domingo, 29 de janeiro de 2017

Dias de chuva

Não sei muito bem quando te transformaste nesta pessoa amarga, ressentida e triste.

Não sei muito bem quando deixaste de viver para fazer sofrer, para teres prazer com as lágrimas e gritos de quem dizes amar.

Não sei muito bem quando permiti que o fizesses, quando calei para não falar, quando evitei chorar para me convencer que estava tudo bem.

Não sei muito bem quando deixei de sorrir de forma sincera, de acreditar que os sonhos são partilhados e que a vida se constrói com alicerces, com vigas e consolas, com janelas que  se abrem para deixar o sol entrar e portas que se fecham sempre, porque foram feitas apenas para passar.

Não sei muito bem quando recusei ser amada para ser apenas porto seguro, uma rocha forte que deixa crescer árvores e alguma vegetação rasteira, que se mistura com as ervas daninhas que continuam a existir na natureza.

Não sei muito bem quando tudo isto aconteceu. Desculpa. Estava demasiado cega a ver florir os girassóis do meu jardim. Estava demasiado tranquila a alimentar o amor puro e verdadeiro. Estava demasiado atenta a afastar o que não interessa do meu caminho. Estava imensamente feliz a percorrer os trilhos em que acredito serem os caminhos da verdade.

Essa verdade transparente que lutarei para ensinar e educar os meus filhos.

Sem comentários: