quarta-feira, 27 de abril de 2016

Há coisas na vida que não têm preço...

Às vezes tento entender a vida. A minha, em primeiro lugar, depois a dos outros, sem que isso me importe particularmente.

Não me tira o sono saber que alguém está de férias numa ilha paradisíaca, mas se uma amiga está doente ou o filho de uma conhecida internado no hospital fico em sofrimento por tempo indeterminado.

Sim. Eu sou aquela que deixava de estudar para dar explicações. Que deixava os trabalhos de lado para fazer maquetas para os colegas.

Sim. Eu sou aquela que confia numa amiga e afinal é só uma falsa colega. Confusos?

Sim. Eu sou aquela que está disponível para os outros, mas nem sempre do outro lado está alguém para nos ouvir.

Sim. Eu sou aquela que entro pela  madeira dentro, que antecipo, que procuro, que batalho e que acima de tudo não esqueço. Mas...a última a ser lembrada.

E depois lembro-me das palavras do meu pai, com 17 anos, num domingo ao inicio da tarde "ajudar os outros sim, mas primeiro estás tu."

Nao tirei 5 minutos do meu final de dia intenso para ter pena de mim, apenas para chorar aquilo que não gosto de sentir na minha vida.

Nestas últimas semanas ouvi muitas frases sábias, senti-me novamente com 17 anos a ouvir as palavras do meu pai:

"Joana, no trabalho não temos amigos",
"as pessoas lembram-se que têm filhos e ficam com amnésia", "quando vais deixar de acreditar que és uma super-mulher?".

Às vezes gostava tanto de ser a cabra que os outros acham que eu sou. Mas só para eles. Porque para todos os outros não tenho nada a provar.

Porque há coisas na vida que não têm preço, mas têm troco.

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