quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Porto, com amor...

Se eu pudesse ter escolhido, queria morar no Porto. Abdicava da garagem e até do carro. Se eu pudesse escolher, acordava com o rio aos meus pés, com névoa a tapar a outra margem e com o pôr-do-sol a beijar-me o rosto.

O arquitecto Fernando Távora dizia que Lisboa era mulher, elegante e maquilhada e o Porto era homem, sóbrio, forte, denso.

Se eu pudesse escolher, abdicava de tudo, enchia o peito de ar e mergulhava junto com os putos da Ribeira.

O Porto não se explica, sente-se. O Porto não se pinta, é um livro ilustrado. O Porto não precisa de cor, é todo ele música, dança, amor e sorte.

A Maria Rita acorda e diz que vai passear ao Porto. E repete durante o dia, várias vezes. Quando alguém lhe pergunta "onde vais?", a resposta é simples "passear ao Porto com a mãe".

A Maria Rita é mulher. É parte de mim, muito mais intensa do que eu. A Maria Rita é Porto, é nevoeiro e pôr-do-sol. É choro e riso. É manhãs frias e tardes encantadoras.

No domingo fomos ao Porto. Num dia trágico para Portugal. Num dia em que mais uma vez tantos tentaram fugir do inferno e outros tantos perderam tudo.

Ficam as imagens Porto my love.

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