segunda-feira, 24 de julho de 2017

Quando eu morrer

Para os meus filhos

Quando eu morrer quero que se abracem e entrelacem as mãos. Podem chorar, faz bem à alma.
Quando eu morrer quero que se lembrem de mim como um perfume, sempre presente.
Quando eu morrer quero que libertem os pássaros e abram as janelas para deixar o vento entrar.
Quando eu morrer quero que cozinhem uns para os outros. Que contem piadas sobre mim à mesa de Natal ou ao telefone.
Quando eu morrer quero que se juntem, ainda mais, que façam pactos de amor e amizade eterna.
Quando eu morrer quero que fiquem com o meu sorriso gravado nas vossas memórias, quero que suspirem de alívio por me terem conhecido.
Quando eu morrer quero ser o elo invisível que vos une, que vos aconchega de noite, que vos abraça nos momentos bons e nos maus.
Quando eu morrer quero que sintam a liberdade dos sinos que tocam, da brisa nas manhãs de primavera e das frésias a florir .
Quero ser o bálsamo nas dores e aflições, quero ser a taça que erguem felizes nos momentos de glória, quero ser o cobertor que aquece quando o frio entranha na alma, quero ser o sabor doce da sobremesa depois do jantar.

Que as minhas dores sejam sempre a vossa libertação e que possa reunir em mim aquilo que não quero para vocês.

Com amor.
Mãe

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