sábado, 12 de dezembro de 2015

Carta ao pai natal (a minha)

Querido Pai Natal,

Escrevo-te com a minha filha bebé ao colo. Sou uma sortuda, este ano a minha prenda chegou no dia 1 de Julho e veio juntar-se a outra que por estes dias comemora 5 anos.

Por eles chega-me viver com tudo o que tenho. Porque com eles tenho realmente tudo e nada mais importa.
Não importa que os dias sejam repletos de medalhas de mérito, mais dos outros do que minhas, porque quando fecho os olhos a minha consciência está tranquila.

Pai Natal, este ano fui brindada com o nascimento da minha tão desejada filha. E quando fui confrontada com doenças crónicas nos meus dois filhos, agradeci serem doenças benignas e tratáveis.

O que interessa o resto? O que interessa o desprezo, o ódio, a inveja, a falsidade, a traição, a ausência, as aparências? O que interessa a violência, a ingratidão e a soberba? Passei a olhar para o meu umbigo, a contar os dias entre exames e consultas e a acreditar (diria mais ter fé). Nesta equação não entra dinheiro nenhum no mundo. Não entram pessoas estranhas sentadas na mesma mesa numa noite que deveria ser de família. Não entra o "fazer de conta" que está tudo bem e que isto é tudo normal. Não conta se esta  casa é minha ou nossa e já agora a máquina de lavar louça e o frigorífico. Não conta se durmo mais ou menos horas do que há um ano atrás.

O que importa é olhar para os meus filhos e vê-los a sorrir. Aqui. Comigo. E que isso tudo basta.

Por isso Pai Natal, tudo o que te peço é que me dês força para continuar a aguentar as provações que a vida me apresenta e que nunca sejam mais do que as que uma mãe pode realmente suportar.

Esquece as viagens, a casa dos meus sonhos ou o telemóvel com rede directa a Deus, só quero tempo, tempo para ver os meus filhos a crescer e fazer parte desse crescimento e memória para guardar para sempre os sorrisos e gargalhadas deles, em repeat, até ser velhinha.

Até breve.
Joana

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