quinta-feira, 1 de outubro de 2015

João, o Blogger

Hoje a Maria Rita faz 3 meses, mas não consigo escrever nada. Nada sobre ti, filha. Nada. Tive um dia difícil. Ainda tenho as lágrimas, que não chorei, acumuladas algures entre os olhos e o cérebro.
Não fiques preocupada, meu amor, são coisas de grandes. A porcaria do mundo dos grandes.

Por isso hoje deixo o teu mano ser o Blogger da casa.

[ponto final e começa o pequeno Jota]

Quando eu era grande, vivia num sitio que se chamava França, com a minha família.
Tinha 3 filhos, 2 rapazes e uma menina.

O meu primeiro filho tinha uma chicla à noite e não tirou para dormir, morreu.
A menina não dormia, estava cansada e sempre acordada, sempre acordada, morreu.
O outro filho também morreu, já era grande da minha altura, foi para o monte andar de mota, saltou uma pedra para a testa e morreu.
Eu disse-lhe que não podia andar sem capacete, mas ele não ouviu.
E a minha filha, chamava-se "caracolinhos dourados".

Ah, é verdade, tinha outro filho, que já tinha morrido há 1000 anos. Levou-o o gigante Luís.

[fim da narrativa]

Considerações:
- quando o meu filho era grande, era uma desgraceira lá para os lados de França;
- será que ele teve dinheiro para tantos funerais? E a mãe das crianças, deve ter ficado de rastos...
- tenho de bloquear os vídeos de necrologia que passam no Panda e no Disney, aquilo está a afectar-lhe a mocidade;
- isto de ser dramático também bate forte no sexo masculino, pensei que era só nas gajas;
- às tantas levava o puto à missa, ou ao exorcista ou ao pedopsquiatra, tenho para mim que ele tem uma fobia com mortes;
- proibir excessos de criatividade à noite, pode resultar em histórias muito fúnebres e parecendo que não, eu preciso de dormir.

Nota final: eu podia deixá-lo apenas pintar, mas não era a mesma coisa.

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