domingo, 7 de fevereiro de 2016

Domingo gordo [ou Carnaval]

Eu cresci numa terra onde a folia é a palavra de ordem por esta altura.
Os foliões não têm sexo ou idade, dos 8 meses aos 80 anos o que importa é a diversão.
No domingo de carnaval, eu acordava mais cedo que o normal, e ia pelo meu próprio pé para a sede do grupo para ser maquilhada. Quando chegava a casa a minha mãe tinha já a feijoada ao lume, domingo gordo era dia de carnes, muitas carnes. No prato e na rua porque o Carnaval tem samba e miúdas giras, muito despidas a dançar à chuva.
Irrita-me quando se diz que importámos o Carnaval do Brasil e que o samba não faz parte da nossa tradição, mas depois vamos a bailes de carnaval e ouvimos 500 vezes o "mamã eu quero" e está tudo bem.

O corso do Carnaval de Ovar tem (ou tinha, agora não estou actualizada) 5 escolas de  samba, mas 22 grupos de carnavalesco (em que vale tudo e alguns são mesmo muito divertidos), e mais uns poucos de  passerele (assim mais ao género do carnaval de Veneza).

Eu fui foliona, muito foliona. E só me fez bem. Provavelmente se ainda vivesse em Ovar e se  os meus filhos tivessem a folia no pé, também eu continuaria uma foliona.

Na sexta-feira o João lá vestiu a pele de robin dos bosques e brincou e divertiu-se tanto que confesso que vai ser difícil tirar tanta felicidade da roupa*.

*eu tinha dito que havia leggins leopardo, mas decidi não expor o miúdo às vozes más de crianças atentas. Foi de meia calça castanha (cardada). Longsleeve castanha. Fiz a túnica (uma  fazenda verde escura), as botas e o saco para as flechas em couro castanho. Dois cintos velhos, um para fazer de cinto e outro para amarrar o saco das flechas. E o pai inventou um sistema com uma argola para pendurar o arco no cinto.
Et voilá o nosso miúdo foi todo cheio de determinação brincar ao Carnaval.

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