domingo, 4 de dezembro de 2016

Por eles, sempre por eles...

Quando era criança e depois adolescente, nunca pensei muito como seria o meu futuro.
Às vezes naquele exercício que se faz de nos imaginarmos adultos, eu era sempre a formiguinha trabalhadora. Imaginava a casa que tinha, o trabalho que desempenhava dia e noite e pouco mais.

Nunca sonhei casar. Nunca me imaginei com filhos. E mesmo já em adulta quando me perguntavam "não sentes vontade [de ser mãe]?", encolhia os ombros. Só o senti quando fui tia pela terceira vez, quase com 30 anos [o relógio biológico não funciona em todos de maneira igual].

Mesmo não tendo sido o sonho de uma vida. Quando desejei ser mãe, lutei por cada conquista. E caramba não tive propriamente três gestações tranquilas. Tantos dramas, tantos fantasmas.

Estou preparada para o que vier. Em cada abraço dos meus filhos, sinto que nasci para os ter. Para que me ensinassem o que é o verdadeiro amor. Para que me mostrassem a vida nas mais pequenas coisas.
Com eles aprendi a respirar. Por eles sonho agora com a minha vida cheia de incertezas e uma vontade louca de viver só para os ver sorrir.

Neste momento a minha vida resume-se a isto. E não me arrependo de ter deixado a visão de infância, onde a formiguinha deu lugar a uma ave sempre com as crias no ninho e por perto, até fazerem uso das próprias asas e aprenderem a voar.

Quando eles deixarem de ser meus, e forem do mundo. Quando eles me quiserem apenas à distância de um telefonema, de um regresso a casa para um abraço e um arroz doce, eu quero estar lá, com o mesmo sorriso e a mesma persistência.

E com a certeza infinita que ser mãe fez de mim uma pessoa melhor.

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