domingo, 16 de julho de 2017

Estrelas cadentes

Tenho saudades de dançar à chuva, na rua.
Tenho saudades de beber caipirinhas em noites de lua cheia.
Tenho saudades de mergulhos no mar e sentir o sal secar no corpo enquanto repouso em dunas rebeldes.
Tenho saudades de adormecer enquanto devoro um livro.
Tenho saudades de me deitar ao relento a ver estrelas cadentes.
Tenho saudades de ouvir o silêncio, de respirar o vazio, de ter páginas em branco e uma vontade incrível de as desenhar.
Tenho saudades de olhar nos teus olhos e acreditar.
Tenho saudades de sentir o coração a rebentar e uma adrenalina louca de viver os dias.
Tenho saudades da paz do oceano. Do som das ondas a bater no casco de um barco, de madrugadas de nevoeiro em que um casaco me chegava para aconchegar a alma.
Tenho saudades de churrascos demorados.
Tenho saudades de não ter horários, das rotinas se misturarem com uma somersby e uns pistácios.
Tenho saudades de beijos salgados, entre mergulhos, viagens de bicicleta e as músicas de sempre a tocar em looping.
Tenho saudades de abraços que me envolvem, como seguros de vida em que acreditamos que nunca estaremos em perigo.
Tenho saudades de ver filmes enrolada no sofá.
Tenho saudades de bolo de bolacha com o sabor forte do café e o creme de manteiga no ponto certo.
Tenho saudades de lamber os dedos depois de comer espetadas de camarão.
Tenho saudades de acordar a meio da noite com saudades, com mensagens e abraços perfeitos.
Tenho saudades de olhar para o telefone enquanto espero por ti.
Tenho saudades de ler um livro numa esplanada com um sumo de laranja acabado de fazer.
Tenho saudades de mousse de maracujá  em baldes.
Tenho saudades de fazer palavras cruzadas, como o meu avô fazia religiosamente no jornal.
Tenho saudades de cubos de gelo a derreter no meu corpo.
Tenho saudades da areia branca e do mar das Caraíbas. De mergulhos na piscina em dias de tempestade. Tenho saudades de vestidos e havaianas.
Tenho saudades de um pôr-do-sol cor-de-rosa em fundo laranja, o mar como fundo e uma brisa a desalinhar-me o cabelo.
Tenho saudades de caminhar à beira mar sem destino e com a certeza que no regresso encontro as tuas pegadas.
Tenho saudades das palhaçadas do meu avô João quando imitava um macaco.

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