quinta-feira, 28 de julho de 2016

Respirar, aceitar, acreditar

Numa das muitas consultas que tivemos em julho, a cirurgia da Maria Rita foi agendada para meados de agosto.

Nesse dia senti quase todas as sensações do mundo.

Medo, pânico e o coração a encolher e ficar do tamanho de uma ervilha. Tinha acabado de assinar um consentimento e acredito 100% na equipa que a vai operar, mas como o médico lembrou, "é uma cirurgia nunca sabemos o que vamos encontrar, porque na medicina 2+2 não são 4".

Alívio, esperança e muita fé. Com esta cirurgia os médicos acreditam que o foco de maior perigo será eliminado.
Trocado por miúdos e explicado às crianças seria: vai-te embora rim mau, não faças mal ao que está à tua volta.
A partir daqui, se tudo correr como previsto, podemos acreditar numa quase-cura.

Nessa noite li todas as actas médicas que encontrei sobre o assunto. E fui para o YouTube ver filmes de cirurgias semelhantes.
Chorei a noite toda.

Sim, eu sei que não o devia ter feito mas foi mais forte do que eu. É esta forma de tentar perceber como tudo acontece, faz-me querer saber tudo ao pormenor.

Acontece que chegou uma carta do hospital, a cirurgia foi antecipada. E o meu mundo tremeu novamente. Quase não tenho tempo para pensar, o  que pode ser bom, mas há mais vida na nossa vida para além disto, há outro filho e uma bola de neve em avalanche.

A vida não é o conto de fadas que nos venderam na infância. E isso não mata, mas mói.

Mesmo que estejam de férias, lembrem-se da minha bebé e desejem-lhe tudo de bom, como se fosse para os vossos filhos. Obrigada.

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