domingo, 8 de maio de 2016

Sobre as escolas

Vivemos uma fase muito má no ensino, nas escolas e na relação casa-escola vs escola-casa.

Cansa-me que em pleno século XXI se continue a ensinar como no século passado mas com quadros electrónicos. Como que a dizer que somos muito modernos.

Cansa-me que os professores se deixem consumir com os relatórios e avaliações e não se transformem em heróis do seu próprio tempo. Que se reinventem, que façam diferente, que procurem o melhor.

Cansa-me que escolas novas sejam não-lugares, espaços sem identidade, sem humanização e que as crianças sejam o elo mais fraco.

Cansa-me que a legislação abra portas para que o ensino seja uma ditadura. Porque depende do agrupamento ou pior, do director do agrupamento. Quando se deixa ao critério de uma cabeça iluminada aquilo que devia ser regra para todos, estamos a permitir mais uma vez que as crianças sejam moeda de troca de uma guerra que não é delas.

Cansa-me que não se cumpram contratos. Nas guerras entre públicos e privados e nas regras de comparticipação do ensino articulado (concorde-se ou não), se existem contratos, regras definidas por um período de tempo, então cumpra-se. Estamos a ensinar às crianças que neste país vale tudo e nada vale, porque amanhã podem ter de deixar aquela escola, onde era suposto estudarem mais 3 anos ou largar o ensino artístico porque o estado, aquele que deveria garantir o  "superior interesse da criança" lhes tirou o tapete no último round.

Cansa-me que o diálogo seja feito de sangue, porque é mais fácil tornar-se mártir do que fazer como pessoas civilizadas fazem: sentarem-se e debaterem ideias.

Cansa-me que as medidas sejam todas com efeitos imediatos. Decides hoje o que é para ontem.

Cansa-me que na era da informação, se viva um momento de fractura, não há ideias, é cada um por si. Não há batalhas conjuntas.

Cansa-me que numa reunião de pais uns achem muito apropriado tudo aquilo que os professores propõem (mesmo que seja comer cocó) e outros tentem demonstrar que o mundo avançou e existem direitos da criança, que as crianças não são máquinas e não funcionam todas no mesmo ritmo, ao som da marcha militar.
Visões extremadas, de realidades tão diferentes, todas na mesma mão.

Cansa-me perceber que a escola, lugar onde as crianças deviam abrir a mente para um mundo melhor, estejam cada vez mais presas a lutas que não são suas e a percorrer trilhos que as levam a becos sem saída.

Digam-me lá, estão comigo? Ou eu sou mesmo uma ave rara?

1 comentário:

Teresa Isabel Silva disse...

Tens toda a razão, infelizmente o ensino não espelhas as necessidades das crianças nem as incentivam a ir mais longe!

Bjxxx
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