segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Pedir e receber

Pedi a dezembro o amparo que novembro me rouba.
Pedi a dezembro que os meus olhos vissem tudo aquilo que o meu coração sonha.
Pedi a dezembro que a minha cabeça fosse apenas o lugar onde os meus macaquinhos se juntam para festejar.

Às vezes só nos apercebemos da maldade dos outros quando já fomos magoados. Às vezes só aceitamos aquilo que o nosso coração nos diz quando somos confrontados com as evidências.

Percebi que aquilo que me move é muito mais emoção do que o cálculo matemático, deixei para trás o perfeccionismo, deito-me de consciência tranquila e de peito aberto.

Sonho. Junto todos os dias as pedras que encontro e guardo-as com amor. Algumas vão seguindo o seu caminho, outras vão ficando.

Ao meu filho João, a quem proibi de ouvir música latina, mesmo aquela que ele dizia ser a sua preferida, desculpa meu amor, desculpa por não perceberes que a minha mágoa não era tua e que o que te fazia feliz me enchia de memórias que não queria recordar. Já não importa. Já podes ouvir, rir e dançar com o som que te embala os olhos doces, ainda dói mas já não fico presa na dor.

À minha filha Maria Rita, a quem recusei chamar princesa, mesmo perante a evidência de naquele coração estar uma guerreira de sangue azul. És uma princesa minha filha, tens uma garra e uma força que nos enche a todos de orgulho, mesmo quando a capa da heroína é dobrada e vestes o mais doce sorriso, na mais nobre canção que se transforma em abraço. O meu coração já não encolhe quando ouve essa palavra, porque tu o ensinaste a dilatar de orgulho.

Ao meu filho José, a quem não baptizei com o segundo nome que queria. Embora fosse o mais bonito e o mais adequado, um agradecimento pela dádiva do teu nascimento, tu não irias gostar de ser recordado assim. E sabes, Xavier fica-te tão bem meu querido, que até os anjos cantam numa só voz.

Vou continuar a pedir a dezembro que me envolva em laços de ternura e me proteja de quem não merece uma lágrima ou um segundo da minha preocupação.

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