domingo, 18 de março de 2018

José [report]

um ano atrás estavamos a viver uma fase muito complicada. O José, que tinha sido um bebé-anjo até então, estava embrulhado num manto incerto.
Eu queria acreditar que 2017 ainda tinha muito para me (nos) oferecer. E tinha. Hoje quando vejo o José a correr pela casa, a dar aquelas gargalhadas tão características dele (parece um carneirinho), a morder-me em todo o lado, a correr atrás das gatas ou a enfiar a mão dentro da boca do Jonas, percebo finalmente que estamos salvos. Que 2017 me deu em amor o que o sofrimento me tentou tirar.

Não é fácil escrever quando se tem tudo guardado, arrumado e identificado com etiquetas. Para mim, é mais fácil escrever no caos, porque enquanto escrevo verbalizo e arrumo.

Um ano depois, o José teve finalmente alta de gastroenterologia, onde andava a ser seguido desde então. Mas mais importante que isso é ver como um refluxo gastroesofágico patológico que privou este bebé de fazer quase tudo aquilo que ele gostava, lhe deu agora paz para voltar a ser o glutão que estava destinado a ser. Ele come tudo. E come tudo com muita vontade. Ele armazena nas bochechas com medo que acabe.
Ele come tudo, e quando digo tudo, digo bróculos cozidos ou grelos, até come batatas de um dia para o outro (as que encontra escondidas num canto da cadeira no dia seguinte).

Ele come a sopa dele, mas também come da nossa sopa se não houver da dele. Já iniciou o leite vegetal e imaginem... também gostou. Só fica mesmo chateado quando não lhe dão alguma coisa. Por isso agora desenvolveu a arte de ir ao ecoponto buscar as embalagens vazias de iogurtes líquidos dos irmãos para se lambuzar.

Nunca pensei ter de meter fechos de segurança no lixo...mas ao terceiro acho que vai ter mesmo de ser.

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