sexta-feira, 10 de março de 2017

José [2 meses]

Querido José,

Ontem foi dia de comemorarmos o teu segundo mês de vida. Mas o que a vida tinha reservado para nós não era fácil de digerir.
Ao terceiro filho pensei que tudo seria mais fácil, que nada me fosse perturbar ou fazer questionar.
Mas estas últimas semanas foram uma prova de fogo que culminou num diagnóstico com palavrões do Atlas da Medicina.

Logo pela manhã demos entrada na urgência Pediátrica do Hospital de residência. Esperava-nos a nossa querida Pediatra (um anjo na terra!).
Depois de observado, foram pedidos uma bateria de exames. E a espera contigo nos braços e o nó na garganta.

Ao terceiro filho o nosso instinto está ainda mais apurado. Desvalorizamos o que não é para valorizar, mas conseguimos perceber quando algo de estranho está a entranhar-se. Não, não é normal um bebé se transformar de um dia para o outro sem que uma causa esteja lá. E estava.

Saímos do hospital com uma carta endereçada ao serviço de cirurgia pediátrica no hospital de S. João.
As indicações eram claras. O próximo vómito teríamos que ir directamente para o Hospital de S. João para ser operado ao estômago.

O dia estava quente, 27°C marcava o termometro, tão quente que evaporava as lágrimas que teimavam em cair.
Decidi que não me revoltava.

Percebi que o universo continua com uma mensagem que não estou a perceber. E só me apetece dizer "chega, vai chatear o c... o cão do Obama pá. Deixem-me estar, deixem estar os meus filhos. Deixem-me viver feliz e sem sombras".

A pediatra disse ao cirurgião que confiava plenamente nesta mãe que vos escreve. Ela diz que eu sei reconhecer melhor do que ninguém o agravamento do quadro clínico e que irei cumprir todas as indicações e protocolos. E por isso estamos a fazer a vigilância em casa.

Isto não é um elogio para mim, nem uma declaração abonatória para o curso de medicina por correspondência. Isto é um sofrimento terrível. Um sentimento de impotência, de incerteza e de confusão.
Entre o quarto e a cozinha esqueço-me o que vou fazer. Durmo sentada contigo ao colo, dou mama, tiro leite com a bomba, volto a dar mama. Avalio o vómito e os sinais vitais. As tuas dores, os teus gritos. A nossa dor José.

Estamos em 2017, tínhamos um pacto lembras-te? E tu és forte meu amor. Juntos passámos por muito, juntos vamos vencer.

Parabéns meu amor. Vamos continuar a acreditar em 2017? Simmmm.


Continuamos em vigilância. Desejem-nos tudo de bom e incluam o José nas vossas orações, pode ser? Com ou sem cirurgia o José precisa de ficar bem e mandar embora patologias com nomes feios (estenose pilórica com estase gástrica). 

1 comentário:

Unknown disse...

Vai correr tudo bem... :-)
Força mãe guerreira :-)