quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O amor

O amor é lindo. Lindo e puro.

O meu filho nunca foi de amores, e sempre que lhe perguntavam por namoradas (é típico na nossa sociedade), ele dizia que a namorada era a mãe  e que quando fosse do tamanho do pai, era comigo que ia casar.

Detesto esses amores doentios entre pais e filhos, principalmente entre mãe-filho, por isso apressei-me a explicar-lhe que ele ia encontrar a pessoa com quem casar e que provavelmente ia ter muitas namoradas até isso acontecer.

Não quero ser uma sogra impossível, por isso estou a  mentalizar-me para ver o meu filho a trocar carícias sem fazer uma cena de histerismo ou cair desmaiada no chão.

No início deste ano lectivo o João disse que tinha uma namorada, todas as outras que até aí tinham sido apontadas, ele negou com convicção.
Quis saber como tinha acontecido, porque estava feliz por ele. O João foi sempre muito agressivo nas brincadeiras, por isso encontrava sempre nos rapazes esse elo e as miúdas eram sempre chatas e fúteis para ele.
A inocência dos 4 anos. A "relação" com a Lara tinha começado na fila para o refeitório, para ninguém a empurrar ele protegeu-a e ficaram namorados, mas "não fazemos nada mãe, nem beijos".

Mas a relação esfriou e estava naquela fase do "é complicado".
Hoje de manhã encontrei na mochila dele um bilhete muito dobradinho. Vermelho da cor da paixão e assinado.
Quando lhe perguntei o que era aquilo. Respondeu muito calmamente que tinha sido a Inês C. que lhe deu, "podes ler-me o que diz este papel mais pequeno mãe?", pediu-me ele. "gosto muito de ti. Inês", respondi imaginando que aqueles gatafunhos no papel pautado quisessem dizer.

Sorriu, explicou-me que eram namorados e que a Inês até já lhe tinha dado um beijo, mas ele limpou a cara (tão meu filho, Amor sim, mas limpinho). "Então e a Lara? ", perguntei-lhe como quem não quer a coisa:

João - são as duas. São as duas minhas namoradas.
Eu - Ah João mas isso não pode ser. Só podes ser namorado de uma de cada vez. João - sim? Porquê? Tu não tiveste dois namorados?
Eu - Não. Nunca tive mais do que um namorado ao mesmo tempo. Isso não é correcto, nem para ti, nem para elas.

Gosto de histórias de amor, e gosto de pensar que o meu filho vai amar e respeitar as meninas. Não me importo que seja uma ou 500. Quero que seja feliz e se tiver de sofrer que seja aos 14 anos, porque desgostos de amor tardios deixam marcas mais profundas.

Preciso de concentrar-me em coisas boas e preciso de acreditar que estou a fazer o melhor, que o estou a educar para ser Homem e não uma besta, como existem neste mundo aos pontapés.
Sei que a aprendizagem se faz, em grande parte pelo exemplo, mas Santo António também pregou aos peixinhos, vamos tentar.

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