sábado, 21 de janeiro de 2017

E os manos?

Somos oficialmente uma família numerosa. Temos 3 filhos. Todos com menos de 8 anos e dois deles com menos de 2 (ou seja fraldas é uma cena que se multiplica por aqui!).

[Muito bem, prometo não falar em cocó, até porque hoje queria só escrever sobre a reacção dos manos ao novo membro da família.]

E os manos?

Esta é a pergunta mais frequente. Ninguém pergunta como está o meu baixo ventre ou se o útero aguentou a tamanha crueldade (a minha claro). Saber como os mais velhos reagiram é uma curiosidade compreensível, até porque com uma miúda ainda pequena e traçada de camião-tir era de esperar uma cena digna de Hollywood.

Vamos lá aos factos:

O João adorou.
Fez algumas visitas ainda na maternidade, foi dos primeiros a conhecer o irmão a enchê-lo de beijos e amassos.
Parecendo que não, o rapaz passou por uma experiência recente com a chegada da irmã.
Tudo bem que agora já sabe o que é ter um bebé em casa, tudo bem que agora tem 6 anos e já se impõe na escolha do nome, tudo bem que nos últimos meses a sua vida passou de moderato a vivace, tudo bem que isto de ter de estar sentado das 9h às 17h a juntar letras (qual funcionário das finanças) é mais chato que ter a casa cheia de bebés aos gritos.
Em casa o João não me pareceu ter qualquer alteração emocional relevante. E o comportamento dele era o que já apresentava nas últimas semanas.
Fora de casa não tenho a certeza que esteja a ser igual, mas estou a dar-lhe tempo para voltar a confrontar-me com a realidade.


O João acha que este mano é o gémeo dele. É o gémeo que esperou 6 anos para nascer, e para arrancar dele as frases mais fofinhas de sempre.

A Maria Rita assumiu a postura de irmã do meio.
Não achei conveniente que ela fosse à maternidade. Primeiro porque tinha estado um pouco febril no fim-de-semana. Depois porque ia ver a mãe com o bebé e teria que ir embora de mãos a abanar (sem mãe, nem pai, nem bebé). Por isso deixei que a onda de choque a apanhasse num ambiente protegido, já em casa.
Estava cheia de saudades minhas (e eu dela, meu docinho!!!!), e quando viu o bebé até achou piada. Porque é um "Nenuco" que se mexe, chora e abre os olhos. O pior foi quando o "Nenuco" precisou de mamar.
Não vou contar pormenores, acho que a fotografia ilustra bem o estado de espírito da Maria Rita.
Aos poucos vai-se habituando à ideia. E acho que já está a reagir melhor. Interage e até é bastante carinhosa com o José. Mas os primeiros dias foram pautados pela agressividade e descontrolo emocional generalizado.

Depois da tempestade vem a bonança e sinto que os dois pequenos serão grandes amigos e que não vão viver um sem o outro.


O José gosta de maluqueira.
Já aprendi várias lições com este filho. Primeiro que não somos nós que mandamos na nossa vida. Fui escolhida, por ele e a missão foi bem clara. Tinha estabelecido algumas negociações com o José, ainda na barriga, uma delas era que se me queria como mãe, teria de colaborar para eu não enlouquecer. E o miúdo está cumpridor.
No dia em que chegamos a casa, quando os irmãos chegaram e correram para nós, o José fechou os olhos e suspirou, como quem diz "finalmente estou em casa!".
Ele sobrevive aos barulhos, aos berros, aos gritos, ao choro dos irmãos. Se estiver a chorar ao ouvir choro da Maria Rita cala-se imediatamente, como quem diz "os mais velhos estão primeiro".

É certo que ele já convivia com este cenário diariamente, embora no aconchego do útero, com o compasso dos batimentos cardíacos a servir de calmamente. Mas quando o circo está a pegar fogo, este miúdo parece que entende que tem de esperar, de serenar e acalmar. E eu agradeço do fundo do coração que assim seja, porque repartida já me sinto eu.

Quanto a mim. Ainda não acredito que tenho 3 crianças em casa e que consigo bater palmas de forma coordenada e sem me babar!!! Urrrraaaaa.

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