terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A morte

Há mortes rápidas e inesperadas, num momento estás a correr e no minuto seguinte estás já sem vida num jardim qualquer.

Há mortes lentas e agonizantes. Vais perdendo o brilho, a força. Vais sofrendo sozinho e pedindo ajuda em off.

Há mortes que não pedem licença para entrar. Há mortes que entram de pantufas, trazem o xaile e ficam para jantar.

Podia estar um dia chuvoso e caótico e teres um pântano no coração, mas para contrastar estava um dia de sol bonito. Apesar do frio, os passarinhos cantavam como a chamar a Primavera.

Lutas durante minutos com a mágoa e a culpa. Rezas baixinho para que seja rápido e sem dor.
Mas não há morte sem dor.

Hoje queria falar da vida, mas a vida trocou-me as voltas. Acordei com o sabor amargo de ter de encarar a morte. A morte e a culpa. A morte e o tempo. A morte e a impotência.

Porque a vida é feita de contrastes. Enquanto lutas para aceitar a doença da tua filha, vês um corpo inerte e  já sem vida a chamar por ti.

Foi um gato. Foi o meu gato e morreu hoje depois de agonizar durante longos minutos.

E eu hoje que só queria falar sobre a vida.




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