sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A escola

Pois é, aproxima-se o dia da separação. Tenho ouvido mensagens motivadoras, desde o "vais voltar a ter vida" a "vais estar e ver pessoas". Pois sobre isto prefiro não fazer grandes comentários, porque ser mãe e ter tempo para os meus filhos, que são pessoas, é no meu entender ter vida.

A Maria Rita terá um período de transição com os avós, para podermos as duas fazer uma adaptação gradual. Eu vou precisar de saber novidades ao minuto e sei que vou  estar a enviar mensagens de 5 em 5 minutos e que vou ter resposta, e ela vai acordar e ver o bigodinho conhecido do avô para fazer miminhos e uma avó querida que vai adormecê-la a cantar a "internacional".

Não vamos dourar a pílula, tem de ser. Há muita coisa que eu não queria que acontecesse, mas não vivemos num mundo ideal. A Maria Rita já começa a estranhar muito. E passar para outro colo até pode ser tranquilo se me estiver a ver. Isto tem claramente muitos pontos negativos, mas alguns que também podem ser positivos e é só nestes que nos vamos concentrar.

Iniciei 2016 com a convicção que tenho de ver sempre o copo meio cheio.
Acreditar e aceitar.

Depois da transição e da terceira dose da bexsero vai para a creche. Terá 7 meses,  mais ou menos. Isto se não tivermos surpresas pelo caminho.

Como se escolhe a escola para os nossos filhos? 


- proximidade de casa ou do trabalho? 
- currículos das educadoras/estabilidade do corpo docente e auxiliar? 
- projecto educativo/actividades curriculares? 
- referências? 
- condições físicas do espaço? 
- preço? 
- serviços prestados? 
- empatia com educadores, funcionários, directores técnicos? 
- alimentação? 
- capacidade de adaptação ou implementação rápida de melhorias continuas através de avaliação de satisfação ou auto-avaliação? 
- regras de funcionamento? 
- limpeza e higiene do local? 
- acessibilidades, transportes e estacionamento? 
- horário de funcionamento? 


O que é bom para os outros pode não ser para mim. E o que é efectivamente melhor para uma criança pode não ser para outra. 

Na primeira escola do João, o mais importante para mim foi a localização (ficava a 5 minutos do meu local de trabalho), com o horário que eu tinha não podia ser de outra forma, porque não tinha mais ninguém a quem recorrer. É claro que também influenciaram as referências, que foram sempre as melhores melhores e o próprio nome do colégio, as várias valências, os vários anos de idade, história e tradição.  Mas os problemas começaram a aparecer logo nos primeiros dias e foram acumulando e transformando-se numa bola de neve gigante. Nenhuma reunião parecia surtir efeito, nem com o director, nem com a educadora. Tudo estava de tal forma enraizado que percebi que nós é que estávamos a mais. Decidi não o retirar a meio do ano lectivo porque a nossa vida familiar estava muito frágil (com a doença e morte da avó). Foi  uma opção. Ele já teria várias mudanças e alterações na vida dele naqueles meses, por isso esperei. No final de Abril a avó partiu. Em Agosto esteve de férias. E em Setembro começou na escola nova.

Na hora da despedida, todos os elogios foram para aquelas mulheres que me fizeram voltar a acreditar e confiar. A mim e ao João.

Com a Maria Rita, ainda durante a gravidez, não tive dúvidas qual a escola que queria para ela. E pedi logo para reservar uma vaga. Com um mês de vida a miúda visitou pela primeira vez a creche e preenchemos toda a documentação.
Os meses foram passando. E a insegurança também.

A instituição é a mesma onde o João continua a frequentar o ATL e nesta valência nem tudo tem corrido bem.
Já foram ponderadas várias soluções e mais um vez continuamos a preferir esperar do que criar mais instabilidade num ano que será de muitas mudanças para ele e para a nossa família.

Esta semana voltámos à creche. Vim com o coração mais tranquilo, conheço o trabalho e o dia-a-dia daquele lugar, daquelas mulheres, que mesmo cansadas dão tudo por tudo para verem as crianças sorrir. Mas sinto que estou muito menos tolerante. Sinto que com a Maria Rita serei incapaz de suportar meses de ansiedade, de angústia, de frustração.

A minha postura, como mãe, foi sempre muito interactiva. Tento participar e interagir na vida dos meus filhos e criar laços entre casa e a escola. Talvez porque os meus pais nunca tenham sido muito presentes na minha vida escolar. 

Quando algo não está bem, as luzes de alerta acendem. O coração aperta. Tento perceber, conversar, alertar. Tento que de alguma forma se possa encontrar uma ponte, um entendimento, pelo bem da(s) criança(s). Mas também sei que há um dia que pode ser fulcral, em que o castelo de cartas se desmorona, em que a confiança se esvai.

A Maria Rita será uma menina traquina e vai certamente fazer multiplicar os meus cabelos brancos, eu sei, mas por enquanto é uma bebé frágil que precisa de muita atenção e cuidados.
Vai tudo correr bem. Porque eu continuo a acreditar que com amor tudo se resolve.

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