segunda-feira, 12 de março de 2018

Azul do céu

São 21h30 e estão todos a dormir. Eu também devia estar a dormir. Ouço a casa em silêncio e sinto um eco profundo em mim.

Faço o exercício de ouvir a minha respiração. Penso apenas neste exercício. A minha respiração. Uma e outra vez.

Quando todos estão a dormir é mais fácil pensar. É mais fácil trabalhar. É mais fácil imaginar. Sonhar. Criar. Até é mais fácil limpar e arrumar e manter 5 minutos a mesma posição.

Tento descontrair, não pensar em tudo o que o que me está a angustiar. Tento pensar em verbos e adjectivos como nos trabalhos que o João traz no caderno de casa. O céu está azul intenso. Onde está o adjectivo? E agora se dividirmos pela metade? E assim se enrolam conteúdos. O céu está azul celeste. Redundante e exdruxulo como o tempo. Ora de tempestade ora de bonança.

A felicidade é isto. Noites em claro a contar metades redundantes ora de português, ora de matemática.
Entre os meus problemas e os problemas dos outros.

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