domingo, 16 de outubro de 2016

Das músicas do Agir para a sala de aula

Eu tinha prometido escrever sobre a reação do João à nova professora.
E precisava de o fazer, para não entrar numa espiral decadente. Se eu fosse escrever sobre o que sinto (no corpo e na alma), isto seria um diário sofrido.

[Vamos lá a isto que o cardiologista mandou-me cantar.]

O João, neste seu [curto] percurso escolar, estava habituado a ter professoras lindas ou feias, roliças ou esbeltas, mas "normais", sem grandes produções ou indumentárias fora de série (com excepção para os dias de festa).
Até porque, estas professoras, deviam saber para o que iam, lidar com (tantas) crianças não deve ser propriamente o mesmo que trabalhar ao balcão de uma perfumaria, por isso o melhor é levar o cabelo apanhado para não parecer que se viu o lobo passado 5 minutos.

No final do primeiro dia (com a professora nova) perguntei-lhe como tinha corrido e se tinha gostado.

João - tudo bem mãe, mas sabes, a minha professora piiiiinta-se!!!!
Eu - ai sim? [Raio do miúdo sai mesmo ao pai, observador, estive na sala 5 minutos durante a reunião e não reparei em nada]
João - pinta os lábios e os olhos. Sabes mãe? Como na música do Agir.
Eu - a do Makeup?
João - sim.

Depois disso foi reparando na cor dos sapatos e vai-me relatando as cores, mas na sala de aula troca por uns mais "pequenos" (o tacão, entenda-se).
Na semana passada dizia-me admirado: "mãe, hoje os sapatos eram pretos!" Como se duvidasse que esta cor existisse no closet da nova professora (entre o amarelo e o vermelho, o preto pareceu desiludir!).

Eu que não me aguento mais de 5 minutos em cima de uns tacões acho que isto revela uma força de vontade excepcional. Porque quem aguenta atravessar aquelas ruas em paralelo, em cima de um tacão de 10cm, seja qual for a cor, aguenta 23 putos com a mania que são engraçados a fazer agachamentos com a letra "i" e levantamento de pesos com o "u".

Viva as professoras com coragem de fazerem diferente, mas eu gostava mais que o fossem dentro da sala, que reinventasse os currículos e a escola tradicional, isso sim, merecia um desfile com sapatos tigresa!!!!

E eu juro que até repetia a personagem da Brísida Vaz de Gil Vicente, que tanto sucesso fez no meu tempo de menina de escola.

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