segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

José [09.01.17]

José,

Nasceste no dia 9 de Janeiro de 2017. Num dia bonito de inverno. No Piso 4 do CMIN, deitada na cama que nos levava ao bloco, enquanto esperávamos pelo elevador. O céu limpo, a ponte da Arrábida como cenário e o mar a encher o horizonte.

Dia 9 de Janeiro José, 40 anos antes, ali ao lado no Hospital de St. António, a tua titi e madrinha soltava o primeiro grito e começava a multiplicar o seu amor com todos aqueles com quem se cruzava.

Estava a ser tudo muito rápido. Sem tempo para pensar ou digerir. Sem pressas e sem compassos de espera. O Dr. Vítor, chefe de equipa de urgência desse dia, esticou a mão para me dar 5 e dizer que ia correr bem, não era o momento para correr riscos.

Em casa os manos mais velhos continuavam os seus dias sem saber que as nossas vidas estavam prestes a mudar para sempre. 

Desta vez a lei do nosso país deixou o pai entrar no bloco, vestido a rigor e de máscara. Ouvimos juntos o teu primeiro choro, olhámos para ti ao mesmo tempo, quando te trouxeram para junto do meu peito.

Às 11h27 ouviu-se "nasceu" e o relógio parou. Um choro grosso ecoou.
Ali estavas tu, pequeno e perfeito. Covinha no queixo e os olhos sempre fechados.

Fizeste o teu primeiro xixi enquanto te limpavam, pesavam e mediam. Bom peso para as tuas 37 semanas de gestação.

A brincar, dizia que serias preto de carapinha loira. Pouco importava meu amor, mas quando olhei para ti, achei que serias mais parecido com o teu mano João.

Meia hora depois do nosso primeiro beijo já estavas a mamar e eu com colostro para um regimento de bebés*.

Não há nenhum filho igual, não há nenhum parto igual. Desta vez José, senti-me por instantes do outro lado, mas não digas a ninguém. Consegui voltar, dizer "não estou bem", a medicação a entrar no cateter da epidural, os espasmos a percorrer-me o corpo.
Sobrevivi. Sobrevivemos. Foram 37 semanas muito loucas meu amor, mas agora é que a vida começou. Em stereo e blu-ray, numa velocidade estonteante e perigosa.

Juntos vamos construir um império, acredita.


* que belo mito, esse das cesarianas não proporcionarem a amamentação eficaz na primeira hora de vida!!!

Fica para breve a reacção dos manos e o meu susto pós-parto (quando recuperar a 100%).

>> O dia em que o João nasceu

>> O dia em que a Maria Rita nasceu

1 comentário:

Matilde disse...

Bem-vindo, Jose :)
Muitas felicidades para ti, para os teus papas e manos :)
Adorei o pensamento sobre a amamentacao na cesariana, disseste tudo o que eu penso ;) Bem hajas!
BJinhosss