sábado, 13 de agosto de 2016

Ema

Enquanto a Maria Rita esteve internada pós-cirurgia, conhecemos uma menina deliciosa, com uns 2/3 anos, a Ema.
A Ema tem uma doença rara, no fígado. Só há 4 casos conhecidos em Portugal. Pelo que percebi é uma espécie de bloqueio e o fígado deixa de funcionar. A Ema foi operada com 1 mês e meio de vida, tirou parte do fígado, o cirurgião disse aos pais que a última vez que tinha realizado uma cirurgia idêntica tinha sido há 8 anos.
E depois da cirurgia? Foi viver a angústia de não saber como será o minuto seguinte, o dia seguinte e qual será o futuro. A Ema passa períodos longos internada a fazer antibiótico intravenoso. Tem agora um irmão bebé, o Lourenço, com 9 meses. E os pais, visivelmente cansados e um pouco conformados diziam que preferiam o transplante, que um deles podia ser o dador e que o fígado é um órgão que se regenera com facilidade. Mas que os médicos não colocam o transplante como parte do processo e de combate a esta doença inexplicável.
A Ema, cheia de febre e de cateter na mão, protegido por uma rede, porque já não tinha mais nenhuma veia a colaborar, passeava um pluto de rodinhas que ia abanando a cabeça pelos corredores.
Faladora. Quando uma enfermeira ou auxiliar perguntavam "és minha amiga?", ela respondia "não".
E eu pergunto, com esta idade e a passar por tudo isto como pode a Ema ser amiga de alguém? Confiar que a vida tem sorrisos para lhe oferecer sem pedir nada em troca?
A Maria Rita deixou o hospital muito assustada, mas em casa, no seu ambiente, com a comida que gosta, com as gatas a passear por entre as pernas e um chão só dela para percorrer voltou ao seu estado normal. Uma alegria imensa, uma energia contagiante e uma recuperação muito saudável.
Obrigada mais uma vez por todas as mensagens, pelo carinho e pela magia que conseguiram transmitir nesta fase tão importante para nós.

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