terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Perigo

O meu filho não tem noção nenhuma do perigo. Há quem me repreenda quando lhe tento passar imagens constantes de perigo, do que acontece aos meninos que fogem dos pais em superfícies comerciais, o que acontece quando as crianças se atiram para o chão, principalmente se for alcatrão, o perigo de saltar entre sofás afastados meio metro, o perigo de andar de bicicleta a olhar para o lado. Enfim uma quantidade enorme de avisos e recomendações.

É óbvio que se ele não teme nada tenho de lhe mostrar que existem lobos maus, malvados que comem criancinhas e meninos que ficam no hospital todos partidos durante meses.

Hoje o meu filho conseguiu fazer das maiores asneiras dos seus quase 5 anos de vida. E eu, só de recordar, ainda tenho as pernas a tremer e o coração a falhar.

Fim de dia em velocidade cruzeiro, como sempre. Era dia de treino, estávamos atrasados, e ainda era preciso equipar.
Cheguei à porta de casa, parei o carro, desliguei a ignição e saí para abrir os portões da garagem (que são manuais). O João e a Maria Rita no carro, como é normal.
Abri o portão de fora, abri o portão de dentro e quando olho para trás vejo o carro a andar sozinho pela rua fora. Comecei a gritar "ó João, ó João" ao mesmo tempo que corria em direção ao carro. Consegui contornar o carro, que ainda ia a uma velocidade controlada, abri a porta do condutor. O João em pânico dentro do carro dizia "eu não sei como parar mãe, eu não sei".
Tentei parar o carro com força de braços, mas não consegui. Então atirei-me para o interior e puxei o travão de mão.

Tento puxar a cassete atrás. Quando saí do carro para ir abrir os portões, o João estava na cadeira dele. Mas ele sabe tirar o sinto. E depois avança para o banco da frente e começa a mexer em todos os botões. Por isso desligo sempre o carro. Hoje conseguiu destravar o carro accionando o travão de mão. E eu vi os meus filhos dentro dum carro à deriva, rua fora.

Por sorte não passou nenhum carro e eu consegui sacar da capa de super-mãe e jogar com todos os trunfos. Mas começa a ser complicado.

O excesso de adrenalina, que passado umas horas resultaram em suores frios e mau-estar. O meu filho não sabe que eu tenho problemas cardíacos. E quando chegou do treino constatou da pior forma.

O que é que se faz a uma criança destas? O quê? É deixá-lo ir? Ou prendê-lo de trela e sempre com o freio apertado? Ajudam-me?

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