quarta-feira, 4 de abril de 2018

Até ao fim do mundo

Hoje voltámos ao Hospital de St. António.
A Maria Rita estava tão contente. Ia passear ao Porto, às compras. E de repente estava fechada numa sala fria com muitas luzes para um exame em medicina nuclear.
O procedimento é simples. Não há muito segredo. É injectada uma substância radioactiva na veia e são captadas imagens renais.
Mas porquê que uma princesa de 2 anos tem de passar por isto? E várias vezes?

Há pessoas que lutam por um cordão em ouro. Outras por um pedaço de terra ou uns tostões no banco. Há quem faça um drama porque dá demasiada importância em pôr-se em bicos de pés para ser vista, por vaidade ou apenas porque não sabe viver de outra forma. Nós lutamos apenas para viver.

No dia em que eles nasceram prometi-lhes que os iria proteger para sempre. Não sabia ainda que não podemos evitar o sofrimento para o qual estamos destinados.
Aprendi com eles que não posso roubar-lhes as dores, tirar-lhes os medos. Mas juntos, de mãos dadas podemos lutar e vencer. Juntos podemos abraçar a dor e retribuir com amor como bálsamo para a cura desejada.

Hoje o dia voltou a encher-se de agulhas. Quando devia ser só um passeio de princesas. Mas sei que ela vai guardar na memória dela o abraço que lhe dei enquanto lhe limpava as lágrimas. Sei que vai fechar os olhos e ouvir a minha voz no seu ouvido a dizer "já passou meu amor. Já passou!".

Porque o amor tudo cura. E enquanto eu tiver força lutarei por vocês....até ao fim do mundo.

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