quinta-feira, 14 de junho de 2018

Desculpa

Há pessoas que têm o dom de não saber pedir desculpa, de não saber comprometer-se, de não saber ser feliz, de não saber respeitar, de não saber relativizar, de não saber valorizar-se.

Há pessoas que acordam tarde para o que é realmente importante na vida. Mas há outros que nunca acordam.

E se alguns levam jeito para fazer de robot de cozinha, daqueles que picam, misturam, batem e cozem, transformando  umas lascas de cogumelos num rissoto de ir às lágrimas...há outros que nem para descascador de legumes servem. Vão usando a mangueira, mais para apagar o seu fogo do que o dos outros, e aumentando circunstancialmente o flagelo dos incêndios pelo país.

Hoje o João perguntou-me "mãe, quando se namora é preciso pedir desculpa?"

Claro que é João. Principalmente quando se namora, é preciso pedir desculpa. Sempre.

Não é o pedir de desculpa sem sentido, sem ter realmente ferido o outro. Na verdade o pedir desculpa é um acto de empatia. Precisamos de nos colocar no lugar do outro para sentir. Para perceber que ninguém gosta de ser um mero tapete que esconde o lixo de um mundo inteiro.

Pedir desculpa não pode ser um acto banal, que possamos tirar da algibeira as frases feitas como "as desculpas não se pedem, evitam-se". Pedir desculpa é como o obrigado. Dizemos "obrigado" não para agradecer o café que nos foi servido gentilmente, mas para demonstrar gratidão, um sentimento que nos faz ser maior.

Este é o segredo João, não peças desculpa por existires, por gostares de futebol ou por teres uns olhos de sonho. Pede desculpa quando ferires alguém, como não gostarias que o fizessem contigo.

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