui pouco amante de tatuagens, sejam elas definitivas ou temporárias.

É que apesar do ditado dizer "Vão-se os anéis, ficam os dedos", há um dia que lá fica um dedo.

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