terça-feira, 20 de outubro de 2015

Ninguém disse que era fácil

Hoje o Facebook lembrou-me que há 4 anos, no dia em que o João fez 10 meses, publiquei esta foto.
O miúdo estava a crescer, e com ele os dentes (já ia no terceiro), na fotografia está de pé agarrado à cama de grades e chupeta na boca (sempre a sua imagem de marca).

Nesta altura o meu filho comia bem, ainda não fazia birras para se vestir ou gritava para não ir à escola. Nesta altura, e mesmo já tendo uma personalidade forte e vincada o João compreendia o significado da palavra "não".

O João foi crescendo e foi passando por várias fases. Talvez a mais feliz tenha sido entre os 12 e os 24 meses (apesar de ter havido grandes alterações na relação familiar). Depois dos dois anos, as fases iam chegando e a revolta ia-se instalando.

Sorri e aceita, sempre o meu lema.

Fiz tudo para que o meu filho pudesse crescer bem, equilibrado e feliz. Que fosse dócil e educado. Que emocionalmente aprendesse a viver com o que tem e a lidar com a ausência e a frustração.
O João foi crescendo e sempre que uma nova fase chegava eu chorava à noite com ele adormecido nos meus braços enquanto lhe dizia ao ouvido que o amava mais do que tudo, que lutaria sempre por ele, e que estaria sempre ao lado dele, para o bem e para o mal.

O João cresceu. E há dias muito difíceis. Há dias em que ser mãe me desgasta e me angustia.
Há dias em que eu podia viver só com ele, sem os outros e sem os ruídos de fora. Porque quando consigo segurar a alma do meu filho somos plenos de amor e compreensão.
Nos momentos em que a alma do meu filho não é minha, é:
- da agressividade que lhe mostram no dia-a-dia;
-  do excesso de regras que o atrofiam;
- do excesso de permissividade que o cansam;
- da insensatez, da mesquinhez, das guerrilhas e guerrinhas e da doença de quem tinha obrigação de o amar.

O meu filho está a crescer e custa tanto.

[fotografia 20-12-2011. É o João, a Maria Rita ainda é pequena para estar de pé agarrada às grades]

Sem comentários: