quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Recomeçar

Há um dia que nos matam por dentro. Como no livro "Quando a mãe grita" em que o pequeno pinguim fica com o corpo partido e perdido no universo.

Depois com ajuda das minhas pessoas, corro o mundo a apanhar os pedaços de mim. Alguns continuam com buracos abertos. Cicatrizes imensas. Mas o corpo aparentemente junto, lá.

Hoje começa Dezembro. O João fala deste mês com uma alegria contagiante e a duplicar. "O mês do Natal e o mês dos meus anos".
Eu vivo na angústia de lhe querer dar o mundo e não me conseguir mexer, quanto mais pensar. Tenho uma festa para preparar com o homem aranha como patrono e o corpo a pedir paz.

A Maria Rita nas suas intercorrências víricas, a recuperar de uma bronquiolite. Já tivemos dias com temperaturas a 40° e banhos de água tépida para acalmar dores e medos. E temos todos os dias sinfonias de choro intenso. Comigo, sempre comigo. A minha filha colada a mim, e a chorar. E o corpo, o meu, a pedir paz.

O José, começou agora a revelar os seus segredos. Os fantasmas ali presos a um passado recente. Nos rapazes é mais comum mas menos grave e a minha esperança agarra-se apenas a estas certezas, que no coração de uma mãe (e na medicina) nunca são certezas. E o meu corpo, que é por enquanto o seu mundo, a pedir paz.

A medicação em SOS que começa a ser a fuga para dias mais tranquilos. As consultas e os exames que duplicam, que se sobrepõem a horários e doenças deles.

E a certeza, vamos sobreviver e contar como foi.

Disseram-me esta semana: "há as mulheres banais e há as super-mulheres!"

E eu desejei, por momentos, ser banal.

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